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  • Suspeito foge e deixa portão aberto; PM entra e descobre depósito de drogas | NINJAFSA

    Suspeito foge e deixa portão aberto; PM entra e descobre depósito de drogas | NINJAFSA
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    Segurança Pública

    Suspeito foge e deixa portão aberto; PM entra no imóvel e descobre depósito de drogas em Feira de Santana

    Durante ronda preventiva no bairro Sobradinho, guarnições avistaram homem em atitude suspeita. Ao notar a viatura, ele fugiu tão rápido que esqueceu o portão aberto. Dentro da residência, a PM encontrou tabletes de maconha, cocaína, balanças, materiais de embalagem e cadernos com anotações do tráfico.

    Material apreendido pela PM no depósito de drogas em Feira de Santana
    Parte do material apreendido dentro do imóvel que funcionava como depósito de distribuição de entorpecentes. Crédito: Polícia Militar da Bahia / Central de Polícia
    Material apreendido no depósito
    Tabletes de maconha prensada
    Dezenas de tabletes encontrados no interior do imóvel
    Pinos com substância análoga à cocaína
    Acondicionados em pinos individuais para distribuição
    Balanças de precisão
    Utilizadas para pesagem e fracionamento das drogas
    Material para embalagem
    Plásticos, sacos e outros insumos para acondicionamento
    Cadernos com anotações do tráfico local
    Registros de dívidas, nomes e movimentação financeira do tráfico — material de alto valor investigativo para a Polícia Civil
     Resumo da matéria — clique para expandir

    Na tarde do último sábado (21), guarnições da Polícia Militar realizavam rondas preventivas no bairro Sobradinho, em Feira de Santana, quando avistaram um homem em atitude suspeita. Ao perceber a aproximação da viatura, o suspeito saiu em fuga a pé com tanta pressa que deixou o portão da residência aberto. Os policiais entraram no imóvel para verificar se o homem ainda estava escondido e encontraram uma estrutura completa de armazenamento e distribuição de drogas: dezenas de tabletes de maconha prensada, pinos com substância análoga à cocaína, balanças de precisão, materiais de embalagem e cadernos com anotações detalhadas do tráfico local. Todo o material foi encaminhado à Central de Polícia no bairro Sobradinho. O suspeito não foi localizado até o momento da publicação.

    Uma situação inusitada transformou uma ronda preventiva de rotina em uma apreensão expressiva de drogas no bairro Sobradinho, em Feira de Santana, na tarde deste sábado (21). Guarnições da Polícia Militar percorriam a região quando avistaram um homem em atitude suspeita. Ao notar a aproximação da viatura, o indivíduo tomou uma decisão que custou caro para o esquema de tráfico que ele aparentemente gerenciava: saiu correndo com tanta pressa que deixou o portão da residência aberto para trás.

    Os policiais iniciaram a perseguição e, ao entrarem no imóvel para verificar se o suspeito ainda estava escondido nas dependências, se depararam com algo bem diferente de uma casa comum. O local havia sido estruturado como um verdadeiro centro de distribuição de entorpecentes: dezenas de tabletes de maconha prensada, pinos contendo substância análoga à cocaína, balanças de precisão e farto material para embalagem estavam espalhados pela residência, revelando uma operação de tráfico bem organizada no interior do imóvel.

    O item que mais chamou a atenção dos policiais, do ponto de vista investigativo, foram os cadernos encontrados no local. Repletos de anotações manuscritas, esses registros costumam conter informações sobre dívidas de usuários, nomes de fornecedores, quantidades distribuídas e movimentação financeira do tráfico — material que pode ser decisivo para o trabalho da Polícia Civil na identificação de outros integrantes da rede.

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    Segundo a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), todo o material apreendido foi conduzido à Central de Polícia localizada no próprio bairro Sobradinho, onde foi registrado e ficará à disposição da autoridade policial. As buscas pelo suspeito foram realizadas em todo o perímetro do imóvel e nas imediações do bairro logo após a fuga, mas o indivíduo não foi localizado. Sua identificação e captura seguem como objetivo das investigações em andamento.

    “O suspeito fugiu com tanta pressa que não fechou o portão. Ao entrarem para verificar se ele ainda estava escondido, os policiais encontraram toda a estrutura do tráfico montada.”
    — SSP-BA, em nota sobre a ocorrência de sábado (21)

    O episódio se encaixa em um padrão que a PM de Feira de Santana tem encontrado com mais frequência em operações recentes no município: imóveis que servem como pontos de estocagem e distribuição — os chamados “depósitos do tráfico” —, estruturados com divisão de funções, controle financeiro por escrito e estoque suficiente para abastecer vários pontos de venda. A descoberta não apenas retira produto de circulação, como interrompe, ao menos temporariamente, a cadeia de abastecimento de uma ou mais bocas de fumo da região.

    O suspeito que deixou o portão aberto ainda não foi localizado até o fechamento desta matéria. A reportagem acompanha o caso e atualizará esta página assim que houver novas informações sobre a identificação ou captura do foragido.
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  • Irã ameaça fechar ‘totalmente’ Estreito de Ormuz caso Trump ataque instalações energéticas

    Irã ameaça fechar ‘totalmente’ Estreito de Ormuz caso Trump ataque instalações energéticas | NINJAFSA
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    Urgente Prazo do ultimato de Trump vence nesta segunda-feira (23) — Guerra no Oriente Médio na 4ª semana
    Internacional

    Irã ameaça fechar ‘totalmente’ Estreito de Ormuz caso Trump ataque instalações energéticas

    Guarda Revolucionária avisa que o estreito “só será reaberto quando nossas usinas reconstruídas”. Trump dera prazo de 48 horas — que termina amanhã — para Teerã liberar a passagem ou ver suas centrais elétricas “obliteradas”. Irã abateu F-15, bombardeou Dimona e lançou mísseis em direção à base americana de Diego Garcia.

    Navios no Estreito de Ormuz
    Navios no Golfo Arábico em direção ao Estreito de Ormuz, nos Emirados Árabes Unidos. Crédito: AP Photo / G1
    Contagem regressiva — prazo do ultimato de Trump
    —
    horas
    —
    minutos
    —
    segundos
    23/03
    prazo
    Trump publicou o ultimato às 23h15 de sábado (21). Prazo de 48h vence na noite desta segunda-feira (23).
    20%Do petróleo e GNL mundial passa pelo Estreito de Ormuz
    4ªSemana de guerra entre EUA-Israel e Irã
    3 semanasQue o estreito está efetivamente fechado à navegação
    Escalada de ameaças — Trump × Irã
    Trump (EUA)
    Ultimato de 48h para Irã reabrir o Estreito de Ormuz
    Ameaça “obliterar” usinas de energia do Irã, começando pela maior
    Afirma que marinha e força aérea do Irã estão “mortas”
    Marines e embarcações pesadas continuam avançando para a região
    Diz que “a liderança iraniana se foi”
    Irã (Guarda Revolucionária)
    Estreito será “completamente fechado” se usinas forem atacadas
    Só reabrirá quando as centrais destruídas forem reconstruídas
    Instalações de energia em países com bases dos EUA serão “alvos legítimos”
    Empresas com capital americano no Oriente Médio serão “destruídas”
    Afirma ter abatido um F-15 sobre a costa sul do país
     Resumo da matéria — clique para expandir

    O Irã respondeu neste domingo (22) ao ultimato emitido pelo presidente Donald Trump na madrugada de sábado para domingo: a Guarda Revolucionária anunciou que fechará totalmente o Estreito de Ormuz caso os Estados Unidos ataquem as instalações de energia do país. O prazo de 48 horas dado por Trump — para que o Irã reabra o Estreito ou veja suas usinas “obliteradas” — termina na noite desta segunda-feira (23). A guerra entre a coalizão americana-israelense e o Irã entra em sua quarta semana sem sinais de trégua. O Irã bombardeou as cidades israelenses de Dimona e Arad com mísseis que atravessaram as defesas antiaéreas, deixando 80 feridos em Arad. O Iraque e a Arábia Saudita também foram alvos. Mísseis iranianos foram lançados na direção da base de Diego Garcia, no Oceano Índico. A Guarda Revolucionária afirmou ter abatido um caça F-15. O diretor da OMS alertou que o conflito entrou em “fase perigosa” com os ataques a instalações nucleares. O estreito está efetivamente fechado à maioria dos petroleiros há três semanas, comprometendo 20% do fornecimento global de petróleo e gás.

    O relógio começou a contar na madrugada de sábado para domingo. Às 23h15 do horário de Brasília de sábado (21), Donald Trump postou na Truth Social um ultimato: o Irã tinha 48 horas para reabrir totalmente o Estreito de Ormuz ou veria suas usinas de energia “obliteradas”, a começar pela maior. Vinte e quatro horas depois, Teerã respondeu com a mesma moeda. A Guarda Revolucionária emitiu comunicado anunciando que o estreito será completamente fechado caso os EUA ataquem e que só voltará a funcionar depois que as centrais destruídas sejam reconstruídas. O prazo vence nesta segunda-feira (23).

    O cenário desta manhã de domingo é de escalada em todas as frentes. O Irã lançou mísseis que atravessaram as defesas antiaéreas israelenses e atingiram as cidades de Dimona e Arad, no sul de Israel, deixando mais de 80 feridos em Arad — perigosamente próximo ao Centro de Pesquisa Nuclear do Negev. Netanyahu visitou os escombros e chamou de “milagre” o fato de não ter havido mortes, declarando que Israel irá atrás de todos os dirigentes iranianos, “pessoalmente”. No norte do país, um civil morreu em ataque do Hezbollah. Sirenes soaram por todo o território israelense durante horas.

    As ameaças iranianas vão além do estreito. O presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, declarou que as infraestruturas críticas e as instalações de energia de países aliados dos EUA na região serão “irreversivelmente destruídas” se as centrais iranianas forem atacadas. O Iraque e a Arábia Saudita já foram alvos: três mísseis balísticos tiveram Riad como destino. Os Emirados Árabes disseram ter repelido ataques com mísseis e drones. E a Guarda Revolucionária anunciou ter abatido um caça F-15 que sobrevolava a costa sul do Irã — um vídeo do suposto abate circulou neste domingo pela agência estatal IRNA.

    O embaixador do Irã na Organização Marítima Internacional, Ali Mousavi, tentou matizar o discurso da Guarda Revolucionária, afirmando que o Estreito de Ormuz permanece tecnicamente aberto — mas apenas para navios de países que não sejam considerados “inimigos do Irã”. Na prática, o canal que normalmente conduz 20% de todo o petróleo e gás natural liquefeito transportados no mundo está efetivamente bloqueado para a maioria dos petroleiros há mais de três semanas, provocando cortes na produção de grandes exportadores que não têm para onde escoar o petróleo bruto. A escalada foi uma das causas da alta do barril do tipo Brent, que passou de US$ 60 para mais de US$ 100 no início do mês — e que levou a Petrobras a reajustar o diesel no Brasil em R$ 0,38 por litro.

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    Impacto econômico global — o que está em jogoO fechamento total do Estreito de Ormuz interromperia o transporte de cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia — quase um quinto do consumo mundial. Analistas projetam que o barril poderia ultrapassar US$ 150 em cenário de bloqueio prolongado, com efeito direto nos preços de combustíveis, alimentos e frete no mundo inteiro, incluindo no Brasil.

    A posição dos EUA é ambígua nos bastidores. Trump voltou ao tom belicoso depois de ter sinalizado, apenas um dia antes do ultimato, que queria “reduzir” o conflito. A guinada surpreendeu aliados europeus e gerou tensão com a ONU. O Kremlin disse que a Europa “não tem poder para chantagear ninguém” sobre o Estreito. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou que o conflito entrou em uma “fase perigosa” com os ataques próximos ao complexo de Dimona — considerado o coração do programa nuclear israelense, embora Israel mantenha sua política de “ambiguidade estratégica” sobre o tema.

    “O Estreito de Ormuz será completamente fechado e só será reaberto quando nossas usinas hidrelétricas destruídas forem reconstruídas.”
    — Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, em comunicado oficial deste domingo (22)

    O presidente iraniano Masoud Pezeshkian publicou no X que “ameaças e terror apenas fortalecem nossa unidade” e que o Irã “confronta firmemente as ameaças delirantes no campo de batalha”. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, reiterou que a proibição de passagem afeta apenas navios de países “inimigos” — mas não especificou quais seriam esses países ou como a distinção seria operacionalizada. Enquanto o prazo do ultimato de Trump corre, fuzileiros navais dos EUA e embarcações pesadas de desembarque continuam se deslocando em direção à região.

    Linha do tempo da escalada

    • Início de março/2026
      Guerra entre a coalizão EUA-Israel e o Irã começa. Barril do Brent dispara de US$ 60 para mais de US$ 100. Estreito de Ormuz começa a ser bloqueado.
    • 19 mar. 2026
      Navios de carga tentam ainda navegar pelo Golfo Arábico em direção ao estreito sob crescente pressão.
    • 20 mar. 2026
      Trump sinaliza interesse em “reduzir” o conflito, gerando esperança de desescalada.
    • 21 mar. 2026 — 23h15 (Brasília)
      Trump muda de tom e publica ultimato na Truth Social: 48 horas para o Irã reabrir o estreito ou ver usinas “obliteradas”.
    • 22 mar. 2026
      Irã bombarda Dimona e Arad (Israel), ataca Iraque e Arábia Saudita, lança mísseis em direção a Diego Garcia e anuncia fechamento total do estreito como retaliação a ataques nas usinas.
    • 23 mar. 2026 — noite
      Prazo do ultimato de Trump vence. Decisão de atacar ou não as usinas iranianas pode mudar o curso do conflito.
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  • Gilmar Mendes anula quebra de sigilo do fundo Arleen, que comprou participação em resort ligado a Toffoli

    Gilmar Mendes anula quebra de sigilo do fundo Arleen, ligado a resort de Toffoli | NINJAFSA
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    Judiciário

    Gilmar Mendes anula quebra de sigilo do fundo Arleen, que comprou participação em resort ligado a Toffoli

    Decano do STF barrou pela segunda vez investigação da CPI do Crime Organizado conectada ao ministro Dias Toffoli. A decisão protege o fundo Arleen, administrado pela Reag — investigada na Operação Compliance Zero — que comprou a fatia da empresa Maridth, de Toffoli, no Resort Tayayá, no Paraná.

    Ministro Gilmar Mendes no STF
    Ministro Gilmar Mendes, decano do STF, autor da decisão. Crédito: Congresso em Foco
    Resort Tayayá no Paraná
    Resort Tayayá, no Paraná, no centro das conexões investigadas. Crédito: Gazeta do Povo
    Mapa das conexões — entenda quem está ligado a quem
    ⚖️
    Dias Toffoli
    Ministro do STF · Declarou suspeição no caso Master · Sócio da Maridth
    sócio de / vendeu fatia para
    🏨
    Maridth Participações
    Empresa de Toffoli e irmãos · Tinha participação no Resort Tayayá · Vendeu fatia ao Arleen em 2021
    comprou fatia via Reag / ligado ao
    💼
    Fundo Arleen
    Gerido pela Reag · Reag investigada na Op. Compliance Zero (caso Vorcaro/Master)
    A CPI do Crime Organizado queria quebrar o sigilo do Arleen. Gilmar Mendes barrou a medida nesta quinta-feira (19).
    Fevereiro de 2026
    1ª decisão: quebra de sigilo da Maridth anulada
    Gilmar barrou a investigação da CPI sobre a empresa de Toffoli e irmãos, dizendo que o caso não tem relação com o objetivo da comissão (crime organizado/facções).
    19 mar. 2026 — hoje
    2ª decisão: quebra de sigilo do Arleen anulada
    Gilmar estendeu a mesma lógica ao fundo que comprou a fatia de Toffoli no resort, argumentando que a CPI aprovou o pedido em bloco, sem análise individualizada.
     Resumo da matéria — clique para expandir

    O ministro Gilmar Mendes, decano do STF, anulou nesta quinta-feira (19) a quebra dos sigilos fiscal e bancário do Fundo Arleen, aprovada pela CPI do Crime Organizado no Senado. O fundo, administrado pela Reag Investimentos — investigada pela PF na Operação Compliance Zero —, comprou em 2021 a participação que a família do ministro Dias Toffoli tinha no Resort Tayayá, no Paraná, por meio da empresa Maridth Participações. A quebra de sigilo havia sido requerida pelo senador Sergio Moro e aprovada junto a outros pedidos, em bloco — o que Gilmar considerou inconstitucional, por não ter análise individualizada e fundamentada. É a segunda vez que o decano barra investigação conectada a Toffoli: em fevereiro, já havia anulado a quebra de sigilo da própria Maridth. Toffoli nega conhecer o gestor do fundo, nega vínculos com Vorcaro e declarou suspeição no caso Master em fevereiro deste ano.

    O ministro Gilmar Mendes usou pela segunda vez, nesta quinta-feira (19), o mesmo argumento para bloquear investigações que tocam o colega Dias Toffoli. A decisão desta manhã anula a quebra dos sigilos fiscal e bancário do Fundo Arleen, aprovada pela CPI do Crime Organizado do Senado. A razão formal: a comissão aprovou o pedido de forma conjunta, em bloco, sem a análise individualizada e fundamentada que Gilmar considera obrigatória para medidas de tamanha gravidade sobre direitos fundamentais.

    O caminho que liga o Fundo Arleen ao ministro Toffoli passa por um resort de luxo no interior do Paraná. Em 2021, o fundo — administrado pela Reag Investimentos — comprou a participação que a empresa Maridth Participações tinha no Resort Tayayá, em Ribeirão Claro. A Maridth é de Toffoli e de seus irmãos. O próprio ministro admitiu a sociedade quando ainda era relator do caso Banco Master no STF. A transação chamou atenção porque a Reag, gestora do Arleen, está sendo investigada pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero — a mesma operação que prendeu Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em novembro de 2024 e em março de 2026.

    A quebra de sigilo do Arleen havia sido requerida pelo senador Sergio Moro (União-PR) e aprovada pela CPI junto com outros pedidos, no mesmo pacote. Gilmar criticou exatamente esse procedimento. Em sua decisão, o decano argumentou que aprovar quebras de sigilo “em bloco” e “de forma simbólica” viola a Constituição, porque cada caso exige debate individualizado e motivação específica. Acrescentou que “a quebra de sigilo não constitui ato ordinário de investigação, mas medida de caráter excepcional”. O próprio ministro Flávio Dino havia questionado esse formato anteriormente no STF, o que Gilmar usou como reforço ao seu argumento.

    O padrão se repete. Em fevereiro deste ano, Gilmar já havia anulado a quebra de sigilo da própria Maridth — com os mesmos fundamentos que usou hoje para proteger o Arleen. Naquela ocasião, o decano afirmou que as investigações sobre a empresa da família Toffoli não têm relação com o objetivo da CPI do Crime Organizado, instalada em novembro de 2025 para diagnosticar o avanço de facções e milícias no Brasil. A decisão desta quinta-feira se estende ao pedido feito pelo Arleen pelos mesmos motivos, segundo o próprio Gilmar.

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    A dimensão política da decisão é considerável. Toffoli está sob pressão crescente desde que os vínculos entre ele, a Reag, o Arleen e o banqueiro Vorcaro vieram à tona durante as investigações do caso Master. Em manifestações anteriores, Toffoli afirmou não conhecer o gestor do fundo Arleen e negou qualquer relação pessoal com Vorcaro, declarando que nunca recebeu valores do banqueiro nem de seu cunhado Fabiano Zettel. Em fevereiro, após o tema ganhar dimensão pública e uma reunião reservada com outros ministros, Toffoli concordou em se afastar da relatoria do caso Master, o que abriu caminho para André Mendonça assumir e, dias depois, formar a maioria pela manutenção da prisão de Vorcaro.

    “Não se pode perder de perspectiva que a quebra de sigilo não constitui ato ordinário de investigação, mas medida de caráter excepcional. A aprovação de atos de tal natureza não pode ocorrer em bloco nem de forma simbólica.”
    — Ministro Gilmar Mendes, STF, em decisão desta quinta-feira (19)

    O argumento formal de Gilmar não é, em si, absurdo: o STF já tinha precedentes questionando aprovações em bloco de medidas invasivas por CPIs. O problema apontado pelos críticos é que o decano escolheu exercer esse controle de forma seletiva — e que as duas únicas decisões nesse sentido, até agora, protegem exclusivamente interesses ligados ao colega Toffoli. O STF como um todo ainda não se pronunciou sobre o tema em plenário. Gilmar adiantou que, até que o colegiado delibere em sentido diverso, sua orientação será usada como “parâmetro de controle imediato da atuação das CPIs” — o que, na prática, sinaliza que novas decisões semelhantes podem vir pela frente.

    A CPI do Crime Organizado, por sua vez, não se manifestou imediatamente sobre a decisão. O senador Moro, autor do requerimento bloqueado, tende a recorrer ao plenário do STF. O resultado desse eventual recurso dirá muito sobre os limites reais que a Corte está disposta a colocar nas investigações que envolvem seus próprios integrantes — ou os negócios de suas famílias.

    Linha do tempo — Toffoli, Arleen, Maridth e o Resort Tayayá

    • 2021
      Fundo Arleen, gerido pela Reag, compra participação da Maridth (empresa de Toffoli e irmãos) no Resort Tayayá, no Paraná.
    • Nov. 2024
      Operação Compliance Zero: PF prende Daniel Vorcaro. Reag e Arleen aparecem nas investigações como ligadas ao ecossistema financeiro do Banco Master.
    • Jan. 2026
      Toffoli, ainda relator do caso Master no STF, admite ser sócio da Maridth. Pressão política cresce.
    • Fev. 2026
      Após reunião reservada, Toffoli se afasta da relatoria do caso Master. Gilmar anula quebra de sigilo da Maridth aprovada pela CPI do Crime Organizado.
    • 4 mar. 2026
      Vorcaro é preso pela segunda vez na 5ª fase da Compliance Zero. STF forma maioria 3×0 para mantê-lo preso.
    • 19 mar. 2026
      Gilmar anula a quebra de sigilo do Arleen aprovada pela CPI. Segunda decisão protegendo investigações ligadas a Toffoli. CPI pode recorrer ao plenário.
    Próximos passosGilmar sinalizou que o plenário do STF deverá se pronunciar sobre os limites das CPIs para aprovar quebras de sigilo. Enquanto isso não ocorrer, o decano usará sua orientação como parâmetro. O senador Sergio Moro (União-PR), autor do requerimento bloqueado, deve recorrer ao colegiado.
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  • PF investiga contrato milionário de tablets na gestão Moema Gramacho sob suspeita de superfaturamento

    PF investiga contrato milionário de tablets na gestão Moema Gramacho | NINJAFSA
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    Operação PF e CGU deflagram Operação Nota de Conceito nesta terça-feira (17) em Lauro de Freitas e Salvador
    Política & Segurança Pública

    PF investiga contrato milionário de tablets na gestão Moema Gramacho sob suspeita de superfaturamento

    Operação Nota de Conceito apura fraude em licitação de R$ 16,4 milhões para compra de 21,3 mil tablets em Lauro de Freitas. PF aponta documentos falsos, restrição de concorrência e empresa de Salvador que repassou serviços a outra de Santa Catarina. Moema nega ser alvo.

    Tássio Brito e Moema Gramacho
    Tássio Brito, presidente do PT-BA, e a ex-prefeita Moema Gramacho (PT) em evento do partido em novembro de 2025. Crédito: Jornal Grande Bahia
    R$16,4miPagos no contrato investigado
    21.300Tablets previstos na licitação
    R$26,5miEm bens bloqueados por investigado
    25Policiais e auditores na operação
    Como funcionava o esquema — irregularidades apontadas pela PF
    Licitação montada para um vencedor
    O certame foi estruturado para restringir a concorrência. A Multilaser, que apresentou proposta de R$ 12,5 mi (mais barata), foi desclassificada sob alegação de falta de suporte técnico — contestada pela empresa. Venceu a Conceito Representação, com proposta de R$ 14,1 mi.
    Documentos falsos em todas as etapas
    A PF aponta uso de documentação fraudada durante o processo licitatório e também na fase de execução contratual — inclusive na formalização de um termo aditivo baseado em cotações de preços adulteradas.
    Empresa de Salvador repassou serviços a outra de SC
    Embora a vencedora da licitação (Conceito Representação) estivesse sediada em Salvador, os serviços foram executados por empresa diferente, com sede em Santa Catarina. Mesmo assim, o município pagou R$ 16,4 mi à empresa baiana — configurando, segundo a PF, indevido superfaturamento.
    Tablets incluídos para inflar o contrato
    A investigação aponta que os 21.300 tablets foram incluídos no objeto do contrato de forma indevida e com preços acima do mercado, com o objetivo de elevar o valor total da contratação.
    Aditivo com cotações fraudadas elevou ainda mais o valor
    Contrato nº 219/2020 tinha prazo inicial de 4 meses (dez/2020), mas foi prorrogado com base em termo aditivo fundamentado em cotações manipuladas, e executado até agosto de 2022.

    Crimes pelos quais os investigados poderão responder

    Fraude em licitação
    Peculato
    Corrupção ativa
    Lavagem de dinheiro
    Organização criminosa
     Resumo da matéria — clique para expandir

    A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (17) a Operação Nota de Conceito em parceria com a CGU, investigando suspeitas de fraude em licitação e desvio de recursos públicos em Lauro de Freitas durante a gestão da ex-prefeita Moema Gramacho (PT). O foco é o Contrato nº 219/2020, firmado em dezembro daquele ano, que previa o fornecimento de solução integrada de ensino à distância para o ensino fundamental, incluindo 21.300 tablets. O município pagou R$ 16,4 milhões à empresa vencedora — sediada em Salvador —, mas os serviços foram executados por outra empresa, de Santa Catarina. A PF aponta documentos falsos, restrição de concorrência, inclusão indevida de tablets para inflar custos e cotações fraudadas no termo aditivo. Foram cumpridos 6 mandados de busca e apreensão e bloqueados bens de até R$ 26,5 milhões por investigado em Lauro de Freitas e Salvador, com 25 policiais e auditores. A PF esclareceu que Moema Gramacho não figura entre os alvos diretos da operação — o foco são pessoas ligadas à formalização e execução do contrato e à empresa investigada. A denúncia original foi feita em 2021 pela então vereadora Débora Régis, hoje prefeita de Lauro de Freitas.

    A manhã desta terça-feira (17) começou com 25 policiais federais e auditores da Controladoria-Geral da União nas ruas de Lauro de Freitas e de Salvador. A Operação Nota de Conceito — nome que carrega sua própria ironia — foi deflagrada para investigar o que a PF descreve como um esquema completo de fraude: da licitação aos documentos, das cotações ao repasse dos serviços, tudo estruturado para direcionar dinheiro público para fora dos cofres da educação municipal. No centro da investigação, um contrato de R$ 16,4 milhões firmado durante a gestão da ex-prefeita Moema Gramacho (PT) para fornecer tablets a estudantes da rede pública — equipamentos que chegaram atrasados e a preços acima do mercado.

    O contrato em questão é o de nº 219/2020, assinado em 21 de dezembro de 2020 pela Secretaria Municipal de Educação de Lauro de Freitas. O objeto era uma “solução integrada para o ensino fundamental na modalidade à distância”, que incluía 21.300 tablets para alunos e professores, licenças de software e treinamento via EAD. O prazo original era de quatro meses — mas o contrato foi prorrogado e executado até agosto de 2022, com um termo aditivo no meio do caminho. Segundo a PF, esse aditivo foi assinado com base em cotações de preços fraudadas, o que elevou artificialmente o valor total do negócio sem justificativa técnica real.

    A licitação, segundo os investigadores, foi estruturada desde o início para favorecer uma empresa específica: a Conceito Representação e Importação e Exportação, sediada em Salvador. Três empresas participaram do certame. A Multilaser — fabricante nacional de tablets, com proposta de R$ 12,5 milhões, a mais barata — foi desclassificada na segunda fase sob alegação de ausência de suporte técnico próprio. A Multilaser contestou a desclassificação. Venceu a Conceito, com proposta de R$ 14,1 milhões. O valor final pago pelo município, porém, chegou a R$ 16,4 milhões — diferença atribuída aos aditivos e que, segundo a PF, apresenta fortes indícios de superfaturamento.

    O ponto mais revelador da investigação é a execução do contrato. Embora a empresa vencedora estivesse sediada em Salvador, os serviços foram efetivamente prestados por uma empresa diferente, com sede no estado de Santa Catarina. O município pagou integralmente à empresa baiana, que repassou a execução para a catarinense — configurando, na avaliação da PF, uma triangulação que levanta suspeitas de lavagem de dinheiro e superfaturamento. Em toda a cadeia — do processo licitatório à execução — a PF identificou documentos falsos.

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    A origem da investigação remonta a 2021, quando os tablets ainda não tinham chegado às mãos dos alunos. À época vereadora de Lauro de Freitas, Débora Régis (União Brasil) — hoje prefeita do município — protocolou denúncias no Ministério Público Federal, no MP estadual e na própria Polícia Federal, apontando o atraso na entrega e as suspeitas de irregularidade no processo. O contrato previa que os equipamentos fossem distribuídos logo no início de 2021. A operação desta terça-feira é o fruto tardio dessa denúncia feita quase cinco anos atrás.

    “A ex-gestora permanece à inteira disposição das autoridades competentes para quaisquer esclarecimentos que se façam necessários, reafirmando seu compromisso com a transparência e o respeito às instituições.”
    — Nota da assessoria de Moema Gramacho após a Operação Nota de Conceito

    A PF foi clara ao esclarecer o escopo da operação: Moema Gramacho não figura entre os investigados. Os alvos são as pessoas responsáveis pela formalização e execução do contrato e os envolvidos com a empresa investigada. A ex-prefeita, por sua vez, também negou ter sido alvo de qualquer diligência em sua residência. A secretária de Educação à época, Vânia Galvão, foi mencionada nas apurações como responsável pela pasta durante a contratação. A atual gestão de Lauro de Freitas informou que não havia sido oficialmente notificada sobre a operação até o momento da publicação desta matéria.

    Linha do tempo — Do contrato à operação

    • Dez. 2020
      Prefeitura de Lauro de Freitas assina Contrato nº 219/2020. Multilaser, com proposta mais barata (R$ 12,5 mi), é desclassificada. Vence a Conceito Representação (R$ 14,1 mi).
    • Início de 2021
      Tablets não são entregues nos prazos. Vereadora Débora Régis protocola denúncias no MPF, MP-BA e PF apontando atraso e suspeitas de fraude.
    • 2021–2022
      Termo aditivo é firmado com cotações fraudadas, elevando o valor do contrato. Serviços são executados por empresa de Santa Catarina, não pela vencedora baiana.
    • Ago. 2022
      Contrato encerrado. Município já pagou R$ 16,4 milhões à empresa de Salvador.
    • 2024
      Débora Régis vence as eleições e assume a Prefeitura de Lauro de Freitas. Moema Gramacho encerra mandato.
    • 17 mar. 2026
      Operação Nota de Conceito: 6 mandados de busca e apreensão + bloqueio de bens de até R$ 26,5 mi por investigado em Salvador e Lauro de Freitas. 25 agentes da PF e CGU na ação.
    Posição de Moema GramachoA ex-prefeita negou que tenha sido alvo de diligências em sua residência. Em nota, sua assessoria afirmou que as informações nesse sentido são “inverídicas” e reiterou que ela “permanece à inteira disposição das autoridades competentes”. A PF confirmou que Moema não figura entre os investigados da operação.
    Posição da Prefeitura de Lauro de FreitasA atual gestão de Débora Régis (União Brasil) informou que não havia sido oficialmente notificada sobre a operação. O município afirmou “reforçar seu compromisso com a legalidade, a transparência e a correta aplicação dos recursos públicos” e disse estar à disposição das autoridades.
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  • Os “Netos” da Bahia: deputados federais baianos lideram propostas para reverter mudanças na CNH no Congresso

    Deputados baianos propõem restrições na CNH e revisão das mudanças do governo | NINJAFSA
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    Política & Trânsito

    Os “Netos” da Bahia: deputados federais baianos lideram propostas para reverter mudanças na CNH no Congresso

    Neto Carletto (Avante) e Zé Neto (PT) são protagonistas no debate que pode mudar de vez as regras para tirar carteira de motorista no Brasil — da restrição para quem aprende em automático até a revisão da carga horária, testes e vínculo com autoescolas.

    Deputado Neto Carletto (Avante-BA)
    Neto Carletto
    Avante · Deputado Federal (BA) · Relator do PL 1452/25
    Deputado Zé Neto (PT-BA)
    Zé Neto
    PT · Deputado Federal (BA) · Autor do PL 1452/25
    As 5 principais propostas em debate na Câmara
    Restrição na CNH para quem aprende em automático
    Quem fizer todo o processo em carro automático terá isso registrado na carteira e só poderá dirigir esse tipo de veículo. Para dirigir manuais, precisará de curso complementar e novo exame.
    Neto Carletto
    Retorno da carga horária de 20 horas práticas
    O governo Lula reduziu o mínimo de 20h para apenas 2h de aulas práticas. A comissão debate reverter essa mudança, recompondo a formação do condutor.
    Comissão
    Exigência de vínculo com autoescolas
    Uma emenda propõe que instrutores autônomos só possam atuar em cidades onde não exista autoescola credenciada pelo Detran local, protegendo as 15 mil empresas do setor.
    Comissão
    Retorno dos testes obrigatórios (baliza e rampa)
    O governo eliminou provas como a de baliza, rampa e controle de embreagem. O relator Áureo Ribeiro (RJ) questiona o fim dessas avaliações e defende a manutenção de exames rigorosos.
    Comissão
    CNH Social financiada por multas de trânsito
    Proposta de Zé Neto prevê que parte da arrecadação de multas de trânsito financie a CNH Social para pessoas de baixa renda no CadÚnico — alternativa para manter as autoescolas sem encarecer o documento.
    Zé Neto
    CNH: antes × depois das mudanças do governo Lula
    Regras antigas
    20 horas mínimas de aulas práticas obrigatórias
    Vínculo obrigatório com autoescola credenciada
    Provas de baliza, rampa e controle de embreagem
    Apenas câmbio manual no exame prático
    Custo médio: R$ 3.500 a R$ 5.000
    Novas regras (governo Lula)
    Mínimo de apenas 2 horas de aulas práticas
    Instrutor autônomo credenciado, sem autoescola
    Fim das provas de baliza, rampa e embreagem
    Automático liberado no exame prático (sem restrição)
    Custo estimado: até R$ 236 (queda de até 80%)
     Resumo da matéria — clique para expandir

    Dois deputados federais baianos estão no centro do debate que pode reverter as mudanças promovidas pelo governo Lula no processo de obtenção da CNH. Neto Carletto (Avante-BA) é o relator que aprovou na Comissão de Viação e Transportes a proposta que restringe a habilitação de quem aprender em carro automático — quem fizer o curso e o exame em automático só poderá dirigir esse tipo de veículo, com a limitação registrada na carteira. Já Zé Neto (PT-BA) é o autor original do PL 1452/25, que autorizou as aulas em automáticos, mas não previa restrições — e também propôs que multas de trânsito financiem a CNH Social. Uma comissão especial instalada em 10 de março na Câmara debate reverter a redução da carga horária de 20h para 2h, o retorno da obrigatoriedade das autoescolas, a reintrodução de testes como baliza e rampa, e o possível retorno de aulas presenciais nos CFCs. O setor alega risco para 15 mil empresas e 300 mil empregos. O parecer final deve sair em 45 dias.

    Dois deputados federais da Bahia viraram protagonistas de um dos debates mais acalorados do Congresso em 2026: a revisão das mudanças feitas pelo governo Lula no processo de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação. Em lados complementares da mesma mesa, Neto Carletto (Avante) e Zé Neto (PT) estão moldando o que pode ser uma reforma completa das regras para tirar a CNH no Brasil — com consequências diretas para quem pretende se habilitar este ano.

    O ponto mais concreto que já avançou no Congresso é a proposta de restrição na CNH para quem aprender a dirigir em carro automático. A Comissão de Viação e Transportes da Câmara aprovou, com o parecer do relator Neto Carletto, que candidatos que fizerem todo o processo de habilitação em veículos automáticos terão essa limitação registrada na própria carteira — e só poderão conduzir esse tipo de veículo. Para dirigir um carro com câmbio manual, será necessário fazer um curso complementar e passar por nova avaliação prática. A proposta ainda precisará passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes de ir ao plenário.

    O deputado justificou a mudança com um argumento simples: se o motorista não aprendeu a operar um câmbio mecânico, ele não deveria estar legalmente autorizado a dirigir um veículo que exige esse conhecimento. “É forçoso constar no documento de habilitação do condutor que optar por fazer o curso e o exame em veículo com câmbio automático que ele não está apto a dirigir veículo com câmbio mecânico”, disse o deputado. O texto manteve a obrigatoriedade do exame em câmbio manual para as categorias profissionais C, D e E — as de caminhão, ônibus e veículos especiais.

    O projeto de Neto Carletto, vale dizer, é um substitutivo que modifica o texto original apresentado pelo colega Zé Neto (PT-BA). Na versão de Zé Neto, as autoescolas seriam autorizadas a oferecer aulas em veículos automáticos — sem, no entanto, prever qualquer restrição posterior para o motorista aprovado. Foi Carletto quem introduziu a limitação como condição para a aprovação do projeto na comissão. A relação entre os dois parlamentares baianos no mesmo projeto — um como autor, outro como relator com alterações substanciais — ilustra a complexidade do debate, em que aliados do governo e da oposição divergem dentro do próprio tema.

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    O pano de fundo de tudo isso é a reforma promovida pelo governo Lula para baratear a CNH. As mudanças reduziram a carga horária mínima de aulas práticas de 20 horas para apenas 2 horas, criaram a figura do instrutor autônomo credenciado pelo Detran — dispensando o vínculo com autoescola —, eliminaram provas tradicionais como a de baliza, rampa e controle de embreagem, e reduziram custos estimados de até R$ 5 mil para valores a partir de R$ 236. O ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), defendeu as mudanças argumentando que as antigas exigências criavam um “ambiente de reprovação” desnecessário.

    “Nós temos que baratear a carteira. A carteira é cara, não dá para aceitar esse preço. Mas não podemos desqualificar o condutor, entregar o carro nas mãos de alguém desinformado, desqualificado.”
    — Deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), membro da base governista na comissão

    O setor de autoescolas reagiu com pressão direta sobre o Congresso. A comissão instalada na Câmara ganhou força sob a liderança do setor de CFCs e da CNC, com o argumento principal de que as novas regras colocam em risco 15 mil empresas e 300 mil empregos, além de comprometer a segurança viária. O presidente da comissão especial, deputado Coronel Meira (PL-PE), chegou a orientar donos de autoescolas a lotar as galerias do plenário durante as audiências públicas para pressionar os parlamentares — cena incomum mesmo para os padrões do Congresso.

    Zé Neto, por sua vez, buscou uma saída que proteja tanto os trabalhadores das autoescolas quanto os candidatos à CNH de baixa renda. A proposta do deputado prevê que as autoescolas recebam parte da arrecadação do governo com multas de trânsito para oferta de CNHs a pessoas de baixa renda inscritas no CadÚnico. A ideia seria garantir receita para o setor sem manter os preços elevados para o cidadão comum — um caminho alternativo à simples reversão das reformas.

    Calendário de audiências públicas — Comissão Especial da CNH
    25
    Mar
    Processo de formação de condutores — carga horária, autoescolas e instrutores autônomos
    08
    Abr
    Regras para exames médicos, psicológicos e toxicológicos
    15
    Abr
    Fiscalização de velocidade e sistemas de pedágio
    Mai
    2026
    Previsão de votação do relatório final — antes do período eleitoral

    O relator da comissão especial, deputado Áureo Ribeiro (Solidariedade-RJ), também coloca na mesa uma proposta que não tem relação direta com as mudanças do governo: a redução da idade mínima para tirar CNH de 18 para 16 anos, com obrigatoriedade de um adulto responsável no carro durante a condução. O argumento é de coerência legal — se um jovem de 16 anos pode votar, por que não pode dirigir? A proposta ainda divide especialistas em segurança viária. O parecer final da comissão deve ser divulgado em até 45 dias, antes do período eleitoral de 2026.

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  • 71% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6×1, mostra Datafolha

    71% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6×1, mostra Datafolha | NINJAFSA
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    Economia & Trabalho

    71% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6×1, mostra Datafolha

    Apoio cresceu 7 pontos percentuais desde dezembro de 2024. Mulheres (77%), jovens de 16 a 24 anos (83%) e eleitores de Lula (82%) lideram o suporte à mudança. PEC tramita no Congresso com prioridade do governo para o primeiro semestre.

    Pesquisa Datafolha sobre fim da escala 6x1
    Manifestação pelo fim da escala 6×1 em São Paulo. Crédito: Blog do Magno / Reprodução

    Datafolha — Fim da escala 6×1

    3–5 mar. 2026 · 2.004 entrevistados · 137 municípios · Margem de erro: ±2 p.p.
    71%
    favoráveis
    Favoráveis à redução
    71%
    Contrários
    27%
    Não responderam
    3%
    Evolução do apoio — dez/2024 × mar/2026
    Favoráveis — dez/2024 64%
    Favoráveis — mar/2026 71%
    Contrários — dez/2024 33%
    Contrários — mar/2026 27%
    Apoio por perfil — % favoráveis
    👩
    Mulheres
    77% a favor22% contra
    👨
    Homens
    64% a favor34% contra
    🧑
    Jovens 16–24 anos
    83% a favor16% contra
    🧓
    60 anos ou mais
    55% a favor41% contra
    🗳️
    Eleitores de Lula (2022)
    82% a favor16% contra
    🗳️
    Eleitores de Bolsonaro (2022)
    55% a favor43% contra
    💼
    Trabalham 6–7 dias/semana
    68% a favor31% contra
    🏖️
    Trabalham até 5 dias/semana
    76% a favor22% contra
    Pesquisa Datafolha realizada entre 3 e 5 de março de 2026. Foram ouvidas 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 137 municípios brasileiros. Margem de erro: ±2 pontos percentuais. Nível de confiança: 95%. Divulgada pela Folha de S.Paulo em 14 de março.
     Resumo da matéria — clique para expandir

    Uma pesquisa Datafolha divulgada no sábado (14) confirma que sete em cada dez brasileiros querem o fim da escala 6×1. O apoio à redução da jornada máxima de trabalho saltou de 64% em dezembro de 2024 para 71% em março de 2026 — alta de 7 pontos percentuais em três meses. A rejeição caiu de 33% para 27% no mesmo período. O crescimento do apoio é transversal: cobre todos os gêneros, faixas etárias e preferências político-partidárias. Mulheres (77%), jovens de 16 a 24 anos (83%) e eleitores de Lula (82%) lideram. Mesmo entre eleitores de Bolsonaro, a maioria — 55% — é favorável. A proposta em debate no Congresso prevê a substituição da escala 6×1 por uma jornada de 40 horas semanais, em cinco dias, sem redução salarial, o chamado modelo 5×2.

    Sete em cada dez brasileiros querem trabalhar menos. Essa é, em resumo, a mensagem do mais recente levantamento do Datafolha sobre o fim da escala 6×1, pesquisa divulgada no sábado (14) pela Folha de S.Paulo. Com 71% de aprovação, o apoio à redução da jornada máxima de trabalho atingiu seu maior patamar desde que o tema entrou com força no debate público — em novembro de 2024, quando manifestações tomaram a Avenida Paulista com o empurrão do movimento criado pela influenciadora Rick Azevedo.

    O dado mais revelador da pesquisa não é o número em si, mas a sua velocidade de crescimento. Em apenas três meses — entre dezembro de 2024 e março de 2026 —, o apoio saltou de 64% para 71%, enquanto a rejeição despencou de 33% para 27%. São sete pontos de diferença em favor da proposta, conquistados em um trimestre em que o tema ainda não avançou concretamente no Congresso. A tendência sugere que, quanto mais o assunto é debatido, mais a população adere à ideia.

    O perfil de quem apoia a mudança revela um dado politicamente significativo: o apoio é majoritário em todos os grupos — mesmo naqueles historicamente associados a posições mais conservadoras sobre direitos trabalhistas. Entre os eleitores de Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022, 55% são favoráveis ao fim da escala e apenas 43% são contrários. No campo oposto, entre eleitores de Lula, o apoio chega a 82%. A leitura que fica é simples: esse não é um debate partidário. É um debate de quem trabalha muito e descansa pouco.

    Um recorte chama atenção pelo aparente paradoxo: quem trabalha seis ou sete dias por semana — ou seja, quem seria o mais direto beneficiário da mudança — apoia menos a medida (68%) do que quem já trabalha até cinco dias (76%). O Datafolha oferece uma explicação: entre os que cumprem jornadas mais longas, há maior proporção de autônomos e empresários, para os quais trabalhar mais dias pode significar ganhar mais. Entre os que já têm escala 5×2, predominam servidores públicos, cuja remuneração não varia com o número de horas trabalhadas.

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    A geração mais jovem empurra o debate com mais força. Entre os entrevistados de 16 a 24 anos, 83% são favoráveis ao fim da escala — o maior índice de qualquer faixa etária. Esse dado não é acidental: foi justamente a geração Z que protagonizou o movimento nas redes sociais e nas ruas em 2024, tornando o tema viral antes de ele sequer ser formalmente apresentado ao Congresso. À medida que essa geração envelhece e ocupa mais postos no mercado de trabalho, a pressão política por essa mudança tende a crescer.

    O recorte de gênero também é expressivo. As mulheres apoiam o fim da escala com mais intensidade do que os homens: 77% contra 64%. A diferença está alinhada com o argumento mais frequentemente usado pelo presidente Lula para justificar a proposta — o de que a redução da jornada beneficiaria especialmente as mulheres, que frequentemente acumulam o emprego com tarefas domésticas e cuidado de filhos, configurando a chamada dupla jornada.

    “A redução da jornada de trabalho pode beneficiar especialmente as mulheres, que muitas vezes saem do trabalho e ainda têm um segundo turno em casa.”
    — Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em pronunciamento no Dia das Mulheres

    Quanto ao impacto da mudança, a pesquisa mostra que os brasileiros são otimistas para si mesmos e mais divididos quando o assunto é a economia ou as empresas. Sobre a qualidade de vida dos trabalhadores, 76% acreditam que o efeito seria positivo. Para a economia brasileira como um todo, 50% avaliam impacto positivo e 24% negativo. Já sobre as empresas, o empate é quase perfeito: 39% enxergam efeitos positivos e 39%, negativos — a divisão mais honesta da pesquisa, porque reflete exatamente o debate em aberto entre economistas.

    O cenário político para a aprovação da proposta é delicado. O governo Lula sinalizou que sua prioridade não é exatamente acabar com a escala em si, mas reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas — o que pode ser feito por lei ordinária, sem precisar de PEC. Presidentes de partidos do Centrão já avisaram a empresários que a estratégia é travar a PEC na Comissão de Constituição e Justiça. A votação pode ocorrer no primeiro semestre de 2026, mas sem um acordo político consolidado, o calendário segue incerto. O que a pesquisa deixa claro, porém, é que o eleitorado já escolheu um lado.

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  • Ator Julio Rocha e equipe são abordados pela GCM ao simular assalto em vídeo com a mãe

    Ator Julio Rocha e equipe são abordados pela GCM ao simular assalto em vídeo | NINJAFSA
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    Entretenimento

    Ator Julio Rocha e equipe são abordados pela GCM ao simular assalto em vídeo com a mãe

    Conhecido pela novela Três Graças, da Globo, o artista gravava conteúdo para as redes sociais em São Paulo quando guardas municipais reagiram à encenação. A situação foi controlada após a equipe provar a intenção artística. “Foi por pouco”, contou o ator.

    Julio Rocha e equipe abordados pela GCM em São Paulo
    Momento em que a GCM aborda a equipe de Julio Rocha durante a gravação da encenação. Crédito: Metrópoles / Reprodução
    JR

    Julio Rocha, 45 anos

    Ator paulistano com carreira iniciada aos 15 anos. Ficou conhecido por Duas Caras (2007), Fina Estampa e Amor à Vida (2013). Retornou às novelas em 2025 após 11 anos de pausa, interpretando o capanga Edilberto em Três Graças, das 21h da TV Globo, escrita por Aguinaldo Silva.

    Três Graças (Globo) Duas Caras Fina Estampa Amor à Vida
     Resumo da matéria — clique para expandir

    O ator Julio Rocha, atualmente no elenco de Três Graças (Globo), e sua equipe de produção foram abordados por agentes da Guarda Civil Municipal (GCM) de São Paulo após simular um assalto em vídeo para as redes sociais. A encenação envolvia a mãe do ator como “vítima”. Transeuntes que assistiram à gravação acionaram a GCM acreditando ser um assalto real. Os guardas chegaram ao local já durante a cena, causando tensão. A situação foi resolvida pacificamente após a equipe explicar que se tratava de uma produção artística e exibir os equipamentos de gravação. O ator relatou a situação nas redes sociais com bom humor, dizendo que “foi por pouco” e alertando para a necessidade de comunicar previamente as autoridades em gravações de cenas sensíveis em locais públicos.

    A tarde desta sexta-feira (13) reservou uma cena que nenhum roteirista precisaria inventar: o ator Julio Rocha, conhecido pelo papel do capanga Edilberto na novela Três Graças, da TV Globo, se viu cercado por agentes da Guarda Civil Municipal de São Paulo enquanto gravava — com a própria mãe — uma encenação de assalto para publicar nas redes sociais. O que era conteúdo virou ocorrência. Ou quase.

    A situação ocorreu em uma rua de São Paulo quando Julio e sua equipe de produção montavam a cena: a mãe do ator seria abordada em uma simulação de roubo, com câmeras posicionadas para capturar a encenação de diferentes ângulos. O que a equipe não previu foi a reação dos passantes. Moradores que assistiram à cena de longe, sem perceber os equipamentos de gravação, acionaram a GCM acreditando estar testemunhando um assalto real. Os guardas chegaram ao local ainda com a cena em andamento.

    A abordagem foi tensa nos primeiros momentos. Os agentes não tinham como saber, a princípio, que se tratava de uma produção — e agiram conforme o protocolo. Julio e a equipe foram parados, identificados e precisaram explicar a situação, mostrando os equipamentos de filmagem, o roteiro e, provavelmente, o próprio rosto do ator, reconhecível pelo público da novela das nove. A confusão foi desfeita rapidamente e ninguém foi levado à delegacia.

    Vídeo da encenação que gerou a abordagem da Guarda Civil Municipal de São Paulo. (Reprodução / NINJAFSA)

    Como a gravação virou abordagem policial

    • Início da tarde
      Julio Rocha e equipe chegam ao local escolhido em São Paulo e posicionam câmeras para gravar a encenação de assalto.
    • Durante a cena
      Transeuntes observam o que parece ser um assalto real. Sem perceber os equipamentos de filmagem, acionam a GCM.
    • Abordagem
      Guardas municipais chegam ao local com a cena ainda em andamento e abordam o ator, a mãe e toda a equipe.
    • Resolução
      Equipe exibe equipamentos, explica a proposta artística e a situação é resolvida pacificamente. Ninguém é detido.
    • Repercussão
      Julio Rocha compartilha o episódio nas redes com bom humor, alerta sobre a necessidade de comunicar autoridades e o vídeo viraliza.
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    Nas redes sociais, Julio transformou o susto em conteúdo — o que, paradoxalmente, acabou sendo exatamente o que ele pretendia desde o início. O ator contou a história com bom humor, usou a expressão “foi por pouco” para descrever a tensão do momento e, de quebra, deixou um recado implícito para outros criadores de conteúdo: encenações que envolvem ações criminosas em locais públicos precisam de comunicação prévia às autoridades competentes. O conselho é prático — e legal: sem aviso formal, esse tipo de gravação pode ser enquadrada em perturbação da ordem pública ou, dependendo da reação dos envolvidos, em situações mais graves.

    “Foi por pouco. A gente não avisou a GCM e quase virou um barraco. Fica a lição: em São Paulo, se parecer assalto, vai ter abordagem.”
    — Julio Rocha, em publicação nas redes sociais após o episódio

    Julio Rocha está no ar desde outubro de 2025 em Três Graças, novela escrita por Aguinaldo Silva exibida nas 21h da TV Globo. O retorno à emissora encerrou um jejum de 11 anos desde sua última novela, Amor à Vida (2013). Na trama atual, interpreta Edilberto, capanga leal e enigmático do grande vilão Ferette, vivido por Murilo Benício — um personagem que, ironicamente, passa boa parte do tempo simulando ser algo que não é. A vida imita a arte, às vezes com a GCM presente.

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  • Vorcaro troca de advogado no mesmo dia em que STF forma maioria pela prisão e abre caminho para delação

    Vorcaro troca de advogado e abre caminho para delação premiada | NINJAFSA
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    Judiciário

    Vorcaro troca de advogado no mesmo dia em que STF forma maioria pela prisão e abre caminho para delação

    Pierpaolo Bottini e Roberto Podval saem da defesa; entra José Luís Oliveira Lima, o “Juca”, criminalista com histórico de acordos de delação premiada na Lava Jato. Movimento é lido nos bastidores como sinal de que o dono do Banco Master se prepara para fechar colaboração com a PF.

    Daniel Vorcaro, dono do Banco Master
    Daniel Vorcaro, fundador e ex-presidente do Banco Master, preso na Penitenciária Federal de Brasília. Crédito: InfoMoney
    3×0 Placar no STF pela manutenção da prisão
    8 Celulares de Vorcaro em perícia pela PF
    R$2,2bi Valor ocultado pelo pai do banqueiro, aponta PF
    Mudança na defesa — o que mudou
    Saem
    Pierpaolo Bottini
    Escritório Bottini & Tamasauskas. Tem entre seus clientes potenciais delatados por Vorcaro, especialmente políticos do Centrão. Subestabeleceu procuração alegando motivos pessoais.
    Roberto Podval
    Ainda avalia saída, mas tendência é deixar o caso por ter ligação próxima com o ministro Dias Toffoli, potencial delatado de Vorcaro.
    Entra
    José Luís Oliveira Lima (“Juca”)
    Um dos principais criminalistas do país. Na Lava Jato, fechou acordos de delação premiada. É também advogado de Walter Braga Netto e representou José Dirceu no mensalão. Perfil considerado mais agressivo.
    Sérgio Leonardo
    Permanece na equipe de defesa de Vorcaro.
     Resumo da matéria — clique para expandir

    No mesmo dia em que a Segunda Turma do STF formou maioria de 3×0 para manter Daniel Vorcaro preso na Penitenciária Federal de Brasília, o banqueiro dono do Banco Master trocou dois de seus três advogados. Saíram Pierpaolo Bottini e, possivelmente, Roberto Podval — ambos com conflitos de interesse que inviabilizariam a condução de um acordo de delação. Entrou José Luís Oliveira Lima, o “Juca”, criminalista com histórico de fechamento de acordos de colaboração premiada. Nos bastidores, a movimentação é interpretada por fontes do STF e da advocacia criminal como sinal de que Vorcaro prepara uma delação que pode atingir empresários, presidentes de partidos, ministros e políticos do Centrão. A PF já tem 8 celulares do banqueiro em análise pericial. A defesa oficial negou que qualquer tratativa de delação esteja em andamento.

    O mesmo dia que selou a maioria pela manutenção de sua prisão também marcou uma reviravolta silenciosa na estratégia de Daniel Vorcaro. Na tarde desta sexta-feira (13), enquanto os votos de André Mendonça, Luiz Fux e Kássio Nunes Marques se acumulavam no plenário virtual do STF, o dono do Banco Master promovia uma troca cirúrgica em sua equipe jurídica — movimento que, nos bastidores do Judiciário e da advocacia criminal, tem um único significado possível: o caminho para a delação premiada foi aberto.

    Pierpaolo Bottini, do escritório Bottini & Tamasauskas, formalizou sua saída subestabelecendo uma procuração para o novo defensor, alegando motivos pessoais. Roberto Podval ainda não assinou formalmente sua saída, mas a tendência, segundo fontes ouvidas pela CNN Brasil e pelo Metrópoles, é de que ele também deixe o caso. O motivo da saída de ambos é o mesmo que torna sua presença incompatível com um eventual acordo de colaboração: entre os nomes que Vorcaro poderia citar em uma delação estão grandes empresários, presidentes de partidos e políticos influentes — alguns deles clientes dos próprios advogados que estão de saída.

    Quem assume a linha de frente da defesa é José Luís Oliveira Lima, o “Juca” — um dos criminalistas mais experientes do país em acordos de delação premiada. Na Lava Jato, foi o responsável por fechar colaborações premiadas que mudaram os rumos das investigações. No currículo recente, consta a defesa de Walter Braga Netto, o ex-candidato a vice-presidente de Bolsonaro preso pelas tentativas de golpe de Estado. Antes, representou José Dirceu no processo do mensalão. O perfil é descrito como “mais agressivo” pelos próprios pares — não apenas no sentido combativo, mas no sentido de avançar em estratégias que criminalistas mais tradicionais evitam.

    A motivação atribuída a Vorcaro para considerar a delação é objetiva. Aliados do banqueiro afirmam que ele começou a pesar a possibilidade de colaboração a partir do momento em que entendeu que a prisão colocava em risco não apenas sua liberdade, mas também a de familiares — seu cunhado Fabiano Zettel está preso, e a PF aponta que seu pai, Henrique Vorcaro, ocultou R$ 2,2 bilhões de vítimas do Master em seu nome na gestora Reag. Uma delação poderia, em tese, reduzir o tempo de pena e proteger o avanço das investigações sobre pessoas próximas.

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    Nos bastidores, há ainda um detalhe técnico que torna o caso incomum: a possível delação poderia ser negociada diretamente com a Polícia Federal — e não com a Procuradoria-Geral da República. A Lei das Organizações Criminosas prevê essa possibilidade, embora ela seja pouco utilizada. O criminalista Paulo Suzano, ouvido pelo Metrópoles, resumiu o cenário com precisão: “O caso de Vorcaro é muito singular, e um caso tão inédito também deve ter soluções inéditas.” A PF já tem oito celulares do banqueiro em análise pericial — três foram recolhidos no momento da segunda prisão, em 4 de março. Os aparelhos ainda não passaram por perícia técnica completa e devem revelar novas conversas com autoridades dos três poderes.

    “A pessoa só envereda pela colaboração premiada caso venha a colaborar com investigação e possa trazer, entre outras coisas, a dissolução de alguma organização criminosa.”
    — Paulo Suzano, advogado criminalista, ao Metrópoles

    O peso político do que Vorcaro pode revelar é o que torna a situação explosiva. As primeiras extrações de celulares já apontaram contatos com autoridades dos três poderes — incluindo uma mensagem em que o banqueiro, no dia em que foi preso pela primeira vez, em novembro de 2024, perguntava se alguém havia conseguido “bloquear” algo. O ministro Alexandre de Moraes negou ser o destinatário da mensagem. Além disso, um contrato de cerca de R$ 130 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes — esposa do ministro — já havia alimentado questionamentos sobre a proximidade entre as partes.

    O que uma delação de Vorcaro pode revelar

    Ministros do STFMensagens com Toffoli (suspeito no caso) e suposto contato com Moraes já estão no radar da PF.
    Presidentes de partidos e políticos do CentrãoFonte direta de conflito de interesses que motivou a saída de Bottini e Podval da defesa.
    Servidores do Banco CentralPF investiga acesso indevido de Vorcaro a informações sigilosas da autarquia durante as investigações.
    Grandes empresários e mercado financeiroA PF apura relações de Vorcaro com outros operadores e instituições bancárias em quatro núcleos de investigação.
    Nota oficial da defesa de Daniel Vorcaro “A defesa de Daniel Vorcaro declara que são inverídicas as notícias relacionadas à iniciativa de tratativas de delação premiada de Daniel Vorcaro. Essa informação jamais partiu de qualquer dos advogados envolvidos no caso, e sua divulgação tem o único objetivo de prejudicar o exercício da defesa nesse momento sensível.”

    A defesa formal nega qualquer tratativa em andamento. Mas a troca de advogados fala por si — e o mercado de informações de Brasília interpreta movimentos desse tipo antes mesmo das notas oficiais. O julgamento virtual no STF segue aberto até as 23h59 do dia 20 de março. Ainda falta o voto do ministro Gilmar Mendes, presidente da Segunda Turma. Com três votos a zero em favor da manutenção da prisão, o resultado final já não deve mudar — mas o que vem depois disso pode sacudir o País de um jeito muito mais profundo do que o placar de um julgamento.

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  • Bolsonaro está na UTI com broncopneumonia, diz boletim médico

    Bolsonaro está na UTI com broncopneumonia, diz boletim médico | NINJAFSA
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    Urgente Boletim médico confirmado pelo Hospital DF Star — 13 de março de 2026
    Saúde & Política

    Bolsonaro está na UTI com broncopneumonia, diz boletim médico

    Ex-presidente foi socorrido pela madrugada na Papudinha com febre alta, queda de saturação, vômitos e calafrios. SAMU e Corpo de Bombeiros fizeram o transporte. Hospital DF Star confirma diagnóstico de broncopneumonia bacteriana bilateral nos dois pulmões.

    Jair Bolsonaro internado com broncopneumonia
    Bolsonaro internado no Hospital DF Star, em Brasília, na manhã desta sexta-feira (13). Crédito: Diário do Centro do Mundo
    Boletim Médico Oficial — Hospital DF Star
    Brasília, 13 de março de 2026 · Assinado por Dr. Brasil Caiado, Dr. Antônio Aurélio Fagundes Jr. e Dr. Allisson Barcelos Borges
    Diagnóstico
    Broncopneumonia bacteriana bilateral — origem aspirativa
    Local de internação
    UTI — Unidade de Terapia Intensiva
    Sintomas de entrada
    Febre alta, queda de saturação de O₂, sudorese, calafrios e vômitos
    Tratamento em curso
    Antibioticoterapia venosa + suporte clínico não invasivo
    Previsão de alta
    Não divulgada
    Chegada ao hospital
    Aproximadamente 8h50 — via SAMU e Corpo de Bombeiros
     Resumo da matéria — clique para expandir

    O ex-presidente Jair Bolsonaro foi internado na UTI do Hospital DF Star, em Brasília, na manhã desta sexta-feira (13) com broncopneumonia bacteriana bilateral de provável origem aspirativa. Ele passou mal na Papudinha, unidade prisional onde cumpre pena de 27 anos e 3 meses, durante a madrugada, com crises de vômito e falta de ar. O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 7h40 e o SAMU realizou o transporte. O filho Flávio Bolsonaro, que visitou o pai no hospital, afirmou que esta é a pior internação do ex-presidente em relação ao volume de líquido nos pulmões. O ministro Alexandre de Moraes autorizou visitas dos filhos e determinou vigilância policial 24 horas, além de proibir celulares e computadores no quarto. Sem previsão de alta.

    Esta matéria está sendo atualizada em tempo real. As informações refletem o boletim médico oficial divulgado às 13h deste 13 de março de 2026.

    O ex-presidente Jair Bolsonaro iniciou a manhã desta sexta-feira (13) sob cuidados intensivos. Internado na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital DF Star, em Brasília, ele foi diagnosticado com broncopneumonia bacteriana bilateral de provável origem aspirativa — uma infecção bacteriana grave que atingiu os dois pulmões simultaneamente. A informação consta em boletim médico oficial assinado por três médicos da instituição e divulgado no início da tarde, após ter sido antecipado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que publicou o documento em seu perfil do Instagram com a mensagem “Em oração”.

    A sequência de eventos começou durante a madrugada. Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos e 3 meses na Papudinha — unidade prisional do complexo penitenciário da Papuda, em Brasília —, apresentou crises de vômito e falta de ar enquanto dormia. Seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), foi o primeiro a tornar a informação pública, relatando nas redes sociais que o pai havia acordado com calafrios e episódios de vômito. O Corpo de Bombeiros do Distrito Federal foi acionado por volta das 7h40 e realizou o primeiro atendimento no local. O SAMU então assumiu o transporte, e Bolsonaro chegou ao DF Star por volta das 8h50, acompanhado de equipes da Polícia Militar do Distrito Federal.

    Já no hospital, exames de imagem e laboratoriais confirmaram o diagnóstico de broncopneumonia bacteriana bilateral. A origem aspirativa sugere que o quadro foi provocado pela entrada de conteúdo gástrico — possivelmente em razão dos episódios de vômito — nas vias aéreas, o que pode desencadear inflamação severa e infecção em ambos os pulmões. O tratamento em curso inclui antibioticoterapia administrada diretamente na veia e suporte clínico não invasivo, o que indica que, ao menos até o momento, não houve necessidade de intubação ou ventilação mecânica. O hospital não divulgou previsão de alta.

    Ao sair do hospital após visitar o pai, Flávio Bolsonaro falou com jornalistas e não escondeu a preocupação com o estado de saúde do ex-presidente. Segundo o senador, os médicos informaram que esta é a pior internação de Bolsonaro no que diz respeito à quantidade de líquido acumulada nos pulmões. Flávio também aproveitou o momento para criticar as condições de encarceramento na Papudinha, insinuando que o ambiente poderia estar contribuindo para o agravamento da saúde do pai.

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    O ministro Alexandre de Moraes, relator do processo no STF, tomou providências imediatas. Autorizou que os filhos Jair Renan, Flávio, Carlos e Laura, além da enteada Letícia, possam visitar Bolsonaro durante o período de internação. O ministro também determinou que a vigilância do ex-presidente fique a cargo do Núcleo de Custódia do 19º Batalhão da PMDF, com dois policiais militares na porta do quarto, além de equipes dentro e fora do hospital — 24 horas por dia. Celulares, computadores e quaisquer dispositivos eletrônicos foram expressamente proibidos no ambiente onde Bolsonaro está internado, com exceção de equipamentos médicos.

    “Essa perseguição parece não ter fim. Nós buscamos forças para continuar e eu confesso a vocês que está difícil.”
    — Carlos Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente, em rede social

    A internação desta sexta não é episódio isolado. Bolsonaro apresenta problemas de saúde recorrentes desde a facada sofrida durante a campanha eleitoral de 2018 em Juiz de Fora (MG), que causou complicações gastrointestinais sérias e o submeteu a múltiplas cirurgias ao longo dos anos seguintes. Em 20 de fevereiro, seu filho Carlos já havia comunicado nas redes sociais que o pai passara mal — sem detalhar se houve atendimento médico na ocasião.

    A defesa de Bolsonaro havia solicitado ao STF a transferência para prisão domiciliar, argumentando exatamente a fragilidade de seu estado de saúde e afirmando que a Papudinha não dispõe de estrutura suficiente para os cuidados necessários. No início de março, a Primeira Turma do STF rejeitou o pedido. O ministro Moraes sustentou, em seu voto, que o ex-presidente recebe atendimento médico contínuo na unidade prisional e registrou que a intensa agenda de visitas de parlamentares, governadores e aliados demonstra que Bolsonaro mantém plena atividade política de dentro da prisão — argumento usado para justificar que ele tem condições de permanecer na Papudinha.

    Histórico recente de saúde

    • 2018
      Bolsonaro é esfaqueado em Juiz de Fora (MG) durante campanha eleitoral. Sofre múltiplas cirurgias e complicações gastrointestinais que persistem até hoje.
    • Nov. 2024
      Condenado a 27 anos e 3 meses, começa a cumprir pena na Papudinha. Defesa já aponta problemas de saúde para pedir regime domiciliar.
    • 20 fev. 2026
      Carlos Bolsonaro informa que o pai passou mal, sem detalhar se houve atendimento médico.
    • 5 mar. 2026
      1ª Turma do STF rejeita pedido de prisão domiciliar por saúde. Moraes sustenta que Papudinha tem estrutura adequada.
    • 13 mar. 2026 · 7h40
      Bombeiros acionados na Papudinha após vômitos e falta de ar durante a madrugada.
    • 13 mar. 2026 · 8h50
      Bolsonaro chega ao Hospital DF Star via SAMU. Internado na UTI com broncopneumonia bacteriana bilateral.

    O médico Cláudio Birolini, que acompanha Bolsonaro há anos, informou que saiu de São Paulo com destino a Brasília assim que soube da internação, para avaliar pessoalmente o quadro clínico e acompanhar os exames solicitados pela equipe do DF Star. A equipe médica, por ora, não divulgou qualquer previsão para a alta hospitalar do ex-presidente.

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  • STF forma maioria para manter Vorcaro preso em julgamento da Segunda Turma

    STF forma maioria para manter Vorcaro preso | NINJAFSA
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    Judiciário

    STF forma maioria para manter Vorcaro preso em julgamento da Segunda Turma

    Mendonça, Fux e Nunes Marques votaram pela manutenção da prisão preventiva do banqueiro do Banco Master. Gilmar Mendes ainda não votou; Toffoli declarou suspeição e está fora do julgamento.

    Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, preso
    Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, preso pela segunda vez em 4 de março de 2026. Crédito: SAP-SP / EFE
    Ministros André Mendonça e Luiz Fux no STF
    Ministros André Mendonça (relator) e Luiz Fux, que votaram pela manutenção da prisão preventiva. Crédito: DGABC
    Julgamento em andamento — Plenário Virtual · até 20/03/2026
    Placar: STF — 2ª Turma referenda prisão de Vorcaro
    AM
    André Mendonça
    Mantém
    LF
    Luiz Fux
    Mantém
    KN
    Nunes Marques
    Mantém
    GM
    Gilmar Mendes
    Pendente
    DT
    Dias Toffoli
    Suspeito
    3 × 0
    Maioria formada pela manutenção da prisão.
    Votação segue aberta até 23h59 de 20/03.
     Resumo da matéria — clique para expandir

    A Segunda Turma do STF formou maioria nesta sexta-feira (13) para manter a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, preso pela segunda vez em 4 de março durante a 5ª fase da Operação Compliance Zero. Os ministros André Mendonça (relator), Luiz Fux e Kássio Nunes Marques votaram pela manutenção da medida. Ainda falta o voto do presidente do colegiado, Gilmar Mendes. Dias Toffoli declarou suspeição e não participa do julgamento. Também foram mantidas as prisões preventivas de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, e de Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado. A decisão sobre Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, perdeu eficácia em razão de seu falecimento na prisão.

    A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal consolidou nesta sexta-feira (13) a maioria necessária para manter Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, atrás das grades. Com votos favoráveis dos ministros André Mendonça, Luiz Fux e Kássio Nunes Marques, o placar chegou a três a zero pela manutenção da prisão preventiva do banqueiro, preso pela segunda vez no início deste mês. O julgamento ocorre em plenário virtual e a sessão ficará aberta para registro de votos até as 23h59 da próxima sexta-feira (20).

    Mendonça é o relator do caso na Corte. Ao votar pelo referendo da sua própria decisão monocrática, o ministro sustentou que a prisão preventiva se justifica pela necessidade de garantir a ordem pública, a ordem econômica e o regular andamento das investigações. Segundo o relator, mensagens encontradas em aparelhos de Vorcaro e de seus aliados revelam a existência de um grupo organizado para monitorar e intimidar adversários do banqueiro — batizado internamente de “A Turma”. Entre os registros mais graves citados no processo, constam diálogos em que o empresário teria sugerido a simulação de um assalto contra o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, com o objetivo de violentá-lo e silenciar críticas ao seu conglomerado financeiro.

    Fux e Nunes Marques seguiram na íntegra o voto do relator, sem apresentar ressalvas. No julgamento em plenário virtual, os ministros depositam seus votos no sistema eletrônico e, muitas vezes, não acompanham justificativas. Ambos têm até o dia 20 para eventualmente alterar suas posições, caso queiram. Falta ainda o pronunciamento de Gilmar Mendes, decano da Corte e presidente da Segunda Turma, que não havia votado até o fechamento desta edição.

    A composição reduzida da turma gerou tensão nos dias anteriores ao julgamento. Com Toffoli fora da votação — que declarou suspeição por foro íntimo após a Polícia Federal apontar troca de mensagens entre ele e Vorcaro —, a turma passou a contar com apenas quatro ministros aptos a votar. Esse cenário abria espaço para um eventual empate em dois a dois, situação que, pela Lei 14.386/2024, beneficiaria automaticamente o investigado — o que poderia resultar em prisão domiciliar ou uso de tornozeleira eletrônica no lugar da detenção na Penitenciária Federal de Brasília.

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    A defesa de Vorcaro havia alimentado esperança justamente nesse cenário. Com a maioria agora formada, a estratégia perde força. A Procuradoria-Geral da República, sob comando de Paulo Gonet, havia sido contrária à prisão, argumentando que as mensagens que embasaram a decisão de Mendonça eram antigas e que o falecimento do “Sicário” — o operador do grupo — já havia reduzido o risco apontado pelo ministro. Mendonça, por sua vez, criticou a PGR abertamente no texto de seu voto, afirmando lamentar que o órgão não tivesse reconhecido risco imediato no caso.

    “Existem fortes indícios da existência de grupo destinado a intimidar adversários e a monitorar autoridades, o que revela risco concreto de interferência nas investigações.”
    — Ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF

    Além de Vorcaro, a decisão de Mendonça alcançou outros investigados. Fabiano Zettel — empresário, pastor e cunhado do banqueiro, apontado como operador financeiro do grupo —, e Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado que teria atuado no esquema, permanecem presos. Apenas a medida relativa a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário” — responsável por operacionalizar supostas ameaças e coações contra desafetos de Vorcaro —, perdeu eficácia automaticamente em razão de seu falecimento na prisão, na semana passada.

    Linha do tempo — Caso Master

    • Fev. 2025
      Primeiras fases da Operação Compliance Zero apuram fraudes bilionárias no Banco Master.
    • Fev. 2026
      PF aponta troca de mensagens entre Toffoli e Vorcaro. Ministro se afasta do caso; relação vai para Mendonça.
    • 4 mar. 2026
      5ª fase da Compliance Zero: Vorcaro é preso pela segunda vez junto de Zettel, “Sicário” e ex-policial federal.
    • 11 mar. 2026
      Toffoli declara suspeição formal. STF rejeita pedido de CPI do Banco Master.
    • 13 mar. 2026
      Segunda Turma inicia julgamento virtual. Maioria de 3×0 formada pela manutenção da prisão. Gilmar ainda vota.

    Vorcaro está recolhido na Penitenciária Federal de Brasília — a mesma que abriga chefes de facções criminosas como Marcos Williams Herbas Camacho, o Marcola, líder do PCC. Mendonça concedeu ao banqueiro o benefício de que as comunicações com seus advogados não sejam monitoradas pela administração do presídio, o que gerou contestação de advogados de outros detentos que tentaram obter o mesmo tratamento. A defesa de Vorcaro informou que só se pronunciará sobre o resultado do julgamento após o voto de Gilmar Mendes.

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