A presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), subseção de Feira de Santana, Lorena Peixoto, afirmou nesta segunda-feira (11/03/2024), na Tribuna Livre da Câmara Municipal, que o município tem avançado na garantia de espaço para mulheres em cargos de liderança. A declaração foi feita durante um pronunciamento alusivo ao Dia Internacional da Mulher.
Presença feminina em cargos de destaque
Lorena Peixoto é a primeira mulher eleita para presidir a OAB em Feira de Santana em 52 anos de história da entidade. Em sua fala, destacou que a cidade tem superado paradigmas e promovido transformações estruturais na ocupação de espaços de liderança feminina.
Entre os exemplos mencionados, citou Socorro Pitombo, reconhecida como primeira jornalista feirense, e a vereadora Eremita Mota, primeira mulher a presidir a Câmara Municipal. Segundo Peixoto, essas lideranças evidenciam um movimento de mudança no cenário político e institucional local.
A presidente da OAB enfatizou que a ocupação feminina em cargos estratégicos representa um avanço e desafia padrões historicamente estabelecidos. Segundo ela, Feira de Santana está inserida em um processo civilizatório que busca equidade de direitos e oportunidades para as mulheres.
Desigualdade de gênero no Brasil
Apesar dos avanços registrados no município, dados nacionais indicam que a desigualdade de gênero ainda é um desafio. Peixoto citou um estudo divulgado pela CNN Brasil, que aponta que 85% das cidades brasileiras apresentam baixos índices de igualdade de gênero.
Os critérios analisados no levantamento incluíram índices de feminicídio, representatividade política e a condição de mulheres que não estudam nem trabalham. Segundo o estudo, Brasília obteve o melhor resultado, mas ainda assim alcançou apenas 40% de igualdade de gênero, sem que nenhuma capital atingisse 50% ou mais.
Políticas públicas e efetividade das leis
Lorena Peixoto ressaltou a necessidade de políticas públicas eficazes para ampliar os direitos das mulheres. Entre os desafios mencionados, destacou a diferença salarial entre homens e mulheres e a persistência da violência de gênero, apesar da existência de leis que asseguram a isonomia salarial e proteção contra agressões.
A presidente da OAB sugeriu que o Legislativo municipal priorize a formulação e implementação de políticas efetivas, afirmando que não basta a existência de leis, mas a garantia de sua aplicação prática.
A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas de 25% sobre as importações de aço e alumínio, em vigor a partir desta quarta-feira, 12 de março de 2025, desencadeou uma resposta imediata e contundente de parceiros comerciais ao redor do mundo. Canadá e União Europeia (UE) lideram as retaliações, enquanto países como China, Reino Unido, Austrália e Brasil avaliam suas estratégias em meio ao risco de uma nova guerra comercial global. A medida, que visa proteger a indústria siderúrgica americana, pode ter consequências de longo alcance para a economia mundial, reacendendo debates sobre protecionismo e integração econômica.
Canadá
O Canadá, maior fornecedor de aço para os EUA, com exportações que alcançaram 6 milhões de toneladas em 2024, reagiu de forma incisiva. O governo do primeiro-ministro Justin Trudeau anunciou tarifas retaliatórias no valor de 29,8 bilhões de dólares canadenses (cerca de 22 bilhões de dólares americanos) sobre uma ampla gama de produtos dos EUA, incluindo bens agrícolas, industriais e de consumo. “Não temos escolha senão responder à altura para proteger nossos trabalhadores e nossas indústrias”, declarou o ministro das Finanças, Dominic LeBlanc, em coletiva de imprensa.
A tensão entre os dois países escalou brevemente quando Trump ameaçou dobrar as tarifas sobre o aço e alumínio canadenses para 50%, citando uma sobretaxa de 25% imposta pela província de Ontário sobre exportações de eletricidade para os EUA. Após negociações de última hora, ambas as partes recuaram dessas medidas adicionais, mas o Canadá deixou claro que manterá sua postura firme enquanto as tarifas americanas persistirem. Economistas alertam que o impacto pode ser severo para as economias interligadas dos dois países, que compartilham uma das maiores relações comerciais bilaterais do mundo.
Europa
Na Europa, a reação foi igualmente contundente. A União Europeia anunciou tarifas retaliatórias de 28 bilhões de dólares sobre produtos norte-americanos, incluindo jeans, uísque bourbon e motocicletas – setores estrategicamente escolhidos por seu peso político em estados-chave dos EUA. O chanceler alemão, Olaf Scholz, criticou a política americana, afirmando que “o protecionismo não é a solução para os desafios econômicos globais. Precisamos de menos barreiras comerciais, não mais”.
A Comissão Europeia, por meio de sua porta-voz, declarou que “não há justificativa econômica ou legal” para as tarifas de Trump e prometeu proteger os interesses de trabalhadores, empresas e consumidores europeus. Países como Alemanha e Holanda, grandes exportadores de aço, serão particularmente afetados, com estimativas apontando para uma queda de até 15% nas exportações de aço para os EUA. A UE também sinalizou que pode recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) caso as tensões comerciais se intensifiquem.
China
A China, frequentemente alvo das políticas comerciais de Trump, respondeu com firmeza. O Ministério das Relações Exteriores em Pequim afirmou que o país tomará “todas as medidas necessárias” para proteger seus interesses, acusando os EUA de práticas desleais, como dumping de aço no mercado global. Em retaliação, a China impôs tarifas adicionais de 10% a 15% sobre produtos agrícolas americanos, como trigo, milho e soja, e suspendeu licenças de importação de madeira serrada. Além disso, empresas norte-americanas foram adicionadas a listas de controle de exportação, dificultando suas operações no mercado chinês.
Analistas acreditam que a China pode usar sua posição como maior detentora de títulos da dívida pública americana para pressionar os EUA, embora tal medida seja considerada improvável no curto prazo devido ao risco de desestabilização econômica global.
Reino Unido
O Reino Unido, agora fora da UE, adotou uma abordagem mais cautelosa. O primeiro-ministro Keir Starmer expressou “profunda decepção” com as tarifas de Trump, mas evitou anunciar retaliações imediatas. “Adotaremos uma abordagem pragmática para proteger nossa indústria siderúrgica e nossos trabalhadores, mantendo todas as opções na mesa”, disse Starmer. A indústria siderúrgica britânica, embora pequena, é estratégica, produzindo materiais especializados para setores como defesa. Há especulações de que o Reino Unido possa buscar um acordo comercial bilateral com os EUA para evitar as tarifas, mas até o momento não há sinais concretos de progresso.
Austrália
Na Austrália, o primeiro-ministro Anthony Albanese classificou as tarifas americanas como “injustificadas”, mas optou por não impor medidas retaliatórias, preferindo uma solução diplomática. Trump já havia sugerido que a Austrália poderia ser isenta das tarifas, citando o superávit comercial dos EUA com o país, mas nenhuma decisão oficial foi tomada. A ausência de retaliações reflete a posição cautelosa do governo australiano, que busca manter uma relação estável com os EUA em meio a tensões geopolíticas no Indo-Pacífico.
Brasil
O Brasil, segundo maior fornecedor de aço para os EUA, com exportações de 4,1 milhões de toneladas em 2024, ainda não anunciou uma resposta oficial. A medida de Trump afeta diretamente o setor siderúrgico brasileiro, que depende fortemente do mercado americano – as exportações para os EUA são 12 vezes maiores do que para a Europa e 6 vezes maiores do que para a América Latina. Especialistas alertam .
Feira de Santana já vive a expectativa para a Micareta 2025, e o pontapé inicial será dado nesta sexta-feira (14), com o lançamento oficial do evento. A cerimônia está marcada para as 10h30, no Paço Municipal Maria Quitéria, sede da prefeitura, e contará com a presença do prefeito José Ronaldo de Carvalho e de sua equipe de governo. O anúncio foi confirmado pela Secretaria Municipal de Comunicação Social, que destacou a importância da festa para a cidade e a região.
Durante o evento, serão revelados detalhes cruciais sobre a Micareta, que está programada para acontecer entre os dias 1º e 4 de maio. A expectativa é que o prefeito e os secretários municipais apresentem as primeiras atrações confirmadas, além de informações sobre a estrutura, segurança e serviços que estarão disponíveis nos quatro dias de folia. Considerada o maior carnaval fora de época do Brasil, a Micareta de Feira de Santana promete movimentar a Avenida Presidente Dutra, no circuito Maneca Ferreira, com blocos, trios elétricos e uma programação repleta de animação.
A solenidade também terá a participação de secretários como Cristiano Lobo, de Cultura, Esporte e Lazer, e Joilton Freitas, de Comunicação Social, além do diretor de eventos Naron Vasconcelos. Eles estarão disponíveis para entrevistas, oferecendo mais detalhes sobre o planejamento e as novidades que os foliões podem esperar. A data de maio, definida após reuniões com representantes da sociedade em novembro de 2024, reflete o esforço da gestão para revitalizar o evento e atrair ainda mais turistas.
O lançamento será uma oportunidade para jornalistas e a população conhecerem os preparativos da festa, que tem raízes históricas desde 1937, quando foi criada por um grupo de jovens liderado por Maneca Ferreira. Com a proximidade do evento, a prefeitura intensifica os trabalhos de organização, que incluem reuniões com o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar para garantir a segurança dos foliões.
Na manhã desta terça-feira (11), o presidente da Câmara e vereador Marcos Lima fez uma denúncia após ter sido vítima de um episódio constrangedor na última quinta-feira (7), durante uma visita à escola Diva Portela. Segundo o vereador, ele foi ameaçado pelo professor Josean de Jesus.
Ainda de acordo com Marcos Lima, após o ocorrido, recebeu denúncias de que Josean se autointitula dono do espaço, além de ter instalado um trailer para vender produtos dentro da escola. O vereador também afirmou que o professor já teria agredido uma professora por ser contrária às suas ações.
Diante da situação, Marcos Lima solicitou que o vice-prefeito e secretário de Educação, Pablo Roberto, tome providências sobre o caso. Os vereadores da Câmara manifestaram apoio ao presidente e reforçaram o pedido de respeito aos parlamentares. O vereador Galeguinho SPA (UB) chegou a solicitar uma moção de repúdio pelo ocorrido.
A plataforma X, anteriormente conhecida como Twitter, enfrentou uma pane global nesta segunda-feira (10/03), deixando usuários em todo o mundo sem acesso ao serviço. A interrupção começou por volta das 6h45 (horário de Brasília) e afetou tanto o site quanto o aplicativo, impedindo que os usuários carregassem, visualizassem ou interagissem com postagens. A falha foi relatada em diversos países, incluindo Estados Unidos, Reino Unido, Índia, Austrália e Canadá, evidenciando a abrangência do problema .
Elon Musk, proprietário da plataforma, se pronunciou sobre o ocorrido, atribuindo a instabilidade a um “ataque cibernético massivo”. Em sua conta no X, ele afirmou: “Somos atacados todos os dias, mas isso foi feito com muitos recursos. Ou um grupo grande e coordenado e/ou um país está envolvido. Rastreando…” .
Apesar da normalização temporária do serviço por volta das 10h45, a plataforma voltou a apresentar instabilidades, atingindo o topo do Google Trends devido ao volume de reclamações. Usuários migraram para redes concorrentes, como Bluesky e Threads, para relatar o problema e buscar atualizações .
Esta não é a primeira vez que o X enfrenta problemas técnicos desde que Musk assumiu o controle da plataforma em outubro de 2022. Após a aquisição, a rede social passou por mudanças significativas, incluindo cortes drásticos na equipe técnica, o que levantou preocupações sobre a resiliência da infraestrutura da plataforma .
Ainda não há informações detalhadas sobre as causas técnicas da pane ou medidas preventivas para evitar futuras interrupções. Enquanto isso, a dependência global do X para comunicação e notícias em tempo real ficou evidente, destacando a importância da plataforma no cenário digital atual
A peça é uma criação coletiva do grupo experimental do CUCA – Centro Universitário de Cultura e Arte – que conta a história de uma mulher movida pela vingança após ser deserdada do testamento do pai. Uma comédia costurada por músicas de Zéu Britto com o espírito lúdico e hilário presentes na obra do artista.
Em um elenco com quase 20 atores, a história de Soraia é narrada por um Maskate e um ex-padre e a narrativa é cheia de surpresas e elementos absurdos.
O texto é de Geovane Mascarenhas que também assina a direção do espetáculo.
O Feira tem teatro comemora 8 anos promovendo espetáculos, artistas, grupos e produções locais.
*SERVIÇO* Espetáculo: Soraia Onde: Teatro do Cuca Quando: Dias 28 e 29 de março, às 20h Ingressos: R$40,00 (inteira) e R$20,00 (meia) Para estudantes, professores, PCDs, idosos.
Comprando o ingresso antecipadamente através do Sympla, o ingresso será meia promocional: R$ 20,00
Longe das jornadas rígidas de seis dias por semana e dos salários muitas vezes engessados do emprego formal, o trabalho informal ultrapassou a marca de 50% da força de trabalho em sete estados brasileiros, mesmo com o país registrando um pico histórico de empregos com carteira assinada em 2024. Dados recentes do IBGE mostram que essa escolha — ou necessidade — reflete a busca por maior flexibilidade e renda, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde a realidade econômica e social molda um mercado de trabalho bem diferente do visto no Sul e Sudeste.
Os sete estados onde os informais superam os formais são Maranhão, Pará, Piauí, Amazonas, Ceará, Bahia e Paraíba. No Maranhão, a informalidade atingiu 58,3% no último trimestre de 2024, enquanto no Pará chegou a 56,1%. Nessas regiões, trabalhadores sem carteira assinada, autônomos ou em ocupações sem registro formal dominam, impulsionados por uma mistura de fatores: a chance de ganhar mais, a liberdade de fazer o próprio horário e, muitas vezes, a falta de opções no mercado formal.
Histórias locais ilustram essa tendência. Em Teresina, um motorista de aplicativo contou ao jornal O Dia que deixou um emprego fixo porque “no informal, o dinheiro é meu no fim do dia, sem esperar o mês virar”. Já em Belém, uma feirante destacou a autonomia: “Não preciso bater ponto, e o lucro depende só de mim”. Esses relatos mostram como a informalidade virou um caminho para escapar da rotina exaustiva de escalas como 6×1 e de salários que, para muitos, não acompanham o custo de vida.
Os números reforçam essa percepção. Em 2024, a diferença de renda entre trabalhadores formais e informais caiu para 31%, a menor em anos, com o salário médio dos formais em R$ 2.947 e o dos informais em R$ 2.033, segundo o IBGE. A proximidade se explica pelo boom de serviços como entregas por aplicativo e pequenos comércios, que cresceram com a digitalização e a retomada econômica pós-pandemia. Ainda assim, o Brasil gerou 2,2 milhões de vagas formais entre janeiro de 2023 e março de 2024, de acordo com o Ministério do Trabalho, o que não foi suficiente para mudar o cenário nesses estados.
Especialistas apontam que baixa escolaridade, custo alto para formalizar negócios e a dependência de economias menos industrializadas mantêm a informalidade em alta. Enquanto isso, o governo aposta em programas como o Desenrola Brasil e incentivos a microempreendedores para trazer mais gente para o lado formal, mas, por ora, a liberdade e o potencial de ganho imediato seguem falando mais alto nesses sete estados.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, falou com naturalidade nesta sexta-feira (7) sobre a decisão do governo de zerar o Imposto de Importação de nove alimentos que fazem parte do dia a dia dos brasileiros. Em entrevista ao podcast Flow, em São Paulo, ele revelou que a medida, anunciada na quinta-feira (6) pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, tem um alvo claro: evitar que os produtores nacionais aproveitem para aumentar ainda mais os preços. Para Haddad, não se trata de uma promessa de preços mais baixos da noite pro dia, mas de um jeito de equilibrar o jogo no mercado.
Entre os alimentos que terão a tarifa reduzida a zero estão azeite de oliva, café, milho, carnes, açúcar, óleo de girassol, sardinha, biscoitos e massas — itens que antes pagavam impostos entre 7,2% e 32%. “A gente quer dizer aos produtores que não dá pra ficar subindo preço sem critério. Com mais oferta de fora, eles vão ter que segurar essa onda”, afirmou o ministro, deixando claro que a ideia é pressionar pela estabilidade nos valores.
Haddad foi direto ao ponto: sozinho, esse corte não resolve tudo. “É um passo, mas depende de outras coisas, como o dólar se acalmar e a próxima safra vir forte”, disse ele, mostrando que a inflação dos alimentos — que subiu 8,23% em casa em 2024, segundo o IBGE — exige mais do que uma canetada. Ele aproveitou para cutucar o governo de Donald Trump, apoiado por Jair Bolsonaro: “Lá fora, tem quem queira taxar tudo. Aqui, a gente tá cortando imposto pra ajudar quem tá apertado”.
A medida saiu do forno depois de reuniões no Planalto com ministros e representantes do agronegócio. Além de zerar as tarifas, o governo ampliou a importação de óleo de palma, passando a cota de 65 mil para 150 mil toneladas, e quer encher os estoques da Conab, embora não tenha dito quanto vai investir nisso. Tudo isso porque itens como carne (alta de 21,17%) e leite (16,19%) estão pesando no bolso de quem vai ao mercado.
Agora, o plano depende do aval da Câmara de Comércio Exterior (Camex) para começar a valer. Haddad pediu um voto de confiança: “Não é instantâneo, mas vai ajudar a segurar os preços com o tempo”. Enquanto isso, o brasileiro segue acompanhando de perto pra ver se o alívio chega na hora de encher o carrinho.
Em apenas 24 segundos, o Tribunal de Justiça da Paraíba (TJ-PB) aprovou, no último dia 26 de fevereiro, um pagamento retroativo de R$ 234 milhões para juízes e desembargadores, sob o pretexto de “compensação por assunção de acervo processual”. São 281 magistrados beneficiados, alguns embolsando até R$ 956 mil cada — um valor que, para a imensa maioria dos brasileiros, representa uma fortuna inalcançável, fruto de décadas de trabalho árduo ou, mais provavelmente, de uma loteria que nunca chega. Enquanto isso, o trabalhador comum, aquele que sustenta o país com suor e pouco mais de R$ 1.500 por mês para alimentar uma família inteira, assiste a mais um capítulo da novela em que a elite do funcionalismo público garante que seu pirão venha primeiro.
Não é novidade que o Judiciário brasileiro, em suas altas esferas, opera como um clube exclusivo, onde os interesses dos seus membros parecem sempre prevalecer sobre as necessidades de uma nação marcada por abismos sociais. Esse episódio na Paraíba é apenas mais uma demonstração escancarada de que, para muitos dos que vestem a toga, a luta contra a desigualdade social não passa de um discurso bonito, algo para ser recitado em campanhas publicitárias ou em eventos pomposos de autopromoção. Fora das câmeras e dos holofotes, a realidade é outra: a barriga dos magistrados precisa estar cheia antes que se pense nos milhões de brasileiros que sobrevivem com migalhas.
Vamos aos números, porque eles gritam o que as palavras às vezes suavizam. Um juiz em início de carreira na Paraíba tem um salário base de R$ 35.877,28, sem contar os benefícios — os famosos “penduricalhos” — que frequentemente elevam os rendimentos líquidos para mais de R$ 50 mil por mês. Compare isso com o trabalhador que ganha o salário mínimo ou pouco acima disso, cerca de R$ 1.500, e tenta sustentar uma casa com filhos, pagar aluguel, comida e transporte. São realidades que não se encontram nem em sonho. Enquanto o TJ-PB justifica os R$ 234 milhões como um “direito” por sobrecarga de trabalho entre 2015 e 2022, o cidadão comum acumula dívidas, filas no SUS e uma sobrecarga de vida que ninguém indeniza.
E o que dizer da velocidade da decisão? Vinte e quatro segundos. Em menos de meio minuto, o tribunal aprovou unanimemente um montante que equivale a mais de 25% de seu orçamento anual, previsto em R$ 914 milhões para 2025. É uma agilidade que nunca se vê quando o assunto é garantir direitos básicos à população mais pobre, como acesso à justiça gratuita ou redução das custas processuais que afastam os vulneráveis do Judiciário. Harrison Targino, presidente da OAB na Paraíba, foi preciso ao apontar a contradição: o tribunal alega dificuldades financeiras para justificar altas custas e negativas de gratuidade, mas, de tempos em tempos, surpreende com pacotes de benefícios milionários para os seus. É o “pirão primeiro” em sua forma mais crua.
Esse caso não é um ponto fora da curva. Ele reflete um padrão no Judiciário brasileiro, onde os privilégios da elite do funcionalismo público são mantidos a ferro e fogo, enquanto a desigualdade social — que atinge 50 milhões de brasileiros na pobreza, segundo o IBGE — é tratada como um problema secundário. Os R$ 234 milhões da Paraíba poderiam triplicar o orçamento da Educação Infantil no estado ou dobrar os investimentos em saneamento básico, áreas que diretamente impactam a vida dos mais pobres. Mas não. O dinheiro público, aquele que sai do bolso do contribuinte que mal tem o que comer, vai para engordar as contas de quem já vive no topo da pirâmide.
(Cristiano Mariz/VEJA)
A justificativa oficial, amparada na Recomendação 75/2020 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e em leis federais de 2015, soa como uma tentativa de dar verniz legal a uma farra indefensável. Fala-se em “correção de omissões históricas” e “direitos atrasados”, mas onde está a correção das omissões históricas com os milhões de brasileiros que nunca tiveram acesso a direitos básicos como saúde, moradia e educação? Onde está o retroativo para as famílias que, há gerações, lutam para sobreviver em um país que insiste em priorizar os seus castelos em vez das suas favelas?
Como alguém que milita há anos contra essa lógica perversa, vejo nesse episódio mais uma prova de que o Judiciário, em muitos momentos, está desconectado da realidade do povo. Não é só sobre os R$ 234 milhões da Paraíba; é sobre um sistema que, em 2023, custou R$ 132,8 bilhões aos cofres públicos — 1,2% do PIB —, enquanto a arrecadação via Justiça mal cobre metade disso. É sobre um Judiciário que paga supersalários e retroativos milionários enquanto o Brasil amarga um índice de Gini que nos coloca entre os países mais desiguais do mundo. Para eles, a desigualdade é um tema de palestra; para nós, é a vida real.
Chega de aceitar que a elite do funcionalismo público surfe em privilégios enquanto os mais pobres afundam. É hora de exigir que o Judiciário pare de se comportar como uma casta intocável e comece a olhar para o Brasil que existe além dos seus palácios. Porque, enquanto os magistrados brindam seus retroativos, o pirão dos pobres continua sendo só o resto que sobra na panela — quando sobra.
A Superintendência Municipal de Trânsito (SMT) de Feira de Santana anunciou, em 13 de fevereiro de 2025, um projeto para a instalação de semáforos inteligentes na cidade, inspirados em tecnologias utilizadas em Nova York. A iniciativa, revelada pelo superintendente Ricardo da Cunha em entrevista ao portal Acorda Cidade, promete modernizar o sistema de tráfego urbano com o uso de sensores e câmeras para gerenciar o fluxo de veículos de forma autônoma. A previsão é que os primeiros equipamentos sejam instalados ainda neste ano, com ajustes graduais para atender às principais vias da segunda maior cidade da Bahia.
O sistema funcionará com sensores e câmeras que contarão o número de veículos em tempo real, ajustando automaticamente os tempos de abertura e fechamento dos sinais sem necessidade de intervenção humana. “Nós temos um tráfego maior em alguns períodos do dia, e a abertura dos semáforos nesses horários será diferente, decidida por um sistema capacitado para isso”, explicou Cunha. A tecnologia é semelhante à adotada em grandes metrópoles como Nova York, onde semáforos inteligentes utilizam dados em tempo real para reduzir congestionamentos e melhorar a fluidez do trânsito.
A implementação ocorre após a conclusão de um projeto inicial de sincronização de semáforos em trechos estratégicos, como as ruas Dr. Olímpio Vital, Comandante Almiro e a Avenida Maria Quitéria, finalizado em 7 de fevereiro. Segundo o superintendente, a sincronização foi um passo preparatório, mas o novo sistema levará a gestão do tráfego a um nível mais avançado. “A sincronização já trouxe melhorias, mas os semáforos inteligentes vão trabalhar de forma 100% autônoma, adaptando-se ao fluxo real das vias”, destacou.
A SMT ainda não divulgou o número exato de cruzamentos que receberão os equipamentos na primeira fase, mas a prioridade será dada às áreas com maior movimento, como as avenidas Getúlio Vargas e João Durval Carneiro. A instalação dependerá de um estudo técnico de viabilidade, que está em fase de contratação por meio de licitação. O custo do projeto e o cronograma detalhado devem ser anunciados após essa análise.
Ricardo da Cunha, que assumiu o cargo há menos de dois meses, afirmou que a modernização é parte de um compromisso firmado com o prefeito José Ronaldo de Carvalho para transformar o trânsito de Feira de Santana. “Foram menos de 30 dias e já conseguimos mudar muita coisa. Até o fim do ano, queremos que a cidade respire um trânsito diferente”, declarou. Ele pediu paciência à população durante o período de transição, destacando que os benefícios serão perceptíveis a médio prazo.
A tecnologia dos semáforos inteligentes também é vista como uma resposta a problemas recorrentes, como os frequentes furtos de fiação em sinais tradicionais. Em Nova York, sistemas similares utilizam cabos de alumínio e monitoramento remoto para reduzir a vulnerabilidade a vandalismos, um modelo que pode ser adaptado em Feira de Santana, embora isso ainda não tenha sido confirmado pela SMT.