Contas públicas registram superávit histórico de R$ 104 bilhões em janeiro
As contas públicas do setor público consolidado — que incluem governo federal, estados, municípios e empresas estatais — fecharam janeiro de 2025 com um superávit primário recorde de R$ 104,1 bilhões, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira (14). O valor, o maior já registrado para o mês em termos nominais desde o início da série histórica em 2002, supera os R$ 101,8 bilhões de janeiro de 2022 e reflete um aumento real de 2,2% em relação ao superávit de R$ 99 bilhões de janeiro de 2024, ajustado pela inflação. O resultado foi impulsionado por uma receita líquida de R$ 257,8 bilhões, alta de 3,7% em termos reais frente aos R$ 237,9 bilhões do mesmo período do ano anterior, enquanto as despesas totais somaram R$ 172,9 bilhões, com incremento real de 4,4% sobre os R$ 158,4 bilhões de 2024. O governo federal contribuiu com um superávit de R$ 84,9 bilhões, conforme o Tesouro Nacional, enquanto estados e municípios adicionaram R$ 21,9 bilhões positivos. As estatais, por outro lado, registraram déficit de R$ 1 bilhão. A secretária adjunta do Tesouro Nacional, Viviane Varga, destacou que o desempenho reflete um esforço fiscal contínuo, embora o déficit primário acumulado em 12 meses até janeiro ainda seja de R$ 95,7 bilhões. O superávit de janeiro superou a mediana das expectativas do mercado, fixada em R$ 83,4 bilhões pela pesquisa Prisma Fiscal, e foi favorecido pela sazonalidade positiva do início do ano, com forte arrecadação de impostos como a Cofins e o Imposto de Renda. Com o resultado, a dívida bruta do setor público caiu de 76,1% do PIB em dezembro de 2024 para 75,3% em janeiro de 2025, equivalente a R$ 8,4 trilhões, enquanto a dívida líquida recuou de 61,2% para 60,8% do PIB, totalizando R$ 6,7 trilhões. Apesar do avanço, o déficit nominal em 12 meses segue em R$ 956,5 bilhões (8,05% do PIB), pressionado por juros de R$ 910 bilhões no período.
Opinião: FGTS não pode ser sacado pelo trabalhador, mas vira lucro para os Bancos brasileiros
O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), criado em 1966 como um mecanismo de proteção ao trabalhador brasileiro, transformou-se, ao longo das décadas, em um símbolo de controle estatal e, agora, em mais uma ferramenta para engordar os lucros dos bancos. Um novo projeto do governo federal, sob a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, propõe utilizar o FGTS como garantia para empréstimos consignados a trabalhadores regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A ironia é gritante: o dinheiro que pertence ao trabalhador, mas que ele não pode sacar livremente, será colocado à disposição do sistema financeiro para gerar juros e lucros — tudo isso enquanto o próprio dono do recurso paga para usá-lo. Essa medida, longe de beneficiar o cidadão, escancara uma distorção perversa do sistema econômico brasileiro. O FGTS, como aponta o economista austriaco Ludwig von Mises em suas reflexões sobre intervenção estatal, é um exemplo clássico de como o governo se apropria da propriedade privada sob o pretexto de “proteger” o indivíduo. O fundo, que desconta 8% do salário do trabalhador CLT todos os meses, é gerido pela Caixa Econômica Federal e rende míseros 3% ao ano mais a Taxa Referencial (TR), um retorno que não acompanha sequer a inflação — em 2024, o IPCA acumulado já ultrapassava 4,5%. Enquanto isso, o governo utiliza esses recursos para financiar projetos de infraestrutura e habitação, frequentemente beneficiando grandes empreiteiras e bancos. O trabalhador, por sua vez, só pode acessar o dinheiro em situações específicas, como demissão sem justa causa ou compra de imóvel, ficando refém de uma burocracia que o impede de exercer controle sobre o que é seu por direito. Agora, com o novo projeto de empréstimos consignados, o governo dá um passo além: transforma o FGTS em garantia para que bancos ofereçam crédito ao trabalhador. Em vez de liberar o saque integral ou flexibilizar seu uso, como seria justo, o plano prevê que o cidadão contrate um empréstimo com base no saldo que já possui, pagando juros ao banco para acessar algo que já lhe pertence. Isso é mais do que um contrassenso — é uma inversão de valores. Como já alertava o Instituto Mises Brasil em artigos sobre o tema, o sistema bancário, amparado pelo intervencionismo estatal, lucra com a criação de dinheiro “do nada” por meio de empréstimos e juros, enquanto o trabalhador é duplamente penalizado: primeiro, ao ter seu dinheiro confiscado; depois, ao pagar para recuperá-lo. A CLT, frequentemente vendida como um escudo de direitos, revela-se aqui como uma corrente. Suas regras rígidas, que proíbem o acesso direto ao FGTS, contrastam com a flexibilidade oferecida aos bancos, que agora terão um novo filão de lucro garantido pelo governo. Em um artigo do Mises Institute sobre juros e crédito, intitulado “The Fed Has No Choice But to Return to Ultra-Low Interest Rates” (2019), o autor destaca como os bancos prosperam em um ambiente onde o crédito é artificialmente expandido e os juros são manipulados. No Brasil, o cenário não é diferente: os lucros bilionários do Itaú, Bradesco e Santander — que juntos lucraram mais de R$ 80 bilhões em 2023 — são alimentados por spreads altíssimos e pela dependência do trabalhador a um sistema que o mantém preso. O que o governo chama de “facilidade” para o trabalhador é, na verdade, um presente para o sistema financeiro. Imagine a cena: um cidadão com R$ 10 mil no FGTS, que não pode sacar para uma emergência ou investir como quiser, agora toma um empréstimo de R$ 8 mil com esse saldo como garantia. Ele paga juros ao banco — que podem chegar a 2% ou 3% ao mês em consignados — e, no fim, devolve mais do que pegou, enquanto o banco embolsa o lucro sem risco, já que o FGTS cobre qualquer inadimplência. O trabalhador sai perdendo, o governo posa de benfeitor, e os banqueiros comemoram. Essa medida também expõe a hipocrisia de um discurso que se diz “progressista”. Se o objetivo fosse realmente ajudar o trabalhador, por que não liberar o FGTS para uso livre, permitindo que cada um decida como aplicar seu próprio dinheiro? A resposta está na lógica estatal: o controle sobre o fundo é uma fonte de poder e influência, além de um mecanismo para sustentar interesses corporativos. Como já escreveu Robert Murphy no Mises.org, em “What Does ‘Debt-Based’ Money Imply for Interest Payments?” (2010), o sistema de crédito estatal transfere riqueza do público para os bancos, criando uma dependência estrutural que beneficia quem está no topo da pirâmide. É hora de questionar: até quando o trabalhador brasileiro será tratado como um peão nesse jogo? O FGTS deveria ser um direito, não uma moeda de troca para lucros alheios. A solução não está em mais intervenções ou “soluções criativas” como essa, mas em devolver ao cidadão o que é seu. Que tal, em vez de empréstimos com juros, permitir o saque integral do FGTS? Que tal confiar na liberdade individual em vez de alimentar o conluio entre governo e bancos? Enquanto isso não acontece, o novo projeto de Lula só prova uma coisa: o dinheiro do trabalhador continua sendo mais útil para os outros do que para ele mesmo.
Governo Lula propõe redução de R$ 7,7 bilhões no Bolsa Família em 2025
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Congresso Nacional, na quarta-feira (12), um ofício propondo um corte de R$ 7,7 bilhões no orçamento do Bolsa Família para 2025. A medida, assinada pelo Ministério do Planejamento e Orçamento, faz parte de uma reestimativa de despesas encaminhada à Comissão Mista de Orçamento (CMO) e foi detalhada em documentos obtidos por veículos de imprensa. A proposta ajusta o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), que deve ser votado na próxima semana. A redução no programa social, que atualmente atende cerca de 20,5 milhões de famílias com um custo anual estimado em R$ 167,2 bilhões, é acompanhada por outras alterações no orçamento. O governo prevê um incremento de R$ 3 bilhões no Auxílio Gás, elevando o total do programa para R$ 3,6 bilhões, e um aumento de R$ 8 bilhões em despesas previdenciárias. No entanto, o documento não especificou a inclusão de recursos para o programa Pé-de-Meia, que incentiva a permanência de estudantes no ensino médio e tem custo estimado em R$ 10 bilhões, apesar de uma determinação do Tribunal de Contas da União (TCU) para sua adequação orçamentária. O corte no Bolsa Família foi justificado como parte de um esforço para “sanear” o programa e expurgar cadastros irregulares, conforme declarou o senador Angelo Coronel (PSD-BA), relator do Orçamento 2025, ao G1. O governo já havia sinalizado, em 2024, um pente-fino que resultou na exclusão de 1,1 milhão de beneficiários desde o início do mandato, reduzindo o número de famílias atendidas de 21,6 milhões, no fim do governo Bolsonaro, para os atuais 20,5 milhões em janeiro de 2025. A proposta gerou reações diversas. O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social não se pronunciou oficialmente até o momento, mas integrantes do governo afirmam que o ajuste não implicará a exclusão de beneficiários legítimos. Já o remanejamento totaliza R$ 39,6 bilhões em cortes e R$ 11,4 bilhões em novas despesas, incluindo R$ 4,8 bilhões a menos para a implantação de escolas em tempo integral, outra prioridade anunciada no início da gestão. O Bolsa Família, que paga um benefício mínimo de R$ 600 por família, além de adicionais como R$ 150 por criança de até 6 anos e R$ 50 por adolescentes de 7 a 18 anos, segue como um dos pilares sociais do governo Lula. A votação do PLOA 2025 no Congresso definirá se o corte será mantido ou ajustado.
Longe da escala 6×1 e do salário limitado, trabalho Informal supera 50% ao trabalho de carteira assinada em 7 estados
Longe das jornadas rígidas de seis dias por semana e dos salários muitas vezes engessados do emprego formal, o trabalho informal ultrapassou a marca de 50% da força de trabalho em sete estados brasileiros, mesmo com o país registrando um pico histórico de empregos com carteira assinada em 2024. Dados recentes do IBGE mostram que essa escolha — ou necessidade — reflete a busca por maior flexibilidade e renda, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde a realidade econômica e social molda um mercado de trabalho bem diferente do visto no Sul e Sudeste. Os sete estados onde os informais superam os formais são Maranhão, Pará, Piauí, Amazonas, Ceará, Bahia e Paraíba. No Maranhão, a informalidade atingiu 58,3% no último trimestre de 2024, enquanto no Pará chegou a 56,1%. Nessas regiões, trabalhadores sem carteira assinada, autônomos ou em ocupações sem registro formal dominam, impulsionados por uma mistura de fatores: a chance de ganhar mais, a liberdade de fazer o próprio horário e, muitas vezes, a falta de opções no mercado formal. Histórias locais ilustram essa tendência. Em Teresina, um motorista de aplicativo contou ao jornal O Dia que deixou um emprego fixo porque “no informal, o dinheiro é meu no fim do dia, sem esperar o mês virar”. Já em Belém, uma feirante destacou a autonomia: “Não preciso bater ponto, e o lucro depende só de mim”. Esses relatos mostram como a informalidade virou um caminho para escapar da rotina exaustiva de escalas como 6×1 e de salários que, para muitos, não acompanham o custo de vida. Os números reforçam essa percepção. Em 2024, a diferença de renda entre trabalhadores formais e informais caiu para 31%, a menor em anos, com o salário médio dos formais em R$ 2.947 e o dos informais em R$ 2.033, segundo o IBGE. A proximidade se explica pelo boom de serviços como entregas por aplicativo e pequenos comércios, que cresceram com a digitalização e a retomada econômica pós-pandemia. Ainda assim, o Brasil gerou 2,2 milhões de vagas formais entre janeiro de 2023 e março de 2024, de acordo com o Ministério do Trabalho, o que não foi suficiente para mudar o cenário nesses estados. Especialistas apontam que baixa escolaridade, custo alto para formalizar negócios e a dependência de economias menos industrializadas mantêm a informalidade em alta. Enquanto isso, o governo aposta em programas como o Desenrola Brasil e incentivos a microempreendedores para trazer mais gente para o lado formal, mas, por ora, a liberdade e o potencial de ganho imediato seguem falando mais alto nesses sete estados.
Haddad: corte de imposto é para frear alta dos alimentos pelos produtores
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, falou com naturalidade nesta sexta-feira (7) sobre a decisão do governo de zerar o Imposto de Importação de nove alimentos que fazem parte do dia a dia dos brasileiros. Em entrevista ao podcast Flow, em São Paulo, ele revelou que a medida, anunciada na quinta-feira (6) pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, tem um alvo claro: evitar que os produtores nacionais aproveitem para aumentar ainda mais os preços. Para Haddad, não se trata de uma promessa de preços mais baixos da noite pro dia, mas de um jeito de equilibrar o jogo no mercado. Entre os alimentos que terão a tarifa reduzida a zero estão azeite de oliva, café, milho, carnes, açúcar, óleo de girassol, sardinha, biscoitos e massas — itens que antes pagavam impostos entre 7,2% e 32%. “A gente quer dizer aos produtores que não dá pra ficar subindo preço sem critério. Com mais oferta de fora, eles vão ter que segurar essa onda”, afirmou o ministro, deixando claro que a ideia é pressionar pela estabilidade nos valores. Haddad foi direto ao ponto: sozinho, esse corte não resolve tudo. “É um passo, mas depende de outras coisas, como o dólar se acalmar e a próxima safra vir forte”, disse ele, mostrando que a inflação dos alimentos — que subiu 8,23% em casa em 2024, segundo o IBGE — exige mais do que uma canetada. Ele aproveitou para cutucar o governo de Donald Trump, apoiado por Jair Bolsonaro: “Lá fora, tem quem queira taxar tudo. Aqui, a gente tá cortando imposto pra ajudar quem tá apertado”. A medida saiu do forno depois de reuniões no Planalto com ministros e representantes do agronegócio. Além de zerar as tarifas, o governo ampliou a importação de óleo de palma, passando a cota de 65 mil para 150 mil toneladas, e quer encher os estoques da Conab, embora não tenha dito quanto vai investir nisso. Tudo isso porque itens como carne (alta de 21,17%) e leite (16,19%) estão pesando no bolso de quem vai ao mercado. Agora, o plano depende do aval da Câmara de Comércio Exterior (Camex) para começar a valer. Haddad pediu um voto de confiança: “Não é instantâneo, mas vai ajudar a segurar os preços com o tempo”. Enquanto isso, o brasileiro segue acompanhando de perto pra ver se o alívio chega na hora de encher o carrinho.
Opinião: Gastando 1,6% do nosso PIB e considerado o mais caro do mundo, o papel do Judiciário brasileiro é promover a desigualdade social

Em apenas 24 segundos, o Tribunal de Justiça da Paraíba (TJ-PB) aprovou, no último dia 26 de fevereiro, um pagamento retroativo de R$ 234 milhões para juízes e desembargadores, sob o pretexto de “compensação por assunção de acervo processual”. São 281 magistrados beneficiados, alguns embolsando até R$ 956 mil cada — um valor que, para a imensa maioria dos brasileiros, representa uma fortuna inalcançável, fruto de décadas de trabalho árduo ou, mais provavelmente, de uma loteria que nunca chega. Enquanto isso, o trabalhador comum, aquele que sustenta o país com suor e pouco mais de R$ 1.500 por mês para alimentar uma família inteira, assiste a mais um capítulo da novela em que a elite do funcionalismo público garante que seu pirão venha primeiro. Não é novidade que o Judiciário brasileiro, em suas altas esferas, opera como um clube exclusivo, onde os interesses dos seus membros parecem sempre prevalecer sobre as necessidades de uma nação marcada por abismos sociais. Esse episódio na Paraíba é apenas mais uma demonstração escancarada de que, para muitos dos que vestem a toga, a luta contra a desigualdade social não passa de um discurso bonito, algo para ser recitado em campanhas publicitárias ou em eventos pomposos de autopromoção. Fora das câmeras e dos holofotes, a realidade é outra: a barriga dos magistrados precisa estar cheia antes que se pense nos milhões de brasileiros que sobrevivem com migalhas. Vamos aos números, porque eles gritam o que as palavras às vezes suavizam. Um juiz em início de carreira na Paraíba tem um salário base de R$ 35.877,28, sem contar os benefícios — os famosos “penduricalhos” — que frequentemente elevam os rendimentos líquidos para mais de R$ 50 mil por mês. Compare isso com o trabalhador que ganha o salário mínimo ou pouco acima disso, cerca de R$ 1.500, e tenta sustentar uma casa com filhos, pagar aluguel, comida e transporte. São realidades que não se encontram nem em sonho. Enquanto o TJ-PB justifica os R$ 234 milhões como um “direito” por sobrecarga de trabalho entre 2015 e 2022, o cidadão comum acumula dívidas, filas no SUS e uma sobrecarga de vida que ninguém indeniza. E o que dizer da velocidade da decisão? Vinte e quatro segundos. Em menos de meio minuto, o tribunal aprovou unanimemente um montante que equivale a mais de 25% de seu orçamento anual, previsto em R$ 914 milhões para 2025. É uma agilidade que nunca se vê quando o assunto é garantir direitos básicos à população mais pobre, como acesso à justiça gratuita ou redução das custas processuais que afastam os vulneráveis do Judiciário. Harrison Targino, presidente da OAB na Paraíba, foi preciso ao apontar a contradição: o tribunal alega dificuldades financeiras para justificar altas custas e negativas de gratuidade, mas, de tempos em tempos, surpreende com pacotes de benefícios milionários para os seus. É o “pirão primeiro” em sua forma mais crua. Esse caso não é um ponto fora da curva. Ele reflete um padrão no Judiciário brasileiro, onde os privilégios da elite do funcionalismo público são mantidos a ferro e fogo, enquanto a desigualdade social — que atinge 50 milhões de brasileiros na pobreza, segundo o IBGE — é tratada como um problema secundário. Os R$ 234 milhões da Paraíba poderiam triplicar o orçamento da Educação Infantil no estado ou dobrar os investimentos em saneamento básico, áreas que diretamente impactam a vida dos mais pobres. Mas não. O dinheiro público, aquele que sai do bolso do contribuinte que mal tem o que comer, vai para engordar as contas de quem já vive no topo da pirâmide. A justificativa oficial, amparada na Recomendação 75/2020 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e em leis federais de 2015, soa como uma tentativa de dar verniz legal a uma farra indefensável. Fala-se em “correção de omissões históricas” e “direitos atrasados”, mas onde está a correção das omissões históricas com os milhões de brasileiros que nunca tiveram acesso a direitos básicos como saúde, moradia e educação? Onde está o retroativo para as famílias que, há gerações, lutam para sobreviver em um país que insiste em priorizar os seus castelos em vez das suas favelas? Como alguém que milita há anos contra essa lógica perversa, vejo nesse episódio mais uma prova de que o Judiciário, em muitos momentos, está desconectado da realidade do povo. Não é só sobre os R$ 234 milhões da Paraíba; é sobre um sistema que, em 2023, custou R$ 132,8 bilhões aos cofres públicos — 1,2% do PIB —, enquanto a arrecadação via Justiça mal cobre metade disso. É sobre um Judiciário que paga supersalários e retroativos milionários enquanto o Brasil amarga um índice de Gini que nos coloca entre os países mais desiguais do mundo. Para eles, a desigualdade é um tema de palestra; para nós, é a vida real. Chega de aceitar que a elite do funcionalismo público surfe em privilégios enquanto os mais pobres afundam. É hora de exigir que o Judiciário pare de se comportar como uma casta intocável e comece a olhar para o Brasil que existe além dos seus palácios. Porque, enquanto os magistrados brindam seus retroativos, o pirão dos pobres continua sendo só o resto que sobra na panela — quando sobra.
CadÚnico: 6,4 milhões de famílias serão chamadas para atualizar seus dados até fevereiro de 2026
O governo federal anunciou, em 5 de março de 2025, que cerca de 6,4 milhões de famílias registradas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) serão notificadas para atualizar seus dados até fevereiro de 2026. A iniciativa, parte da Ação de Qualificação Cadastral 2025, abrange tanto beneficiários de programas como Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada (BPC) e Tarifa Social de Energia Elétrica quanto famílias que, embora cadastradas, não recebem esses benefícios atualmente. A medida visa garantir a precisão das informações no sistema, essencial para a gestão de mais de 40 programas sociais no Brasil. A atualização será conduzida de forma escalonada, evitando a necessidade de deslocamento imediato aos pontos de atendimento. As famílias serão informadas por meio de mensagens no aplicativo CadÚnico, no ícone “envelope” localizado no canto superior direito, e, para os beneficiários do Bolsa Família, também nos aplicativos do programa e no Caixa Tem, além de comunicados no extrato de pagamento. Mensagens de voz pela Central de Atendimento da Caixa, no número 111, também serão enviadas. O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) reforçou que o processo será gradativo, com datas específicas divulgadas ao longo dos próximos meses. Desde 28 de fevereiro de 2025, os municípios já têm acesso às listas de famílias que precisam atualizar seus cadastros por meio do Sistema de Gestão do Programa Bolsa Família (SigPBF). A partir de março, essas informações passaram a ser centralizadas no novo Portal de Gestão do Cadastro Único, uma plataforma que substitui sistemas anteriores e promete facilitar o trabalho das gestões locais. A Ação de Qualificação Cadastral 2025 é dividida em duas etapas: a Averiguação Cadastral (AVE25), que identifica inconsistências como composição familiar desatualizada, e a Revisão Cadastral (REV25), para cadastros sem atualização há mais de dois anos. Para realizar a atualização, as famílias devem comparecer ao Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) ou a outro ponto indicado pela gestão municipal, levando documentos como CPF, RG, comprovante de residência e certidões de nascimento ou casamento dos membros da família. Famílias unipessoais terão a entrevista realizada em seus domicílios, sem necessidade de deslocamento. A obrigatoriedade da atualização está prevista na Lei nº 15.077/2024, que regula o CadÚnico e estabelece a necessidade de revisão bienal ou em casos de mudanças como endereço, renda ou estado civil. O CadÚnico é a principal ferramenta do governo para mapear famílias de baixa renda, com renda per capita de até meio salário mínimo ou vinculadas a programas sociais. Manter os dados em dia é condição para a continuidade de benefícios como o Bolsa Família, que paga no mínimo R$ 600 por família, além de adicionais como R$ 150 por criança de até 6 anos e R$ 50 por adolescentes de 7 a 18 anos. A falta de atualização pode levar ao bloqueio ou cancelamento dos benefícios, impactando diretamente a vida de milhões de brasileiros.
Brasil lidera ranking mundial com 1,4 milhão de motoristas de Uber cadastrados
O Brasil se consolidou como o maior mercado da Uber no mundo em número de motoristas, alcançando a marca de 1,4 milhão de profissionais cadastrados na plataforma. A informação foi revelada pelo CEO da empresa, Dara Khosrowshahi, durante um evento promovido pelo banco BTG Pactual, em São Paulo, no dia 26 de fevereiro de 2025. O anúncio destaca a relevância do país na operação global da companhia, que está presente em mais de 70 nações e 10 mil cidades. Segundo Khosrowshahi, o volume de motoristas brasileiros reflete o sucesso da Uber em se adaptar às demandas locais desde sua chegada ao país, em 2014. Além disso, seis das dez cidades com maior número de corridas no mundo estão no Brasil, incluindo São Paulo, que segue como a líder global em volume de viagens. Outras cidades brasileiras que figuram nesse ranking não foram especificadas no evento, mas a presença massiva de motoristas e usuários reforça a posição estratégica do país para a empresa. A operação brasileira também se destaca pelo impacto econômico. De acordo com o CEO, os motoristas e entregadores do país já acumularam ganhos de US$ 25 bilhões (cerca de R$ 150 bilhões) ao longo da última década. Esse montante abrange tanto o serviço de transporte de passageiros quanto as entregas realizadas por meio do Uber Eats, que tem crescido significativamente no mercado nacional. A Uber também anunciou investimentos no Brasil, como a contratação de engenheiros de software locais para reduzir custos operacionais em comparação com o Vale do Silício, nos Estados Unidos. Outra novidade é a expansão para o setor de logística de e-commerce, com serviços de entrega no mesmo dia para produtos como mantimentos e bebidas, competindo diretamente com gigantes como a Amazon. Atualmente, a plataforma conta com cerca de 30 milhões de usuários ativos trimestrais no Brasil, distribuídos por mais de 500 cidades. O crescimento da Uber no país é impulsionado por serviços como o Uber Moto, uma opção mais barata que utiliza motocicletas, já disponível em cidades como Rio de Janeiro e Salvador, embora enfrente restrições regulatórias em São Paulo.
Governo zera tarifa de importação de 9 alimentos para reduzir preços
O governo federal anunciou, nesta quinta-feira (6), a decisão de zerar o Imposto de Importação de nove alimentos como parte de um conjunto de medidas para conter a alta nos preços no mercado interno. A iniciativa foi detalhada pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, após uma série de reuniões no Palácio do Planalto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros e representantes do setor empresarial. A redução das tarifas deve entrar em vigor nos próximos dias, assim que aprovada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex). Os alimentos contemplados pela medida incluem azeite de oliva (antes com tarifa de 9%), café (9%), milho (7,2%), carnes (10,8%), açúcar (14%), óleo de girassol (9%), sardinha (32%), biscoitos (16,2%) e massas alimentícias (14,4%). Todos terão suas alíquotas reduzidas a zero, com o objetivo de aumentar a oferta desses produtos no Brasil e pressionar os preços para baixo. Segundo Alckmin, a ação visa aliviar o bolso dos consumidores, especialmente em um momento em que a inflação dos alimentos tem pesado no orçamento das famílias. A decisão também inclui o aumento da cota de importação de óleo de palma, que passa de 65 mil toneladas para 150 mil toneladas, ampliando a disponibilidade desse insumo no mercado. Além disso, o governo planeja fortalecer os estoques reguladores da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que receberá recursos para recompor suas reservas de alimentos. No mês passado, a Conab havia solicitado R$ 737 milhões para essa finalidade, mas detalhes sobre o montante a ser liberado agora não foram especificados. Durante o anúncio, Alckmin destacou que a medida não deve prejudicar os produtores nacionais. “Estamos em um período em que reduzir o imposto ajuda a baixar preços. Não é substituição, mas complemento à produção interna”, afirmou o vice-presidente. Ele acrescentou que o impacto na arrecadação será mínimo, já que muitos desses produtos têm importação limitada devido às tarifas elevadas, e que o foco é beneficiar os consumidores sem comprometer a agricultura brasileira. O pacote de ações ainda prevê outras frentes, como a aceleração do registro de municípios no Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi), que passará de 1.550 para 3 mil cidades, facilitando a comercialização de itens como carnes, leite e ovos. O próximo Plano Safra também priorizará financiamentos subsidiados para a produção de alimentos da cesta básica, incentivando agricultores a atender ao mercado interno. Os dados mais recentes do IBGE mostram que os alimentos consumidos em casa subiram 7,45% nos últimos 12 meses, com destaque para altas como 16,19% no leite longa vida e 21,17% nas carnes. As medidas anunciadas refletem a preocupação do governo com a inflação, que tem afetado a popularidade da gestão Lula. A expectativa é que os efeitos da redução tarifária comecem a ser sentidos pelos consumidores nas próximas semanas, à medida que os produtos importados cheguem ao mercado.
Calendário Bolsa Família: veja pagamentos de março 2025
O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) definiu o calendário de pagamentos do Bolsa Família para 2025, incluindo as datas específicas para o mês de março. Os repasses seguem o padrão escalonado, baseado no último dígito do Número de Identificação Social (NIS) de cada beneficiário, e ocorrem nos últimos dez dias úteis do mês. Em março de 2025, os pagamentos terão início no dia 18 e se estenderão até o dia 31, conforme a organização estabelecida pelo governo federal e executada pela Caixa Econômica Federal. Abaixo, as datas exatas de depósito para cada final de NIS em março de 2025: Os valores estarão disponíveis para movimentação por meio do aplicativo Caixa Tem ou para saque em caixas eletrônicos e lotéricas, utilizando o cartão do Bolsa Família. O programa mantém o pagamento mínimo de R$ 600 por família, com adicionais como R$ 150 por criança de até 6 anos, R$ 50 por gestante e por crianças ou adolescentes de 7 a 18 anos, e R$ 50 por bebê de até 6 meses, conforme a composição familiar. Para receber o benefício, é necessário estar inscrito no Cadastro Único (CadÚnico), com renda per capita de até R$ 218 mensais, e cumprir condicionalidades de saúde e educação. Os beneficiários podem consultar o saldo e a data exata do pagamento pelo aplicativo Bolsa Família, pelo site da Caixa (caixa.gov.br) ou pelos telefones 121 (Disque Social do MDS) e 111 (atendimento da Caixa). Em situações de emergência ou calamidade pública, os pagamentos podem ser antecipados, mas até o momento não há alterações anunciadas para março de 2025.