Levantamento indica que pelo menos nove cônjuges de figuras públicas ligadas ao campo progressista ocupam cadeiras vitalícias em cortes de fiscalização; prática é questionada por especialistas

Conteúdo: Um cenário cada vez mais comum na administração pública brasileira tem gerado controvérsia neste início de 2026: a nomeação de esposas de políticos influentes para cargos de conselheiras em Tribunais de Contas (TCs) dos estados e municípios. Dados compilados apontam que pelo menos nove mulheres casadas com ex-governadores, ministros e parlamentares — majoritariamente ligados a partidos de esquerda e da base aliada federal — ocupam hoje essas posições estratégicas.
O Papel dos Tribunais de Contas Os Tribunais de Contas são órgãos auxiliares do Legislativo, fundamentais para a democracia. Eles têm a missão de fiscalizar o uso do dinheiro público, auditar obras e aprovar ou rejeitar as contas de gestores públicos. A presença de parentes diretos de políticos ativos nessas cortes levanta a discussão sobre a capacidade de isenção nos julgamentos.
“Nepotismo de Estilo Político” A prática não é exclusiva de um único espectro ideológico, mas o volume recente de indicações ligadas ao atual grupo político no poder chamou a atenção de analistas. A manobra muitas vezes dribla a Súmula Vinculante 13 do STF (que proíbe nepotismo), pois o entendimento jurídico atual permite nomeações para “cargos políticos” (como conselheiros e secretários), desde que não haja fraude à lei ou falta de qualificação técnica evidente.
Críticos argumentam, no entanto, que essas nomeações configuram um “nepotismo cruzado” moral, onde a máquina pública é utilizada para garantir cargos vitalícios, com estabilidade e altos salários (que podem chegar a R$ 40 mil, sem contar benefícios), para familiares, perpetuando o poder de clãs políticos regionais.
Repercussão Entidades da sociedade civil e associações de auditores de controle externo têm criticado a politização das cortes. O argumento é que a função deveria ser predominantemente técnica, ocupada por auditores de carreira, e não utilizada como moeda de troca ou “abrigo” para parentes de autoridades.
