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Banco Central sobe Selic a 14,25% com Galípolo e sinaliza novo ajuste em maio

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil anunciou, nesta quarta-feira (19), um aumento de 1 ponto percentual na taxa Selic, elevando os juros básicos da economia de 13,25% para 14,25% ao ano. A decisão, tomada por unanimidade na segunda reunião sob o comando do novo presidente do BC, Gabriel Galípolo, marca o retorno da Selic ao maior patamar desde outubro de 2016, quando estava em 14,25% durante o governo de Michel Temer. O ajuste reflete a tentativa de conter a inflação persistente, que segue acima da meta, e foi amplamente esperado pelo mercado financeiro. Galípolo, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e empossado em 1º de janeiro de 2025, assumiu o BC em um cenário de pressões inflacionárias agravadas por fatores como o câmbio volátil, a alta de preços de alimentos e incertezas fiscais. Em seu comunicado, o Copom destacou que “o cenário demanda uma política monetária mais contracionista” diante da “resiliência da atividade econômica” e das “expectativas de inflação desancoradas”. A meta de inflação, fixada em 3% com tolerância de 1,5 ponto para mais ou menos, foi ultrapassada em 2024, com o IPCA fechando em 4,83%, e as projeções para 2025 subiram para 5,5%, segundo o Boletim Focus. A alta de 1 ponto segue a sinalização dada na reunião de janeiro, quando a Selic passou de 12,25% para 13,25%. Para a próxima reunião, em maio, o Copom indicou um ajuste “de menor magnitude”, sugerindo uma desaceleração no ritmo de aperto monetário, possivelmente de 0,5 ponto, o que levaria a taxa a 14,75%. “A magnitude total do ciclo será ditada pela convergência da inflação à meta”, afirmou o comitê, mantendo a porta aberta para novos aumentos conforme o cenário econômico. O aumento impacta diretamente o bolso dos brasileiros. Juros mais altos encarecem empréstimos e financiamentos, freiam o consumo e elevam o custo da dívida pública — cada ponto percentual adiciona cerca de R$ 48 bilhões anuais ao Tesouro, segundo a Abrainc. Por outro lado, investimentos em renda fixa, como Tesouro Selic e CDBs, tornam-se mais atrativos, enquanto a poupança segue rendendo menos que a inflação. O dólar, que vinha em alta, pode se estabilizar com a entrada de capital estrangeiro atraído pelos juros elevados. A decisão ocorre em meio a críticas de Lula, que já chamou Galípolo de “mais sensato” que seu antecessor, Roberto Campos Neto, mas mantém ressalvas à política de juros altos. No mercado, a alta foi vista como um sinal de continuidade na gestão do BC, apesar da troca de comando. “Galípolo está seguindo o plano traçado, mas com uma comunicação mais assertiva”, avaliou o economista Sílvio Campos Neto, da Tendências Consultoria, ao O Globo. Para 2026, o Copom projeta um IPCA de 4%, ainda acima do centro da meta, indicando que a Selic deve permanecer em níveis elevados por mais tempo.

Hugo Motta nega perseguição política e exilados no Brasil em sessão sobre redemocratização

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta quarta-feira (19) que o Brasil não registra perseguições políticas, presos ou exilados políticos nos últimos 40 anos. A declaração foi feita durante uma sessão solene na Câmara que celebrou os 40 anos da redemocratização do país, marcando o aniversário da posse de José Sarney, em 15 de março de 1985, o primeiro presidente civil após 21 anos de ditadura militar. Em seu discurso, Motta destacou os avanços democráticos desde então. “Nos últimos 40 anos, não vivemos mais as mazelas do período em que o Brasil não era democrático. Não tivemos jornais censurados, nem vozes caladas à força, não tivemos perseguições políticas, nem presos, nem exilados políticos. Não tivemos crimes de opinião ou usurpação de garantias constitucionais. Não mais, nunca mais”, declarou o parlamentar, segundo registro da CNN Brasil. Ele exaltou a Constituição de 1988 como uma “bússola” para a defesa da liberdade e da justiça no país. A fala de Motta veio um dia após o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) anunciar sua licença do cargo e sua intenção de permanecer nos Estados Unidos, alegando ser vítima de perseguição política pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em especial pelo ministro Alexandre de Moraes. O timing da declaração do presidente da Câmara foi interpretado como uma resposta indireta às narrativas bolsonaristas, que frequentemente acusam o Judiciário de reprimir opositores do governo Lula. Contexto e reações Eleito em 1º de fevereiro de 2025 com 444 votos, Hugo Motta, aos 35 anos, é o mais jovem presidente da Câmara desde a redemocratização. Sua gestão tem se caracterizado por um tom conciliador, com apoio de partidos como PT e PL, refletindo sua habilidade de transitar entre espectros políticos opostos. No entanto, sua afirmação gerou reações mistas. Críticos no X, como o usuário @valdemarpaiva1, ironizaram: “Ele só pode estar se referindo à Noruega, Dinamarca ou Suíça”, sugerindo que a realidade brasileira recente contradiz o discurso de Motta, especialmente após os eventos de 8 de janeiro de 2023 e as prisões que se seguiram. De fato, os atos golpistas de 8 de janeiro resultaram na condenação de mais de 30 pessoas por crimes como tentativa de golpe de Estado, com penas que chegam a 17 anos, e na investigação de figuras como Jair Bolsonaro. Quatro brasileiras envolvidas no episódio foram presas nos EUA em março de 2025, após cruzarem a fronteira ilegalmente, usando a retórica de “exiladas políticas” para pedir asilo. Apesar disso, Motta manteve que tais casos não configuram perseguição política no sentido histórico, como no período da ditadura militar. Debate em aberto A declaração de Motta reforça a narrativa oficial de que o Brasil vive uma democracia plena desde 1985, mas ignora controvérsias recentes que alimentam o discurso da oposição. Enquanto o presidente da Câmara celebra a redemocratização, a licença de Eduardo Bolsonaro e as ações do STF seguem sendo usadas por Bolsonaristas para sustentar alegações de repressão. O embate evidencia uma polarização que desafia a visão de unidade democrática apresentada por Motta, deixando em aberto o debate sobre o estado atual das liberdades políticas no país.

TCU decide que presentes pessoais recebidos por presidentes não são patrimônio público

O Tribunal de Contas da União (TCU) tomou uma decisão histórica em 19 de fevereiro de 2025, ao estabelecer que presentes de caráter personalíssimo recebidos por presidentes da República durante seus mandatos não integram o patrimônio público, passando a pertencer aos próprios mandatários após o término de seus cargos. A resolução, aprovada por unanimidade em sessão plenária sob a relatoria do ministro Jorge Oliveira, redefine o tratamento dado a itens como joias, relógios, canetas e outros objetos de uso pessoal oferecidos por autoridades estrangeiras ou nacionais, marcando um ponto de virada em uma discussão que se arrastava há anos no Brasil. A decisão teve origem em um processo que analisava presentes recebidos pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), incluindo joias avaliadas em milhões de reais, como um kit de diamantes da Chopard e um relógio Rolex ofertados pela Arábia Saudita em 2019. Após denúncias de que Bolsonaro teria tentado incorporar esses itens ao seu patrimônio pessoal sem declaração à Receita Federal, o TCU foi acionado para esclarecer a destinação legal de tais bens. O julgamento, concluído em março de 2025, considerou que objetos de uso íntimo ou personalíssimo — desde que não ostentem valor histórico ou cultural significativo para o Estado — não precisam ser devolvidos ou incorporados ao acervo público. O que muda com a decisão? A Corte diferenciou os presentes em duas categorias principais: os de caráter personalíssimo, como roupas, acessórios e itens de uso cotidiano, que agora pertencem ao presidente ou ex-presidente; e os de valor histórico ou simbólico, como obras de arte ou peças representativas da nação, que devem ser mantidos como patrimônio público. O TCU argumentou que a ausência de uma legislação específica sobre o tema justificava a interpretação, baseada em práticas internacionais e em decisões anteriores do próprio tribunal. “Não há norma que obrigue a devolução desses bens. Cabe ao Congresso legislar sobre isso, mas, até lá, nossa decisão vale para todos os casos”, declarou o ministro Oliveira durante a sessão. O julgamento revisou um entendimento parcial de 2023, quando o TCU analisou presentes recebidos pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e permitiu que ele ficasse com itens personalizados, como uma caneta Montblanc, desde que objetos de grande valor fossem restituídos ao Estado. A nova resolução, porém, elimina a exigência de devolução baseada apenas no valor monetário, focando no critério de “caráter personalíssimo”. Isso significa que, independentemente do preço — como no caso das joias de Bolsonaro, estimadas em R$ 25 milhões —, o presente pode ser retido pelo destinatário se for considerado de uso pessoal. Contexto e reações A decisão chega em um momento delicado, com o Brasil acompanhando investigações sobre a conduta de Bolsonaro no caso das joias sauditas, que também envolvem suspeitas de contrabando e sonegação fiscal. O TCU, contudo, deixou claro que sua competência se limita à esfera administrativa, não interferindo em eventuais processos criminais ou tributários. “Nosso papel é definir o destino dos bens, não julgar ilícitos penais”, frisou Oliveira. A medida gerou reações polarizadas. Parlamentares da oposição, como o deputado André Fernandes (PL-CE), celebraram o resultado, afirmando que “o TCU corrigiu uma injustiça histórica contra Bolsonaro”. Já líderes da base governista, como o senador Humberto Costa (PT-PE), criticaram a decisão, alegando que ela “abre brecha para abusos e enfraquece a transparência”. Organizações civis, como a Transparência Brasil, também manifestaram preocupação, apontando que a falta de critérios objetivos pode beneficiar ex-presidentes em detrimento do interesse público. No Congresso, a resolução reacendeu o debate sobre a necessidade de uma lei específica. Projetos como o PL 2.345/2023, que tramita na Câmara, propõem que todos os presentes recebidos por autoridades sejam registrados e, caso ultrapassem determinado valor (sugerido em R$ 5 mil), sejam incorporados ao patrimônio público. Até que isso seja votado, a decisão do TCU serve como precedente vinculante para todos os ex-presidentes e futuros mandatários. Impactos e implicações Na prática, a determinação do TCU encerra a disputa administrativa sobre as joias de Bolsonaro, permitindo que ele as retenha legalmente, desde que quite eventuais dívidas fiscais relacionadas à importação irregular — um tema que segue sob análise da Receita Federal e do STF. O caso também levanta questões sobre presentes recebidos por outros ex-presidentes, como Lula, Dilma Rousseff e Michel Temer, que agora podem reivindicar itens sob o mesmo critério. Especialistas em direito público veem a decisão com cautela. Para o advogado constitucionalista André Ramos Tavares, “o TCU adotou uma interpretação pragmática, mas deixou um vácuo que pode gerar controvérsias futuras”. Ele sugere que a Corte poderia ter condicionado a posse dos bens a uma avaliação independente de seu valor cultural ou histórico, algo que o julgamento não detalhou. Passados 35 anos do Plano Collor, que confiscou poupanças e abalou a confiança dos brasileiros no Estado, a decisão do TCU reacende discussões sobre o uso de bens públicos e privados no Brasil. Enquanto o país reflete sobre os rumos de sua governança, o destino de relógios e diamantes carrega um peso simbólico: o equilíbrio entre o público e o pessoal ainda está longe de ser resolvido.

Contas públicas registram superávit histórico de R$ 104 bilhões em janeiro

As contas públicas do setor público consolidado — que incluem governo federal, estados, municípios e empresas estatais — fecharam janeiro de 2025 com um superávit primário recorde de R$ 104,1 bilhões, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira (14). O valor, o maior já registrado para o mês em termos nominais desde o início da série histórica em 2002, supera os R$ 101,8 bilhões de janeiro de 2022 e reflete um aumento real de 2,2% em relação ao superávit de R$ 99 bilhões de janeiro de 2024, ajustado pela inflação. O resultado foi impulsionado por uma receita líquida de R$ 257,8 bilhões, alta de 3,7% em termos reais frente aos R$ 237,9 bilhões do mesmo período do ano anterior, enquanto as despesas totais somaram R$ 172,9 bilhões, com incremento real de 4,4% sobre os R$ 158,4 bilhões de 2024. O governo federal contribuiu com um superávit de R$ 84,9 bilhões, conforme o Tesouro Nacional, enquanto estados e municípios adicionaram R$ 21,9 bilhões positivos. As estatais, por outro lado, registraram déficit de R$ 1 bilhão. A secretária adjunta do Tesouro Nacional, Viviane Varga, destacou que o desempenho reflete um esforço fiscal contínuo, embora o déficit primário acumulado em 12 meses até janeiro ainda seja de R$ 95,7 bilhões. O superávit de janeiro superou a mediana das expectativas do mercado, fixada em R$ 83,4 bilhões pela pesquisa Prisma Fiscal, e foi favorecido pela sazonalidade positiva do início do ano, com forte arrecadação de impostos como a Cofins e o Imposto de Renda. Com o resultado, a dívida bruta do setor público caiu de 76,1% do PIB em dezembro de 2024 para 75,3% em janeiro de 2025, equivalente a R$ 8,4 trilhões, enquanto a dívida líquida recuou de 61,2% para 60,8% do PIB, totalizando R$ 6,7 trilhões. Apesar do avanço, o déficit nominal em 12 meses segue em R$ 956,5 bilhões (8,05% do PIB), pressionado por juros de R$ 910 bilhões no período.

Opinião: FGTS não pode ser sacado pelo trabalhador, mas vira lucro para os Bancos brasileiros

O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), criado em 1966 como um mecanismo de proteção ao trabalhador brasileiro, transformou-se, ao longo das décadas, em um símbolo de controle estatal e, agora, em mais uma ferramenta para engordar os lucros dos bancos. Um novo projeto do governo federal, sob a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, propõe utilizar o FGTS como garantia para empréstimos consignados a trabalhadores regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A ironia é gritante: o dinheiro que pertence ao trabalhador, mas que ele não pode sacar livremente, será colocado à disposição do sistema financeiro para gerar juros e lucros — tudo isso enquanto o próprio dono do recurso paga para usá-lo. Essa medida, longe de beneficiar o cidadão, escancara uma distorção perversa do sistema econômico brasileiro. O FGTS, como aponta o economista austriaco Ludwig von Mises em suas reflexões sobre intervenção estatal, é um exemplo clássico de como o governo se apropria da propriedade privada sob o pretexto de “proteger” o indivíduo. O fundo, que desconta 8% do salário do trabalhador CLT todos os meses, é gerido pela Caixa Econômica Federal e rende míseros 3% ao ano mais a Taxa Referencial (TR), um retorno que não acompanha sequer a inflação — em 2024, o IPCA acumulado já ultrapassava 4,5%. Enquanto isso, o governo utiliza esses recursos para financiar projetos de infraestrutura e habitação, frequentemente beneficiando grandes empreiteiras e bancos. O trabalhador, por sua vez, só pode acessar o dinheiro em situações específicas, como demissão sem justa causa ou compra de imóvel, ficando refém de uma burocracia que o impede de exercer controle sobre o que é seu por direito. Agora, com o novo projeto de empréstimos consignados, o governo dá um passo além: transforma o FGTS em garantia para que bancos ofereçam crédito ao trabalhador. Em vez de liberar o saque integral ou flexibilizar seu uso, como seria justo, o plano prevê que o cidadão contrate um empréstimo com base no saldo que já possui, pagando juros ao banco para acessar algo que já lhe pertence. Isso é mais do que um contrassenso — é uma inversão de valores. Como já alertava o Instituto Mises Brasil em artigos sobre o tema, o sistema bancário, amparado pelo intervencionismo estatal, lucra com a criação de dinheiro “do nada” por meio de empréstimos e juros, enquanto o trabalhador é duplamente penalizado: primeiro, ao ter seu dinheiro confiscado; depois, ao pagar para recuperá-lo. A CLT, frequentemente vendida como um escudo de direitos, revela-se aqui como uma corrente. Suas regras rígidas, que proíbem o acesso direto ao FGTS, contrastam com a flexibilidade oferecida aos bancos, que agora terão um novo filão de lucro garantido pelo governo. Em um artigo do Mises Institute sobre juros e crédito, intitulado “The Fed Has No Choice But to Return to Ultra-Low Interest Rates” (2019), o autor destaca como os bancos prosperam em um ambiente onde o crédito é artificialmente expandido e os juros são manipulados. No Brasil, o cenário não é diferente: os lucros bilionários do Itaú, Bradesco e Santander — que juntos lucraram mais de R$ 80 bilhões em 2023 — são alimentados por spreads altíssimos e pela dependência do trabalhador a um sistema que o mantém preso. O que o governo chama de “facilidade” para o trabalhador é, na verdade, um presente para o sistema financeiro. Imagine a cena: um cidadão com R$ 10 mil no FGTS, que não pode sacar para uma emergência ou investir como quiser, agora toma um empréstimo de R$ 8 mil com esse saldo como garantia. Ele paga juros ao banco — que podem chegar a 2% ou 3% ao mês em consignados — e, no fim, devolve mais do que pegou, enquanto o banco embolsa o lucro sem risco, já que o FGTS cobre qualquer inadimplência. O trabalhador sai perdendo, o governo posa de benfeitor, e os banqueiros comemoram. Essa medida também expõe a hipocrisia de um discurso que se diz “progressista”. Se o objetivo fosse realmente ajudar o trabalhador, por que não liberar o FGTS para uso livre, permitindo que cada um decida como aplicar seu próprio dinheiro? A resposta está na lógica estatal: o controle sobre o fundo é uma fonte de poder e influência, além de um mecanismo para sustentar interesses corporativos. Como já escreveu Robert Murphy no Mises.org, em “What Does ‘Debt-Based’ Money Imply for Interest Payments?” (2010), o sistema de crédito estatal transfere riqueza do público para os bancos, criando uma dependência estrutural que beneficia quem está no topo da pirâmide. É hora de questionar: até quando o trabalhador brasileiro será tratado como um peão nesse jogo? O FGTS deveria ser um direito, não uma moeda de troca para lucros alheios. A solução não está em mais intervenções ou “soluções criativas” como essa, mas em devolver ao cidadão o que é seu. Que tal, em vez de empréstimos com juros, permitir o saque integral do FGTS? Que tal confiar na liberdade individual em vez de alimentar o conluio entre governo e bancos? Enquanto isso não acontece, o novo projeto de Lula só prova uma coisa: o dinheiro do trabalhador continua sendo mais útil para os outros do que para ele mesmo.

Lula e Tarcísio anunciam túnel Santos-Guarujá em evento nesta quinta-feira

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), participaram nesta quinta-feira (27), em Santos, no litoral paulista, da cerimônia de lançamento do edital de licitação para a construção do túnel Santos-Guarujá. O evento, realizado na sede da Autoridade Portuária de Santos, marcou o início oficial do processo para uma obra aguardada há quase um século na Baixada Santista, com investimento estimado em R$ 6 bilhões, divididos igualmente entre o governo federal e o governo estadual. A solenidade reuniu autoridades como o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), os ministros Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos), Márcio França (Empreendedorismo) e Luiz Marinho (Trabalho), além de prefeitos da região, como Rogério Santos (Santos) e Farid Madi (Guarujá). O túnel, que será o primeiro submerso do Brasil e o maior da América Latina, terá 1,5 quilômetro de extensão, sendo 870 metros imersos a 21 metros de profundidade sob o canal do Porto de Santos. O projeto prevê seis pistas — três em cada sentido —, incluindo espaço para o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), além de áreas para pedestres e ciclistas. Durante o evento, Lula destacou a parceria entre os governos federal e estadual como exemplo de união pelo bem comum. “É o dia da vitória do investimento, do entendimento. Mostra que é possível sentar à mesa e construir, deixando diferenças de lado para atender à população”, declarou o presidente. Tarcísio, por sua vez, agradeceu a colaboração do governo federal e enfatizou a importância da obra para a mobilidade urbana. “Apresentamos uma proposta que acelerou o túnel, e o presidente deu o ok. É algo transformador para a Baixada Santista”, afirmou o governador, que foi aplaudido ao elogiar Lula, mas recebeu vaias ao mencionar a privatização da Sabesp. O edital, sob responsabilidade do governo de São Paulo, será conduzido como uma Parceria Público-Privada (PPP), com leilão previsto para 1º de agosto de 2025 na B3, em São Paulo. A obra está inserida no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e no Programa de Parcerias de Investimentos do Estado (PPI-SP). A expectativa é que o túnel, com conclusão projetada para 2028, beneficie cerca de 2 milhões de pessoas, reduzindo o tempo de travessia entre Santos e Guarujá de mais de uma hora (via balsa ou rodovia) para menos de dois minutos. A tarifa deve ser próxima aos R$ 6,15 cobrados atualmente pelas balsas, que transportam 23 mil veículos diariamente. A cerimônia também incluiu a renovação da delegação do Porto de São Sebastião por mais 25 anos e a assinatura de um acordo extrajudicial com o Instituto Portus, mediado pelo Ministério Público do Trabalho, resolvendo litígios de R$ 5 bilhões e beneficiando pensionistas das administrações portuárias. O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou na quarta-feira (26) a fiscalização da obra pelo governo estadual, definindo-a como um projeto de mobilidade urbana intermunicipal. Com mais de 150 mil pessoas esperadas na circulação diária, o túnel Santos-Guarujá promete impulsionar o turismo, a economia e a integração regional, atendendo a uma demanda histórica da população local.

Justiça americana barra pedido do Rumble contra Moraes e libera empresas de cumprir ordens do ministro. Juíza não reconheceu as ordens de Moraes como válidas em território americano

Justiça americana barra pedido do Rumble contra Moraes e libera empresas de cumprir ordens do ministro. Juíza não reconheceu as ordens de Moraes como válidas em território americano

A Justiça dos Estados Unidos rejeitou, nesta terça-feira, 25 de fevereiro, um pedido de liminar da plataforma de vídeos Rumble e da Trump Media & Technology Group contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão, tomada pela juíza Mary S. Scriven, em Tampa, na Flórida, não reconheceu as ordens de Moraes como válidas em território americano e orientou empresas de tecnologia a não segui-las por enquanto. O Rumble e a empresa ligada a Donald Trump buscavam uma decisão urgente para não cumprir determinações de Moraes, como a suspensão de contas e o fornecimento de dados de usuários, sob o argumento de que elas violariam a soberania dos EUA e a liberdade de expressão prevista na Primeira Emenda da Constituição americana. Na sexta-feira anterior, Moraes havia mandado suspender o Rumble no Brasil por descumprimento de decisões judiciais, incluindo a exigência de nomear um representante legal no país. A juíza americana apontou que as ordens de Moraes não foram notificadas正式 por canais legais, como a Convenção de Haia ou tratados de assistência jurídica entre Brasil e EUA. Por isso, decidiu que as empresas não precisam obedecê-las nos Estados Unidos até que haja um pedido formal de execução por parte do governo brasileiro, algo que ainda não ocorreu. Ela deixou claro, porém, que o mérito da disputa — se Moraes pode ou não impor essas medidas — ainda será analisado futuramente. A decisão representa um revés para as determinações de Moraes fora do Brasil, mas não impede que a suspensão da plataforma siga em vigor no território nacional, onde a Anatel já bloqueou o acesso ao Rumble. O advogado do Rumble, Martin de Luca, celebrou o resultado como uma vitória para a liberdade de expressão e a soberania digital americana, enquanto o embate entre o STF e as plataformas conservadoras ganha mais um capítulo internacional.

Lula substitui Nísia Trindade por Alexandre Padilha no comando da Saúde

Lula substitui Nísia Trindade por Alexandre Padilha no comando da Saúde

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demitiu a ministra da Saúde, Nísia Trindade, nesta terça-feira, 25 de fevereiro, após uma reunião no Palácio do Planalto. Para o lugar dela, foi nomeado Alexandre Padilha, atual ministro das Relações Institucionais, em uma troca que marca o início de uma reforma ministerial no governo. A posse de Padilha está marcada para o dia 6 de março, após o Carnaval. Nísia Trindade, que assumiu a pasta em janeiro de 2023, foi a primeira mulher a comandar o Ministério da Saúde. Ex-presidente da Fiocruz, ela trouxe um perfil técnico ao cargo, mas enfrentou críticas internas e externas ao longo de sua gestão, especialmente por dificuldades na articulação política e na entrega de resultados mais visíveis, como o programa Mais Acesso a Especialistas. A saída foi comunicada em uma nota oficial do Planalto, na qual Lula agradeceu seu trabalho e dedicação. Padilha, médico infectologista e ex-ministro da Saúde no governo Dilma Rousseff entre 2011 e 2014, retorna à pasta com a missão de dar um tom mais político à gestão. Durante sua passagem anterior, ele foi responsável pela criação do programa Mais Médicos, uma das marcas daquele período. Agora, deixa a Secretaria de Relações Institucionais, abrindo espaço para especulações sobre quem assumirá a articulação com o Congresso, um ponto sensível para a governabilidade de Lula. A mudança ocorre em meio a pressões do Centrão por maior controle sobre o Ministério da Saúde, que concentra um dos maiores orçamentos da Esplanada e gerencia vultosas emendas parlamentares. Mais cedo, Nísia participou ao lado de Lula de um evento sobre a produção de vacinas contra a dengue pelo Instituto Butantan, em um clima que já indicava sua despedida, com aplausos da equipe e um discurso de balanço de sua gestão. A transição reflete a busca do governo por ajustes que combinem eficiência técnica com maior alinhamento político.

Lula opta por resolver crise dos deportados internamente sem confrontar Trump diretamente

Lula opta por resolver crise dos deportados internamente sem confrontar Trump diretamente

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu adotar uma postura cautelosa ao lidar com a crise envolvendo os 88 brasileiros deportados dos Estados Unidos, que chegaram ao Brasil algemados e em condições consideradas degradantes. A estratégia, discutida em reunião no Palácio do Planalto nesta segunda-feira (27), visa evitar um confronto direto com o presidente norte-americano, Donald Trump, enquanto busca garantir o respeito aos direitos humanos dos cidadãos brasileiros. Lula reuniu-se com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para definir como o Brasil abordaria o caso com os Estados Unidos. Ficou decidido que o Itamaraty cobraria explicações formais sobre o tratamento dado aos deportados, mas sem adotar um tom de confronto. A embaixadora Márcia Loureiro, secretária de Comunidades Brasileiras no Exterior, foi encarregada de conduzir uma reunião com o encarregado de Negócios da Embaixada dos EUA, Gabriel Escobar, para tratar do assunto.     O governo brasileiro classificou o uso de algemas e correntes como “desrespeitoso e inaceitável”, mas ressaltou que a deportação em si é um direito dos Estados Unidos, desde que realizada com respeito aos direitos fundamentais dos indivíduos. Após o desembarque forçado em Manaus devido a problemas técnicos no avião, o governo brasileiro agiu rapidamente. Lula determinou que a Força Aérea Brasileira (FAB) transportasse os deportados até Belo Horizonte, garantindo condições dignas para o restante da viagem. Além disso, a Polícia Federal removeu as algemas e forneceu assistência médica e alimentação aos repatriados . O Ministério da Justiça, sob o comando de Ricardo Lewandowski, destacou que a dignidade humana é um princípio basilar da Constituição Federal e que o tratamento dado aos brasileiros foi “inaceitável”. Lewandowski também afirmou que o governo não deseja provocar os EUA, mas exige que as deportações sejam realizadas com respeito. A crise dos deportados ocorre em um momento de tensão entre os Estados Unidos e países da América Latina. A Colômbia, por exemplo, recusou-se inicialmente a receber deportados, o que levou Trump a impor sanções econômicas. Após negociações, o governo colombiano recuou, e as sanções foram suspensas . O Brasil participará de uma reunião de emergência da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) na próxima quinta-feira (30), convocada pela presidente de Honduras, Xiomara Castro. O objetivo é discutir a política de deportações de Trump e buscar uma posição comum sobre o tema. No entanto, diplomatas brasileiros avaliam que a unificação de uma resposta latino-americana é improvável, devido à presença de aliados de Trump na região, como Argentina e El Salvador . O governo Lula também utilizou o episódio para reforçar sua imagem nas redes sociais, destacando a ação rápida e humanitária em resgatar os deportados. Um vídeo postado no perfil oficial de Lula no Instagram mostrou um dos repatriados agradecendo ao presidente por garantir seu retorno seguro ao Brasil . Além disso, a crise foi explorada para contrapor o bolsonarismo, que tem em Trump uma figura de admiração. A estratégia de comunicação do governo busca enfatizar a defesa da soberania nacional e a proteção dos brasileiros no exterior, bandeiras históricas de Lula.