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  • Trump recorre a lei de 1798 e envia venezuelanos a El Salvador, custo para abrigar migrantes nas prisões será de US$ 6 milhões

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na sexta-feira (14) uma ordem executiva que invoca a Lei dos Inimigos Estrangeiros de 1798, uma legislação do século 18 raramente utilizada, para deportar mais de 200 imigrantes venezuelanos, supostos membros da gangue Tren de Aragua, para El Salvador. A transferência ocorreu no domingo (16), mesmo após uma ordem judicial de um juiz federal em Washington, James Boasberg, que tentou barrar as deportações. Sob um acordo com o governo de Nayib Bukele, El Salvador receberá US$ 6 milhões dos EUA para manter os detentos por um ano no Centro de Confinamento do Terrorismo (CECOT), uma mega-prisão de segurança máxima.

    A decisão de Trump foi anunciada como parte de sua promessa de campanha para realizar a maior operação de deportação da história americana. A Lei dos Inimigos Estrangeiros, criada durante um período de tensão com a França revolucionária, permite ao presidente deter ou expulsar cidadãos de nações inimigas em tempos de guerra ou “invasão”. Trump justificou seu uso declarando que o Tren de Aragua, gangue surgida em uma prisão venezuelana e ligada a crimes como extorsão e assassinatos, representa uma ameaça à segurança nacional, operando como uma força hostil em conluio com o regime de Nicolás Maduro.

    Os detentos, totalizando 238 segundo Bukele, chegaram a San Salvador em voos que partiram dos EUA antes que a ordem judicial pudesse ser plenamente efetivada. Vídeos divulgados pelo governo salvadorenho mostram os homens algemados e acorrentados, sendo escoltados por policiais em trajes antimotim até o CECOT, uma instalação com capacidade para 40 mil presos, conhecida por suas condições severas — celas sem janelas, camas de metal sem colchões e proibição de visitas. Bukele ironizou a decisão judicial nas redes sociais com um “Oopsie… Too late” (Ops, tarde demais), enquanto o secretário de Estado americano, Marco Rubio, agradeceu a “amizade” do líder salvadorenho.

    A ação gerou controvérsia. A Casa Branca, por meio da porta-voz Karoline Leavitt, negou ter violado a ordem do juiz, afirmando que os voos já haviam deixado o território americano antes do bloqueio e que cortes federais não têm jurisdição sobre as ações de Trump em assuntos de política externa. No entanto, grupos de direitos humanos, como a Anistia Internacional EUA, condenaram a medida como “racista” e uma violação do devido processo legal, acusando Trump de usar uma lei arcaica para criminalizar migrantes venezuelanos sem evidências concretas de sua filiação à gangue.

    O acordo com El Salvador, que custará cerca de US$ 20 mil por detento ao longo de um ano (renovável), reflete uma aliança crescente entre Trump e Bukele, admirado por conservadores americanos por sua repressão a gangues como o MS-13. Além dos venezuelanos, dois líderes do MS-13 e 21 outros membros foram deportados na mesma operação, segundo Rubio. Enquanto o julgamento sobre a legalidade da medida segue nos tribunais americanos, a transferência marca um precedente polêmico na política migratória de Trump, que já sinaliza planos para deportar milhões de imigrantes em seu mandato.

  • Em Copacabana, Bolsonaro confronta Moraes e STF por anistia aos presos do 8/1

    Na manhã deste domingo (16), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) liderou uma manifestação na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, em um confronto direto com o ministro Alexandre de Moraes e o Supremo Tribunal Federal (STF). O ato, que começou às 10h na Avenida Atlântica, entre as ruas Barão de Ipanema e Xavier da Silveira, reuniu milhares de apoiadores para pedir a anistia aos condenados pelos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023. Organizado pelo pastor Silas Malafaia, o evento serviu como plataforma para Bolsonaro questionar a Corte e reforçar sua influência política às vésperas de um julgamento crucial no STF.

    Bolsonaro chegou ao trio elétrico às 10h18 e, em um discurso de 35 minutos, colocou Moraes no centro das críticas. “O STF não pode ser maior que o povo. Esses patriotas presos no 8 de janeiro merecem anistia, não perseguição”, declarou, referindo-se aos mais de 1,3 mil condenados ou investigados pelo ataque às sedes dos Três Poderes em Brasília. O ex-presidente acusou o ministro, relator do inquérito, de conduzir uma “caçada” contra seus apoiadores, enquanto a multidão gritava “Moraes ditador” e “anistia já”.


    O ato ocorre a nove dias do julgamento no STF, marcado para 25 de março, em que Bolsonaro e outros 33 acusados — incluindo o ex-ministro Walter Braga Netto e o tenente-coronel Mauro Cid — podem se tornar réus por tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa armada. A denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), apresentada em fevereiro, aponta Bolsonaro como o articulador de um plano para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após as eleições de 2022.

    A manifestação contou com a presença de aliados de peso, como os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Cláudio Castro (PL-RJ) e Jorginho Mello (PL-SC), além dos filhos Flávio Bolsonaro (senador pelo PL-RJ) e Carlos Bolsonaro (vereador pelo Republicanos-RJ). Outros discursos vieram do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, do senador Magno Malta (PL-ES), dos deputados Nikolas Ferreira (PL-MG) e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), e da vereadora Priscila Costa (PL-CE), que substituiu Michelle Bolsonaro, em recuperação de uma cirurgia.

    Os oradores ampliaram o tom contra o STF. Flávio Bolsonaro prometeu “derrotar o alexandrismo”, enquanto Nikolas Ferreira acusou Moraes de “rasgar a Constituição” e “prender inocentes”. Malafaia, anfitrião do evento, chamou o Supremo de “tribunal de exceção” e defendeu que “o povo está acima de qualquer juiz”. A retórica foi acompanhada por cartazes com frases como “Fora Moraes” e “Liberdade aos patriotas”.

    O evento em Copacabana, com apoiadores vestindo camisas da seleção brasileira e bandeiras do Brasil, teve ecos internacionais, com menções ao presidente dos EUA, Donald Trump, e ao bilionário Elon Musk, vistos como ícones de resistência pelos manifestantes. Imagens aéreas mostraram a ocupação de ao menos duas quadras, com estimativas do Cebrap e da ONG More in Common apontando 16,2 mil pessoas às 10h40 — número inferior aos atos anteriores de Bolsonaro na Avenida Paulista, mas ainda significativo.


    A manifestação coincide com a tramitação do PL da Anistia no Congresso, de autoria do ex-deputado Major Vitor Hugo (PL-GO), que enfrenta resistência do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Judiciário, que considera inconstitucional perdoar crimes contra a democracia. Para Bolsonaro, inelegível até 2030 por decisões do TSE, o ato é uma tentativa de pressionar o STF e manter sua base mobilizada diante de um julgamento que pode selar seu futuro político e jurídico.

    O governo Lula e aliados do STF evitaram comentários diretos até o momento, mas a PGR reiterou que os crimes do 8 de janeiro “atentam contra o Estado de Direito” e não podem ser anistiados sem violar a Constituição. A manifestação reforça o embate entre Bolsonaro e Moraes, que já resultou em prisões, bloqueios de redes sociais e multas contra o ex-presidente e seus apoiadores. Enquanto o STF prepara-se para o julgamento, Copacabana tornou-se, mais uma vez, palco de uma guerra política que divide o Brasil.

  • Opinião: Arrastão na Noide Cerqueira mostra fragilidade da prefeitura e da Camâra em lidar com os criminosos.

    Um arrastão na Avenida Nóide Cerqueira, em Feira de Santana, na manhã de sábado (15), expôs mais uma vez a fragilidade do Governo do Estado, da prefeitura e da Câmara Municipal em lidar com a crescente onda de criminalidade na cidade. O vereador Flávio “Galeguinho” Arruda (União Brasil) usou seu Instagram neste sábado (15) para denunciar o crime, ocorrido em um ponto essencial para atletas e esportistas. Diante disso, o Portal NINJAFSA elaborou uma matéria sugerindo projetos que, se aprovados e implementados, poderiam fortalecer a segurança local e diminuir a dependência do Governo do Estado, amenizando a alta taxa de crimes em Feira.

    O crime na Nóide Cerqueira, somado a casos como o latrocínio do ciclista Vinícius Moreira de Souza em janeiro de 2025 na mesma avenida, evidencia a dificuldade da prefeitura e da Câmara em enfrentar os criminosos. O Centro de Controle Operacional (CCO), com apenas 300 câmeras concentradas no centro, e a Guarda Civil Municipal (GCM), com efetivo e recursos limitados, não conseguem cobrir uma cidade de mais de 600 mil habitantes.

    Para reduzir essa dependência e enfrentar a criminalidade, o NINJAFSA propõe ações que dependem da iniciativa local:

    Ampliação do CCO: Aumentar o número de câmeras de 300 para pelo menos 1.500, estendendo a vigilância a bairros como Tomba e SIM, distritos como Maria Quitéria e condomínios do Minha Casa, Minha Vida, para monitorar e prevenir crimes em tempo real.

    Fortalecimento da GCM: Aproveitando a decisão do STF de 2024, que equiparou as GCMs às Polícias Municipais, sugere-se ampliar o efetivo, investir em treinamento e equipar a guarda com viaturas e armas modernas, criando uma força mais autônoma.

    Aprovação do projeto de Ismael Bastos: O projeto do vereador Ismael Bastos (PL), protocolado este ano de 2025, propõe renomear a GCM como Polícia Municipal.

    Ampliar o CCO exige investimentos altos, viáveis por parcerias público-privadas ou verbas federais. Reforçar a GCM demanda orçamento para contratações e equipamentos, enquanto a renomeação para Polícia Municipal depende de consenso na Câmara, liderada por Marcos Lima, e pode enfrentar resistência por questões de jurisdição com a PM.

  • TCU decide que presentes pessoais recebidos por presidentes não são patrimônio público

    O Tribunal de Contas da União (TCU) tomou uma decisão histórica em 19 de fevereiro de 2025, ao estabelecer que presentes de caráter personalíssimo recebidos por presidentes da República durante seus mandatos não integram o patrimônio público, passando a pertencer aos próprios mandatários após o término de seus cargos. A resolução, aprovada por unanimidade em sessão plenária sob a relatoria do ministro Jorge Oliveira, redefine o tratamento dado a itens como joias, relógios, canetas e outros objetos de uso pessoal oferecidos por autoridades estrangeiras ou nacionais, marcando um ponto de virada em uma discussão que se arrastava há anos no Brasil.

    A decisão teve origem em um processo que analisava presentes recebidos pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), incluindo joias avaliadas em milhões de reais, como um kit de diamantes da Chopard e um relógio Rolex ofertados pela Arábia Saudita em 2019. Após denúncias de que Bolsonaro teria tentado incorporar esses itens ao seu patrimônio pessoal sem declaração à Receita Federal, o TCU foi acionado para esclarecer a destinação legal de tais bens. O julgamento, concluído em março de 2025, considerou que objetos de uso íntimo ou personalíssimo — desde que não ostentem valor histórico ou cultural significativo para o Estado — não precisam ser devolvidos ou incorporados ao acervo público.

    O que muda com a decisão?

    A Corte diferenciou os presentes em duas categorias principais: os de caráter personalíssimo, como roupas, acessórios e itens de uso cotidiano, que agora pertencem ao presidente ou ex-presidente; e os de valor histórico ou simbólico, como obras de arte ou peças representativas da nação, que devem ser mantidos como patrimônio público. O TCU argumentou que a ausência de uma legislação específica sobre o tema justificava a interpretação, baseada em práticas internacionais e em decisões anteriores do próprio tribunal. “Não há norma que obrigue a devolução desses bens. Cabe ao Congresso legislar sobre isso, mas, até lá, nossa decisão vale para todos os casos”, declarou o ministro Oliveira durante a sessão.

    O julgamento revisou um entendimento parcial de 2023, quando o TCU analisou presentes recebidos pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e permitiu que ele ficasse com itens personalizados, como uma caneta Montblanc, desde que objetos de grande valor fossem restituídos ao Estado. A nova resolução, porém, elimina a exigência de devolução baseada apenas no valor monetário, focando no critério de “caráter personalíssimo”. Isso significa que, independentemente do preço — como no caso das joias de Bolsonaro, estimadas em R$ 25 milhões —, o presente pode ser retido pelo destinatário se for considerado de uso pessoal.

    Contexto e reações

    A decisão chega em um momento delicado, com o Brasil acompanhando investigações sobre a conduta de Bolsonaro no caso das joias sauditas, que também envolvem suspeitas de contrabando e sonegação fiscal. O TCU, contudo, deixou claro que sua competência se limita à esfera administrativa, não interferindo em eventuais processos criminais ou tributários. “Nosso papel é definir o destino dos bens, não julgar ilícitos penais”, frisou Oliveira.

    A medida gerou reações polarizadas. Parlamentares da oposição, como o deputado André Fernandes (PL-CE), celebraram o resultado, afirmando que “o TCU corrigiu uma injustiça histórica contra Bolsonaro”. Já líderes da base governista, como o senador Humberto Costa (PT-PE), criticaram a decisão, alegando que ela “abre brecha para abusos e enfraquece a transparência”. Organizações civis, como a Transparência Brasil, também manifestaram preocupação, apontando que a falta de critérios objetivos pode beneficiar ex-presidentes em detrimento do interesse público.

    No Congresso, a resolução reacendeu o debate sobre a necessidade de uma lei específica. Projetos como o PL 2.345/2023, que tramita na Câmara, propõem que todos os presentes recebidos por autoridades sejam registrados e, caso ultrapassem determinado valor (sugerido em R$ 5 mil), sejam incorporados ao patrimônio público. Até que isso seja votado, a decisão do TCU serve como precedente vinculante para todos os ex-presidentes e futuros mandatários.

    Impactos e implicações

    Na prática, a determinação do TCU encerra a disputa administrativa sobre as joias de Bolsonaro, permitindo que ele as retenha legalmente, desde que quite eventuais dívidas fiscais relacionadas à importação irregular — um tema que segue sob análise da Receita Federal e do STF. O caso também levanta questões sobre presentes recebidos por outros ex-presidentes, como Lula, Dilma Rousseff e Michel Temer, que agora podem reivindicar itens sob o mesmo critério.

    Especialistas em direito público veem a decisão com cautela. Para o advogado constitucionalista André Ramos Tavares, “o TCU adotou uma interpretação pragmática, mas deixou um vácuo que pode gerar controvérsias futuras”. Ele sugere que a Corte poderia ter condicionado a posse dos bens a uma avaliação independente de seu valor cultural ou histórico, algo que o julgamento não detalhou.

    Passados 35 anos do Plano Collor, que confiscou poupanças e abalou a confiança dos brasileiros no Estado, a decisão do TCU reacende discussões sobre o uso de bens públicos e privados no Brasil. Enquanto o país reflete sobre os rumos de sua governança, o destino de relógios e diamantes carrega um peso simbólico: o equilíbrio entre o público e o pessoal ainda está longe de ser resolvido.

  • Há 35 anos, brasileiros acordavam em pânico e sem dinheiro por conta do Plano Collor

    Há 35 anos, brasileiros acordavam em pânico e sem dinheiro por conta do Plano Collor

    Na manhã de 16 de março de 1990 — há exatos 35 anos, considerando a data atual de 15 de março de 2025 —, os brasileiros foram pegos de surpresa por uma das medidas econômicas mais drásticas da história do país: o Plano Collor. Anunciado no primeiro dia do governo de Fernando Collor de Mello, o pacote confiscou cerca de 80% das poupanças e contas correntes acima de 50 mil cruzados novos (equivalentes a aproximadamente R$ 1.300 em valores corrigidos), deixando milhões de cidadãos sem acesso ao próprio dinheiro. O que era para ser uma solução heroica contra a hiperinflação virou um trauma coletivo, marcando a memória de uma geração e expondo as fragilidades de um sistema econômico à beira do colapso.

    O contexto: um Brasil sufocado pela hiperinflação

    Na virada da década de 1980 para 1990, o Brasil vivia um caos econômico. A hiperinflação alcançava níveis alarmantes, com índices mensais de até 80% em fevereiro de 1990, segundo o IBGE. Os preços mudavam várias vezes ao dia: um litro de leite podia custar 50 cruzados novos de manhã e 70 à tarde. Salários perdiam valor antes mesmo de chegar às mãos dos trabalhadores, e o poder de compra evaporava em questão de horas. Após o fracasso de planos anteriores, como o Cruzado (1986) e o Verão (1989), a população depositava esperanças no jovem presidente Collor, eleito em 1989 com 35 anos e um discurso de modernização e combate aos “marajás” — servidores públicos com supersalários.

    Collor assumiu em 15 de março de 1990 e, menos de 24 horas depois, lançou o plano econômico que levaria seu nome. Sob o comando da ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, a estratégia prometia “matar a inflação com um único tiro”. O principal alvo era o excesso de liquidez na economia, que o governo atribuía à especulação financeira e à circulação desenfreada de dinheiro. A solução? Bloquear os recursos dos brasileiros nos bancos.

    O confisco: um choque nacional

    O Plano Collor foi detalhado em uma edição extra do Diário Oficial da União e anunciado em cadeia nacional na noite do dia 15. A partir das 0h do dia 16, todas as contas correntes, poupanças e aplicações financeiras acima de 50 mil cruzados novos foram congeladas por 18 meses. O governo liberou apenas esse valor — cerca de R$ 1.300 atuais — por pessoa, com o restante retido em contas do Banco Central, prometendo devolução com correção monetária após o período. A moeda também mudou: o cruzado novo deu lugar ao cruzeiro, com corte de três zeros (1.000 cruzados novos = 1 cruzeiro).

    O impacto foi imediato. Nas primeiras horas do dia 16, filas enormes se formaram em agências bancárias, com cidadãos tentando sacar o pouco que podiam antes que os sistemas travassem. Pequenos comerciantes, como donos de padarias e oficinas, viram o fluxo de caixa desaparecer, enquanto famílias que guardavam economias para emergências ou investimentos — como a compra de um carro ou uma casa — ficaram de mãos vazias. “Eu tinha 120 mil cruzados novos na poupança pra pagar a faculdade do meu filho. No dia 16, só consegui sacar 50 mil. O resto sumiu”, conta Maria Helena Santos, hoje com 72 anos, em entrevista recente ao O Globo.

    O confisco atingiu R$ 110 bilhões em ativos financeiros, equivalente a 30% do PIB da época (cerca de US$ 35 bilhões). Para se ter ideia, em valores atuais, corrigidos pelo IPCA, isso representaria mais de R$ 700 bilhões. O dinheiro bloqueado foi redirecionado para financiar políticas públicas, como infraestrutura e habitação, mas grande parte acabou servindo para cobrir déficits do governo, segundo analistas econômicos da época.

    A reação: desespero e adaptação

    A população reagiu com uma mistura de pânico, revolta e criatividade. Nos dias seguintes, os bancos limitaram os saques, e o comércio viu as vendas despencarem. Muitos brasileiros passaram a estocar bens duráveis — como eletrodomésticos, carros e até alimentos não perecíveis — para proteger o pouco que restava do confisco. “Comprei uma geladeira que eu nem precisava, só pra não deixar o dinheiro parado”, lembra José Silva, de Feira de Santana, hoje com 68 anos.

    Empresas de pequeno e médio porte foram duramente afetadas. Sem capital de giro, muitas fecharam as portas, enquanto outras recorreram ao mercado informal, trocando cheques pré-datados ou aceitando pagamento em mercadorias. O desemprego disparou, e a recessão econômica se aprofundou, com o PIB caindo 4,3% em 1990, uma das maiores contrações da história recente do país.

    O plano também incluiu outras medidas, como o congelamento de preços e salários, a extinção de órgãos públicos e a abertura comercial, com redução de tarifas de importação. No entanto, essas ações tiveram efeito limitado. A inflação caiu para 12% em abril de 1990, mas voltou a subir nos meses seguintes, fechando o ano em 1.585% acumulados, segundo o Ipea. O confisco, que deveria “secar” a economia, acabou gerando desconfiança generalizada nos bancos, com brasileiros guardando dinheiro em casa ou investindo em ouro e dólar no mercado paralelo.

    O fracasso e as sequelas

    O Plano Collor não entregou o prometido. A hiperinflação só seria controlada anos depois, com o Plano Real, em 1994, sob Fernando Henrique Cardoso. Em vez de estabilizar a economia, a medida de 1990 aprofundou a crise social e política. Collor enfrentou protestos massivos e denúncias de corrupção, culminando em seu impeachment em 1992, após a revelação de um esquema envolvendo seu tesoureiro de campanha, Paulo César Farias. Zélia Cardoso deixou o governo em maio de 1991, sob críticas de todos os lados.

    As sequelas foram duradouras. Milhares de cidadãos entraram na Justiça para reaver o dinheiro confiscado, em processos que se arrastaram por décadas. Em 2002, o STF declarou o confisco constitucional, mas reconheceu o direito à correção monetária plena, algo que o governo não conseguiu cumprir integralmente devido à desvalorização da moeda. Até hoje, ações residuais tramitam nos tribunais, com herdeiros buscando indenizações pelos prejuízos de seus pais e avós.

    Na memória popular, o Plano Collor virou sinônimo de traição e insegurança. “Até hoje, minha mãe diz pra não confiar em banco. Ela perdeu tudo em 1990”, conta Mariana Costa, de 42 anos, em Feira de Santana. Estudos sociológicos, como o livro O Trauma do Confisco (Editora Unesp, 2010), apontam que o episódio moldou uma geração desconfiada das instituições financeiras e do poder público, influenciando hábitos econômicos até os dias atuais.

    Lições para 2025

    Passados 35 anos, o Plano Collor segue como um alerta sobre os riscos de medidas econômicas autoritárias e mal planejadas. Em 2025, o Brasil debate ajustes fiscais, como o corte de R$ 7,7 bilhões no Bolsa Família e a proposta de usar o FGTS como garantia de empréstimos, decisões que reacendem o temor de intervenções que afetem diretamente o cidadão comum. A memória do dia em que os brasileiros acordaram sem dinheiro no banco é um lembrete vivo: políticas feitas às pressas, sem diálogo ou transparência, podem custar mais do que o governo imagina — e quem paga a conta, como sempre, é o povo.

  • Vereador e repórter Jorge Araujo rebate criticas de Rui Costa a Bruno Reis

    O vereador e repórter Jorge Araújo, de Salvador, usou suas redes sociais nesta sexta-feira (14) para rebater declarações do ministro da Casa Civil e ex-governador da Bahia, Rui Costa, que criticou o prefeito Bruno Reis após a morte de uma paciente em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) municipal. Em um vídeo, Araújo questionou o uso político do caso por Costa e trouxe à tona problemas na saúde estadual durante a gestão do petista, afirmando que o ministro tenta “vender uma Bahia que não existe”.

    Araújo começou reconhecendo a gravidade da morte na UPA, mas pediu responsabilidade na apuração. “A senhora faleceu, e isso é fato. Se houve negligência, que o prefeito chegue lá e faça o que tem que fazer”, disse. No entanto, ele acusou Costa de fazer “politicagem” ao comentar o episódio. “Ficar usando pra fazer politicagem é falta de respeito e consideração, como se a saúde do estado fosse a melhor”, disparou. O vereador listou problemas que, segundo ele, foram ignorados por Costa em seus 16 anos como governador e aliado de Jaques Wagner.

    Ele citou as mortes na Central de Regulação, o fechamento de emergências nos hospitais estaduais e a situação da saúde no interior, onde “mulheres têm que viajar até 700 quilômetros” por atendimento. “Mostre nos últimos dez anos qual foi a grande obra do governo do estado na saúde. Não tem, não existe”, afirmou. Araújo também questionou a ausência de menções a outras questões, como o pagamento de R$ 900 milhões à concessionária ViaBahia, que administra rodovias no estado, e que, segundo ele, teria resultado em um “calote”. “Isso vocês não falam, né?”, provocou, encerrando com um apelo por menos “conversa fiada” e mais foco na realidade da Bahia.

    A crítica de Rui Costa a Bruno Reis veio após a morte de uma mulher na UPA de São Caetano/Valéria, na quarta-feira (12), quando o ex-governador disse que o “descaso” não seria tolerado se fosse com um parente do prefeito. A troca de farpas entre os dois reacende a rivalidade política na Bahia às vésperas das eleições de 2026.

    ASSISTA O VÍDEO:

  • Homem é morto a tiros durante trabalho em residência em Maria Quitéria

    Um homem foi assassinado a tiros na tarde desta sexta-feira (14), enquanto trabalhava em uma residência no distrito de Maria Quitéria, em Feira de Santana. O crime ocorreu por volta das 15h30, próximo à Unidade Básica de Saúde do povoado de Pé de Serra, na Rua São Francisco. A vítima, identificada como Erivaldo Pereira Coelho Silva, de 22 anos, estava em serviço ao lado de um primo quando dois indivíduos em uma motocicleta, usando capacetes, chegaram ao local e abriram fogo.

    Segundo informações da Polícia Militar, Erivaldo foi atingido por diversos disparos e morreu na hora. O primo da vítima não foi ferido e relatou à polícia que os suspeitos fugiram em alta velocidade após o ataque. Equipes da 67ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM) foram acionadas e isolaram a área até a chegada do Departamento de Polícia Técnica (DPT), que realizou o levantamento cadavérico sob a coordenação do delegado Fabrício Linard.

    A Polícia Civil já iniciou as investigações para identificar os autores e a motivação do crime, mas até o momento não há pistas concretas. O corpo de Erivaldo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Feira de Santana para necropsia. Moradores do povoado relataram ter ouvido os tiros e expressaram choque com a violência em uma área geralmente tranquila.

  • Contas públicas registram superávit histórico de R$ 104 bilhões em janeiro

    As contas públicas do setor público consolidado — que incluem governo federal, estados, municípios e empresas estatais — fecharam janeiro de 2025 com um superávit primário recorde de R$ 104,1 bilhões, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira (14). O valor, o maior já registrado para o mês em termos nominais desde o início da série histórica em 2002, supera os R$ 101,8 bilhões de janeiro de 2022 e reflete um aumento real de 2,2% em relação ao superávit de R$ 99 bilhões de janeiro de 2024, ajustado pela inflação.

    O resultado foi impulsionado por uma receita líquida de R$ 257,8 bilhões, alta de 3,7% em termos reais frente aos R$ 237,9 bilhões do mesmo período do ano anterior, enquanto as despesas totais somaram R$ 172,9 bilhões, com incremento real de 4,4% sobre os R$ 158,4 bilhões de 2024. O governo federal contribuiu com um superávit de R$ 84,9 bilhões, conforme o Tesouro Nacional, enquanto estados e municípios adicionaram R$ 21,9 bilhões positivos. As estatais, por outro lado, registraram déficit de R$ 1 bilhão.

    A secretária adjunta do Tesouro Nacional, Viviane Varga, destacou que o desempenho reflete um esforço fiscal contínuo, embora o déficit primário acumulado em 12 meses até janeiro ainda seja de R$ 95,7 bilhões. O superávit de janeiro superou a mediana das expectativas do mercado, fixada em R$ 83,4 bilhões pela pesquisa Prisma Fiscal, e foi favorecido pela sazonalidade positiva do início do ano, com forte arrecadação de impostos como a Cofins e o Imposto de Renda.

    Com o resultado, a dívida bruta do setor público caiu de 76,1% do PIB em dezembro de 2024 para 75,3% em janeiro de 2025, equivalente a R$ 8,4 trilhões, enquanto a dívida líquida recuou de 61,2% para 60,8% do PIB, totalizando R$ 6,7 trilhões. Apesar do avanço, o déficit nominal em 12 meses segue em R$ 956,5 bilhões (8,05% do PIB), pressionado por juros de R$ 910 bilhões no período.

  • VIDEO: Momento exato da troca de tiros na Avenida Paralela em salvador entre bandidos e Policiais

    Uma troca de tiros entre policiais militares e suspeitos na Avenida Luís Viana Filho, conhecida como Avenida Paralela, em Salvador, marcou a manhã desta sexta-feira (14). O confronto, ocorrido por volta das 7h no sentido Centro, próximo ao acesso ao bairro Trobogy, resultou na morte de um suspeito e deixou uma mulher ferida. A ação policial começou após uma perseguição a um veículo Honda Fit branco, que, segundo a Polícia Militar, era conduzido por indivíduos suspeitos de praticar assaltos na capital baiana.

    De acordo com a PM, equipes do Batalhão Apolo realizavam rondas quando avistaram o carro em fuga, executando manobras perigosas. Ao tentar a abordagem, os ocupantes abriram fogo contra os agentes, que revidaram. Na troca de tiros, um dos suspeitos foi baleado e socorrido para o Hospital Geral Roberto Santos, mas não resistiu aos ferimentos. Dois outros ocupantes conseguiram escapar e seguem foragidos, com buscas em andamento na região.

    Uma passageira de um mototáxi, identificada como a dentista Larissa, foi atingida nas costas durante o tiroteio enquanto seguia para o trabalho. Ela foi socorrida pelos próprios policiais para uma unidade de saúde, passou por cirurgia e, segundo o comandante do Batalhão de Prevenção a Furtos e Roubos de Veículos, tenente-coronel Edmundo Assemany, está fora de perigo. A PM apreendeu três pistolas (calibres .40, .45 e 9mm) e munições no local, além de constatar que o veículo usava placa clonada.

    ASSISTA AO VÍDEO:

  • Primeiras atrações para Micareta de Feira 2025 é anunciada: Confira

    Primeiras atrações para Micareta de Feira 2025 é anunciada: Confira

    Feira de Santana já está em contagem regressiva para a Micareta 2025, que acontecerá de 1º a 4 de maio, trazendo o tema “Arte, Axé e Alegria” e uma homenagem especial aos 40 anos do axé, gênero musical que nasceu na Bahia e conquistou o Brasil. O lançamento oficial do evento, realizado nesta sexta-feira (14) no Paço Municipal Maria Quitéria, revelou as primeiras atrações confirmadas para o Circuito Maneca Ferreira, na Avenida Presidente Dutra, e outros pontos da festa. O prefeito José Ronaldo de Carvalho anunciou uma programação repleta de grandes nomes da música baiana e brasileira, prometendo quatro dias de folia intensa na maior micareta do país.

    Entre os destaques estão Bell Marques, que abre a festa no dia 1º às 15h, trazendo sua energia contagiante ao trio elétrico, e Mari Fernandez, fenômeno do piseiro que deve atrair um público jovem e animado. Durval Lelys, um dos pioneiros do axé, também está confirmado, assim como Luiz Caldas, conhecido como o “pai do axé”, que celebra os 40 anos do ritmo com um repertório nostálgico. A Timbalada promete sacudir o circuito com sua percussão marcante, enquanto Maryzélia, uma das vozes tradicionais da Micareta, mantém viva a essência da festa.

    A lista segue com É O Tchan, que traz o pagode baiano e coreografias que marcaram época, e Léo Santana, o “Gigante”, apostando em hits dançantes. Xanddy Harmonia e Psirico, liderados por Tony Salles, reforçam o axé contemporâneo, enquanto Tayrone adiciona um toque de arrocha à mistura. Armandinho, dos Filhos de Jorge, e Robyssão prometem levar o suingue baiano ao público, ao lado de Márcia Porto, Djalma Ferreira e Paulo Bindá, nomes conhecidos da cena local.

    A diversidade musical também é destaque com Toque 10, Tony Salles ( além de sua participação com o Psirico), Asas Livres e Silfarley, que representam blocos tradicionais. Olodum, com sua batida afro que ecoa mundo afora, e O Kanalha, sob o comando de Netto Brito, garantem a força do samba-reggae e do pagode. Escandurras, La Fúria e Oh Polêmico trazem irreverência e energia, enquanto a Micaruda de Feira 2025, evento paralelo que aquece os foliões antes da festa principal, deve contar com alguns desses artistas em apresentações especiais.

    A escolha do tema “Arte, Axé e Alegria” reflete a proposta da prefeitura de unir cultura, música e celebração, valorizando as raízes do axé e a história da Micareta, que começou em 1937 como uma alternativa ao Carnaval. José Ronaldo, ao lado de secretários como Joilton Freitas (Comunicação) e Cristiano Lobo (Cultura, Esporte e Lazer), enfatizou o esforço para manter a festa como um marco turístico e econômico para Feira de Santana, mesmo diante de desafios financeiros. “É uma festa bancada pelo município, mas estamos organizando tudo para que seja inesquecível”, declarou o prefeito.

    Mais atrações devem ser anunciadas nas próximas semanas, mas o clima já é de expectativa entre os foliões. A Micareta 2025 promete ser um encontro de gerações, misturando ícones do passado com novos talentos, e reafirmando Feira de Santana como a capital do carnaval fora de época no Brasil.