Correios apontam prejuízo de R$2,2 bilhões causado por taxa das ‘blusinhas’

Correios apontam prejuízo de R,2 bilhões causado por taxa das ‘blusinhas’

Os Correios divulgaram que registraram um prejuízo de R$ 2,2 bilhões em 2024, atribuído diretamente à “taxa das blusinhas”, política de taxação de compras internacionais de até US$ 50. O anúncio foi feito com base em um estudo interno da estatal, que apontou uma queda significativa na arrecadação com transporte de mercadorias importadas, especialmente da China. A medida, implementada pelo Programa Remessa Conforme e sancionada em junho de 2024, estabeleceu um imposto de importação de 20% sobre remessas de baixo valor, antes isentas. Segundo os Correios, a empresa esperava faturar R$ 5,9 bilhões com operações internacionais em 2024, mas arrecadou apenas R$ 3,7 bilhões. O presidente da estatal, Fabiano Silva dos Santos, declarou em evento na Câmara dos Deputados, no dia 26 de março, que a mudança frustrou as expectativas de receita, impactando negativamente as finanças da empresa. O prejuízo total dos Correios em 2024 alcançou R$ 3,2 bilhões, conforme balanço preliminar. Santos destacou que a taxação também reduziu o domínio da estatal no transporte de produtos importados, com a entrada de concorrentes no mercado. Dados da Receita Federal indicam que as importações caíram 11% em 2024, totalizando 187,12 milhões de encomendas, contra 209,5 milhões em 2023. Apesar disso, a arrecadação com impostos sobre essas transações subiu 40%, atingindo R$ 2,7 bilhões. A direção dos Correios informou que busca alterar a legislação do Remessa Conforme para recuperar parte da receita perdida. O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos reconheceu que a situação da estatal é a mais preocupante entre as empresas públicas federais, mas não detalhou medidas imediatas para reverter o déficit.

Brasil teme dupla taxação do aço em novo pacote de tarifas de Trump

Brasil teme dupla taxação do aço em novo pacote de tarifas de Trump

O Brasil acompanha com apreensão o anúncio de novas tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um movimento apelidado por ele como “Dia da Libertação”. A preocupação central recai sobre o setor siderúrgico, que teme uma dupla taxação sobre o aço exportado para o mercado americano. Desde 12 de março, os EUA já aplicam uma tarifa de 25% sobre o aço brasileiro, uma medida que eliminou isenções anteriores e impactou o país, terceiro maior fornecedor do produto aos americanos, atrás apenas de Canadá e México. Agora, há receio de que as tarifas anunciadas hoje, que podem atingir diversos setores, incluam um novo imposto sobre o mesmo aço, agravando os custos. O governo brasileiro, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, expressou pessimismo nas últimas semanas. Em entrevista recente, Lula afirmou que, se confirmada a taxação, o Brasil reagirá, seja por meio de uma queixa na Organização Mundial do Comércio (OMC) ou com medidas retaliatórias, como impostos sobre produtos americanos. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) monitora a situação e mantém diálogo com a Casa Branca, mas a falta de clareza sobre os detalhes das novas tarifas mantém o setor em alerta. O vice-presidente Geraldo Alckmin, que também é titular do MDIC, reforçou que a prioridade é negociar para evitar prejuízos maiores. A indústria siderúrgica brasileira, representada por empresas como Gerdau e CSN, exportou 3,4 milhões de toneladas de aço semiacabado aos EUA em 2024, cerca de 45% do total vendido ao exterior. A possibilidade de uma dupla tributação preocupa não só pela perda de competitividade, mas também pelo impacto em empregos e na balança comercial, já que os EUA são um destino crucial para o setor.

Implantação da indústria de alimentos São Braz em Conceição do Jacuípe impacta toda a região

A chegada da indústria de alimentos São Braz a Conceição do Jacuípe, na Bahia, está movimentando a economia local e prometendo reflexos positivos em toda a região do Recôncavo Baiano. Anunciada oficialmente em março de 2025, a instalação da unidade fabril da empresa, conhecida por sua produção de café e outros produtos alimentícios, começou a tomar forma após anos de negociações com o governo estadual e a prefeitura. A expectativa é de que a planta, prevista para iniciar operações no segundo semestre de 2026, gere cerca de 300 empregos diretos e mais de mil indiretos, aquecendo o mercado de trabalho em uma área historicamente dependente da agricultura e de pequenos comércios. O investimento, estimado em R$ 120 milhões, foi viabilizado por incentivos fiscais oferecidos pelo governo baiano, que busca atrair indústrias para o interior como forma de descentralizar o desenvolvimento econômico, concentrado majoritariamente em Salvador e na região metropolitana. Em Conceição do Jacuípe, cidade de pouco mais de 30 mil habitantes, a São Braz encontrou condições favoráveis: proximidade com rodovias como a BR-324, que facilita o escoamento da produção, e uma mão de obra disponível, ainda que necessite de qualificação. A prefeitura já anunciou parcerias com o Senai para cursos técnicos voltados às demandas da fábrica, como operação de máquinas e logística. Além do impacto direto no emprego, a instalação da indústria deve beneficiar setores como transporte, serviços e agricultura familiar, principal fornecedora de matérias-primas como café e milho. Lideranças locais apontam que a presença da São Braz pode atrair outros empreendimentos, transformando Conceição do Jacuípe em um polo industrial incipiente. “É um marco. Nossa cidade sempre viveu da roça e do comércio pequeno. Agora, temos uma chance de crescer de verdade”, afirmou o prefeito João Batista, em evento com representantes da empresa na última semana.

Pagamento do antigo PIS/PASEP inicia amanhã para quem trabalhou entre 1971 e 1988

Pagamento do antigo PIS/PASEP inicia amanhã para quem trabalhou entre 1971 e 1988

A partir desta sexta-feira, 28 de março de 2025, cerca de 10,5 milhões de brasileiros que trabalharam com carteira assinada entre 1971 e 1988 poderão sacar valores esquecidos do antigo Fundo PIS/PASEP. O Ministério da Fazenda lançou a plataforma Repis Cidadão, que permite consultar e resgatar até R$ 26 bilhões remanescentes do fundo extinto em 2020. Os primeiros pagamentos começam amanhã, beneficiando trabalhadores da iniciativa privada e servidores públicos que contribuíram no período entre 1971 e 1988 e não retiraram suas cotas. A consulta está disponível no site repiscidadao.fazenda.gov.br, exigindo login com conta Gov.br nos níveis prata ou ouro. O valor médio por pessoa é estimado em R$ 2,8 mil, variando conforme o tempo de trabalho e o salário da época. Os saques podem ser solicitados também pelo aplicativo FGTS, com o dinheiro sendo transferido para contas indicadas pelos beneficiários. Herdeiros de trabalhadores falecidos também têm direito, desde que apresentem documentos como certidão de óbito e comprovantes de vínculo. O fundo, criado para complementar a renda de quem atuou entre 1971 e 1988, foi incorporado ao FGTS em 2020, mas muitos não sacaram os recursos, transferidos ao Tesouro Nacional em 2023. A medida visa facilitar o acesso a esses valores, que equivalem a anos de contribuições corrigidas.

Para aumentar a popularidade, governo Lula aposta no endividamento das famílias mais pobres, em um país com mais de 74,6 milhões de endividados

O governo Lula lançou pacotes de crédito, incluindo linhas de microcrédito e renegociação de dívidas para cidadãos de baixa renda, visando estimular a economia e incluir os pobres no sistema financeiro. No entanto, com dados de Agência Brasil mostrando que 78,5% das famílias estão endividadas, há preocupações sobre a sustentabilidade. Embora o crédito possa ajudar famílias a iniciar negócios, a evidência aponta para riscos, como o uso não produtivo do crédito e a falta de habilidades para gerenciá-lo, o que pode levar a mais dívidas. Isso pode ser visto como uma medida populista, buscando popularidade imediata, mas potencialmente retrógrada, se não houver planos para resolver problemas econômicos subjacentes, como baixos salários e falta de empregos. Um detalhe inesperado: programas como o Bolsa Família, que são transferências de renda, têm sido mais eficazes em reduzir a pobreza, mas não envolvem endividamento, diferentemente das linhas de crédito. A estratégia do governo Lula de expandir o acesso ao crédito para famílias pobres, em um contexto onde mais de 78,5% das famílias brasileiras já estão endividadas, levanta questões significativas sobre sua sustentabilidade e impacto a longo prazo. Esta análise explora os dados, as políticas do governo, e os argumentos a favor e contra, considerando se essa abordagem pode ser considerada populista e retrógrada. De acordo com Agência Brasil, em julho de 2023, 78,5% das famílias brasileiras estavam endividadas, o que equivale a aproximadamente 48 milhões de famílias, considerando que há cerca de 61 milhões de lares no país, com base em estimativas populacionais de 214 milhões de habitantes e uma média de 3,5 pessoas por família. O usuário mencionou “74,60 milhões de endividados”, que pode referir-se a indivíduos em famílias endividadas, mas os dados mais recentes focam em famílias, o que sugere uma interpretação mais precisa com base em lares. O governo Lula, desde sua posse, tem enfatizado políticas de inclusão social e econômica. Em abril de 2024, conforme relatado pelo Brazilian Report, lançou um novo pacote para aumentar o poder de compra, incluindo linhas de microcrédito e programas de renegociação de dívidas para cidadãos de baixa renda, além de crédito para famílias de classe média interessadas em comprar casas. O objetivo declarado é estimular o consumo, fomentar o crescimento econômico e incluir os pobres no sistema financeiro formal. Historicamente, durante os mandatos anteriores de Lula (2003-2010), programas como o Programa Nacional de Microcrédito Produtivo (NOPMP), lançado em 2003, expandiram o acesso ao crédito para microempreendedores e famílias de baixa renda, com o número de beneficiários crescendo de 200.000 para mais de um milhão, segundo Global Issues. O Banco do Nordeste, por exemplo, opera o programa Crediamigo, que em 2021 desembolsou mais de €1,97 bilhão para microempreendedores, muitas vezes mulheres, conforme EIB. Esses programas visam promover a auto-suficiência, mas também envolvem endividamento. Recentemente, o governo também retomou programas como “Minha Casa, Minha Vida”, que oferece subsídios para moradia, e lançou novos pacotes de crédito em resposta a crises, como as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024, com linhas de crédito de R$ 15 bilhões para empresas afetadas, segundo Brazilian Report. Embora esses esforços sejam amplos, o foco em crédito para famílias pobres é central na estratégia atual. Argumentos a Favor Argumentos Contra Análise e Sustentabilidade A sustentabilidade de programas de crédito para famílias pobres depende de vários fatores. Estudos, como os do European Journal of Development Research, mostram impactos positivos em algumas regiões, como os municípios mais pobres do Nordeste, mas sem efeitos significativos em outras áreas. A concentração de crédito em regiões específicas, como o Sul, e entre produtores maiores, conforme CPI, sugere desigualdades no acesso, o que pode limitar os benefícios. Além disso, a alta taxa de juros no Brasil, com taxas de cartão de crédito chegando a 437% ao ano em 2023, conforme Brazilian Report, aumenta o custo do crédito, tornando-o menos acessível e mais arriscado. Sem regulamentação adequada e suporte, a expansão do crédito pode levar a mais inadimplência, afetando tanto as famílias quanto o sistema financeiro. Comparação com outras Políticas É interessante notar que programas como o Bolsa Família, que são transferências de renda condicional, têm sido mais eficazes em reduzir a pobreza, conforme Centre for Public Impact, ajudando 44 milhões de pessoas e custando apenas 0,5% do PIB. Esses programas não envolvem endividamento, oferecendo uma alternativa mais sustentável, mas o governo parece priorizar o crédito como uma ferramenta de estímulo econômico. A estratégia do governo Lula de expandir crédito para famílias pobres pode ser vista como uma tentativa de aumentar popularidade, mas há riscos significativos de sobreendividamento, especialmente em um contexto de alta dívida pré-existente. Embora possa promover inclusão financeira e empreendedorismo, a falta de suporte e a possibilidade de uso não produtivo do crédito sugerem que pode ser uma medida populista, buscando benefícios de curto prazo, e potencialmente retrógrada, se não houver planos para resolver problemas estruturais. É crucial que o governo implemente salvaguardas robustas, como treinamento e monitoramento, para garantir que o crédito leve a resultados sustentáveis.

Falta de mão de obra atrasa inaugurações de supermercados, diz presidente da associação do setor

Falta de mão de obra atrasa inaugurações de supermercados, diz presidente da associação do setor

A escassez de mão de obra tem se tornado um obstáculo significativo para o setor supermercadista no Brasil, a ponto de atrasar a abertura de novas lojas. Foi o que afirmou Erlon Ortega, presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), em entrevista concedida neste domingo, 23 de março de 2025, em São Paulo. Segundo ele, o problema, que já vinha sendo sentido ao longo de 2024, se intensificou neste ano, com cerca de 35 mil vagas abertas apenas no estado, número que reflete a dificuldade em encontrar profissionais para funções essenciais ao funcionamento das redes. Ortega explicou que o cenário é paradoxal: enquanto o desemprego no Brasil caiu para 6,5% no trimestre encerrado em janeiro, de acordo com o IBGE, o setor enfrenta uma crise de disponibilidade de trabalhadores. Funções como operador de caixa, açougueiro, padeiro e repositor, que historicamente serviam como porta de entrada para o mercado de trabalho, agora acumulam vagas ociosas. Em cidades como Feira de Santana e Campinas, redes locais já precisaram adiar inaugurações previstas para o primeiro semestre, transferindo funcionários de outras unidades para suprir a demanda. “Há lojas prontas, com tudo estruturado, mas sem equipe para operar”, detalhou o presidente da Apas. A mudança no perfil da força de trabalho é um dos fatores apontados por Ortega. Muitos jovens, que antes viam os supermercados como ponto de partida na carreira, têm optado por trabalhos informais, como entregas por aplicativo, ou por empreender, atraídos pela flexibilidade e autonomia. Um levantamento da Confederação Nacional do Comércio (CNC) reforça que oito das dez ocupações mais demandadas no setor, responsáveis por quase 70% dos empregos, sofrem com a falta de candidatos. Para contornar o problema, a Apas negocia com o governo estadual parcerias que incluam egressos de programas sociais e do serviço militar nas contratações, além de discutir uma legislação que permita jornadas mais flexíveis.

OCDE eleva previsão de PIB da Argentina e reduz a do Brasil para 2025

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou, nesta quinta-feira, 20 de março de 2025, uma revisão de suas projeções econômicas que chamou a atenção do mercado internacional. Segundo o relatório mais recente, o Produto Interno Bruto (PIB) da Argentina deve crescer 5,7% em 2025, superando a estimativa para o Brasil, que foi reduzida para 2,1% no mesmo período. Os números, apresentados em Paris, sede da entidade, contrastam com as expectativas anteriores e refletem cenários distintos para as duas maiores economias da América do Sul. Na Argentina, a previsão otimista vem após um 2024 de recessão, com o PIB encolhendo 3,8%, impactado por ajustes fiscais rigorosos e uma inflação que chegou a 120,9% no ano passado. Para 2025, a OCDE aponta uma recuperação sustentada por reformas estruturais implementadas pelo governo de Javier Gerardo Milei, como a redução de subsídios e a flexibilização de regras trabalhistas. O consumo privado, que caiu 7,2% em 2024, deve subir 3,3%, enquanto os investimentos, antes em queda de 23,9%, podem crescer 11,8%. A inflação, ainda alta, está projetada para recuar a 29,8%, sinalizando um alívio gradual. Já o Brasil, que em 2024 deve registrar crescimento de 1,9%, enfrenta ventos contrários que justificam a revisão para baixo. A OCDE destacou a fragilidade fiscal como principal entrave, com a dívida pública bruta prevista para alcançar 77,3% do PIB até o fim deste ano, segundo o Tesouro Nacional. Gastos elevados em saúde e educação, aliados à incerteza sobre a arrecadação de novas medidas tributárias, como a reforma aprovada em 2023, pesam sobre as contas públicas. A entidade também mencionou a desaceleração no comércio com parceiros como a China, afetando exportações de commodities. A diferença nas trajetórias econômicas reacende comparações entre os vizinhos. Enquanto a Argentina projeta um salto em 2026, com PIB a 4,8%, o Brasil deve se manter em 1,4%, abaixo da média global de 3,2%. Analistas em São Paulo e Buenos Aires acompanham os desdobramentos, especialmente em cidades como Feira de Santana, onde o agronegócio sente os reflexos regionais.

Empréstimo consignado a trabalhadores CLT começa nesta sexta-feira sem regulamentação do FGTS como garantia

A partir desta sexta-feira, trabalhadores com carteira assinada no Brasil passam a ter acesso a uma nova modalidade de empréstimo consignado, chamada “Crédito do Trabalhador”. O programa, lançado pelo governo federal, foi oficialmente iniciado hoje, em um evento no Palácio do Planalto, e promete facilitar o crédito para cerca de 47 milhões de celetistas, incluindo empregados rurais, domésticos e assalariados de microempreendedores individuais (MEI). A iniciativa, que utiliza a Carteira de Trabalho Digital como plataforma principal, começou a operar sem a regulamentação completa do uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como garantia, o que tem gerado debates entre especialistas e instituições financeiras. O processo de contratação é simples e digital. Os trabalhadores acessam o aplicativo da Carteira de Trabalho Digital, solicitam propostas de crédito e recebem ofertas de mais de 80 instituições financeiras credenciadas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As parcelas serão descontadas diretamente na folha de pagamento via eSocial, com limite de até 35% da renda mensal. Embora a Medida Provisória 1.292/2025, assinada no dia 12 de março, preveja o uso de até 10% do saldo do FGTS e 100% da multa rescisória em caso de demissão sem justa causa como garantia, essa parte ainda depende de normas detalhadas, esperadas apenas para junho. Por enquanto, os bancos operam com base na segurança do desconto em folha, mas a ausência dessa regulamentação pode limitar a redução de juros inicialmente projetada. O governo estima que as taxas caiam cerca de 40% em relação ao consignado tradicional do setor privado, que em dezembro de 2024 chegou a 2,89% ao mês. Em cidades como Feira de Santana e São Paulo, trabalhadores já começaram a consultar o sistema, mas a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) alertou que os primeiros dias terão operação mais tímida, devido à falta de clareza sobre o FGTS. A partir de 25 de abril, será possível migrar contratos existentes para essa nova linha, e a portabilidade entre bancos estará liberada em 6 de junh

Banco Central sobe Selic a 14,25% com Galípolo e sinaliza novo ajuste em maio

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil anunciou, nesta quarta-feira (19), um aumento de 1 ponto percentual na taxa Selic, elevando os juros básicos da economia de 13,25% para 14,25% ao ano. A decisão, tomada por unanimidade na segunda reunião sob o comando do novo presidente do BC, Gabriel Galípolo, marca o retorno da Selic ao maior patamar desde outubro de 2016, quando estava em 14,25% durante o governo de Michel Temer. O ajuste reflete a tentativa de conter a inflação persistente, que segue acima da meta, e foi amplamente esperado pelo mercado financeiro. Galípolo, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e empossado em 1º de janeiro de 2025, assumiu o BC em um cenário de pressões inflacionárias agravadas por fatores como o câmbio volátil, a alta de preços de alimentos e incertezas fiscais. Em seu comunicado, o Copom destacou que “o cenário demanda uma política monetária mais contracionista” diante da “resiliência da atividade econômica” e das “expectativas de inflação desancoradas”. A meta de inflação, fixada em 3% com tolerância de 1,5 ponto para mais ou menos, foi ultrapassada em 2024, com o IPCA fechando em 4,83%, e as projeções para 2025 subiram para 5,5%, segundo o Boletim Focus. A alta de 1 ponto segue a sinalização dada na reunião de janeiro, quando a Selic passou de 12,25% para 13,25%. Para a próxima reunião, em maio, o Copom indicou um ajuste “de menor magnitude”, sugerindo uma desaceleração no ritmo de aperto monetário, possivelmente de 0,5 ponto, o que levaria a taxa a 14,75%. “A magnitude total do ciclo será ditada pela convergência da inflação à meta”, afirmou o comitê, mantendo a porta aberta para novos aumentos conforme o cenário econômico. O aumento impacta diretamente o bolso dos brasileiros. Juros mais altos encarecem empréstimos e financiamentos, freiam o consumo e elevam o custo da dívida pública — cada ponto percentual adiciona cerca de R$ 48 bilhões anuais ao Tesouro, segundo a Abrainc. Por outro lado, investimentos em renda fixa, como Tesouro Selic e CDBs, tornam-se mais atrativos, enquanto a poupança segue rendendo menos que a inflação. O dólar, que vinha em alta, pode se estabilizar com a entrada de capital estrangeiro atraído pelos juros elevados. A decisão ocorre em meio a críticas de Lula, que já chamou Galípolo de “mais sensato” que seu antecessor, Roberto Campos Neto, mas mantém ressalvas à política de juros altos. No mercado, a alta foi vista como um sinal de continuidade na gestão do BC, apesar da troca de comando. “Galípolo está seguindo o plano traçado, mas com uma comunicação mais assertiva”, avaliou o economista Sílvio Campos Neto, da Tendências Consultoria, ao O Globo. Para 2026, o Copom projeta um IPCA de 4%, ainda acima do centro da meta, indicando que a Selic deve permanecer em níveis elevados por mais tempo.

Projeto do Governo para ampliar isenção do IR beneficia quem ganha até R$ 7 mil e enfrenta resistência no Congresso

Projeto do Governo para ampliar isenção do IR beneficia quem ganha até R$ 7 mil e enfrenta resistência no Congresso

O governo federal, sob o comando do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enviou ao Congresso Nacional nesta terça-feira (18) um projeto de lei que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), beneficiando diretamente quem ganha até R$ 7 mil por mês. A proposta, assinada em cerimônia no Palácio do Planalto, prevê isenção total para rendas de até R$ 5 mil mensais e descontos parciais para quem recebe entre R$ 5 mil e R$ 7 mil, com entrada em vigor prevista para 2026, caso aprovada ainda este ano. A medida, uma promessa de campanha de Lula, visa aliviar a carga tributária da classe média baixa e média, mas enfrenta desafios para compensar a perda de arrecadação e críticas por seu impacto fiscal. Detalhes da proposta Atualmente, a faixa de isenção do IRPF é de R$ 2.259,20, mas um desconto simplificado de R$ 564,80 eleva o limite prático para R$ 2.824, equivalente a dois salários mínimos em 2025. O novo projeto estabelece: O Ministério da Fazenda calcula que a ampliação da isenção custará R$ 27 bilhões anuais em perda de arrecadação. Para compensar, o governo propõe uma tributação mínima sobre altas rendas, atingindo quem ganha mais de R$ 600 mil por ano (R$ 50 mil mensais). A alíquota seria progressiva, começando em 2,5% e chegando a 10% para rendas acima de R$ 1,2 milhão anuais, incluindo lucros e dividendos, hoje isentos. A expectativa é arrecadar R$ 25,22 bilhões com essa medida, além de R$ 8,9 bilhões com a taxação de 10% sobre dividendos remetidos ao exterior. Contexto e impacto A proposta reflete um esforço do governo Lula para cumprir promessas eleitorais e corrigir a defasagem histórica da tabela do IR, congelada entre 2015 e 2022 em R$ 1.903,98, o que ampliou o número de contribuintes pagantes devido à inflação. Desde 2023, ajustes graduais elevaram a isenção para R$ 2.640 e, em 2024, para R$ 2.824. Caso o projeto seja aprovado, o número de isentos saltará de 16 milhões para cerca de 26 milhões, ou 65% dos declarantes do IRPF, segundo a Receita Federal. Para trabalhadores como motoristas (R$ 3.650 mensais, economia de R$ 1.058/ano) ou professores (R$ 4.867, economia de R$ 3.970/ano), o alívio será significativo. Já quem ganha acima de R$ 7 mil, como um profissional com R$ 10 mil mensais, continuará pagando cerca de R$ 1.849 por ano, sem mudanças. Estados e municípios não perderão arrecadação, pois o aumento da massa salarial e do consumo deve compensar via ICMS, ISS e IBS, segundo o governo. A tramitação no Congresso, liderado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), será um teste. Motta sinalizou apoio ao “alcance social” da proposta, mas abriu espaço para ajustes. O vice-líder do governo, Rubens Pereira Júnior (PT-MA), defendeu a medida como um passo rumo à justiça tributária, enquanto o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), propôs um limite de isenção maior, de R$ 10 mil, sem indicar compensações fiscais. O mercado financeiro reagiu com cautela. Economistas como Felipe Salto, da Warren Investimentos, estimam um custo maior, entre R$ 35 e R$ 45 bilhões, dependendo da abrangência dos benefícios. Críticas apontam que a taxação dos “super-ricos” (0,13% dos contribuintes) pode não ser suficiente, e há receios de que o Congresso aprove a isenção sem a contrapartida, agravando o déficit público. O economista Samuel Pessôa (FGV) classificou a medida como “eleitoreira”, mirando as eleições de 2026. O projeto, que tramitará como lei complementar, depende de aprovação até dezembro para valer em 2026, respeitando o princípio da anualidade tributária. Se implementado, será a maior reforma do IR em décadas, mas sua viabilidade depende de negociações políticas e da capacidade do governo de convencer o Congresso sobre a neutralidade fiscal. Enquanto isso, a proposta coloca Feira de Santana e outras cidades brasileiras no radar de um debate que pode transformar o bolso de milhões.