Lula avalia apoiar criação de plano de saúde popular de até 100 reais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta‑feira que estuda apoiar a criação de um plano de saúde popular com mensalidade de até R$ 100. A proposta, ainda em fase de estudo no Ministério da Saúde, tem como objetivo ampliar o acesso à assistência médica para famílias de baixa e média renda que não têm condições de arcar com os preços dos planos convencionais. Segundo o ministro da Saúde, Danilo Santos, o modelo em análise prevê cobertura de consultas médicas em atenção básica, exames de rotina e internações de baixa complexidade, com rede credenciada que poderá integrar unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) e prestadores privados. O projeto incluiria, ainda, a garantia mínima de atendimento emergencial em hospitais públicos. Durante reunião com representantes de operadoras e secretários estaduais de Saúde, Lula destacou a importância de um produto que onere pouco os orçamentos familiares, mas que seja sustentável para as empresas. “Queremos construir uma alternativa que fortaleça o SUS, reduza filas e, ao mesmo tempo, ofereça uma opção a quem hoje não pode pagar um plano de saúde”, afirmou o presidente. O governo pretende encaminhar um decreto de regulamentação ainda neste semestre e, em seguida, enviar ao Congresso Nacional um projeto de lei para formalizar as regras do plano popular. Entre os pontos em debate estão os critérios de elegibilidade — com renda familiar de até três salários mínimos — e o modelo de custeio, que deve incluir coparticipação moderada e fiscalização da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Especialistas ouvidos pela equipe do Planalto estimam que o novo plano possa alcançar entre 15 e 20 milhões de pessoas. A medida faz parte de um pacote de políticas sociais e econômicas que o governo pretende lançar até o final do ano, incluindo também programas de crédito e expansão de benefícios assistenciais.
Imprensa peruana critica asilo concedido pelo Brasil à ex-primeira-dama Nadine Heredia
Jornais classificam decisão como “proteção entre corruptos” e questionam legalidade do refúgio após condenação por lavagem de dinheiro A concessão de asilo diplomático pela Brasil à ex-primeira-dama do Peru, Nadine Heredia, após sua condenação a 15 anos de prisão por lavagem de dinheiro, gerou forte reação na imprensa e na política peruana. Jornais do país vizinho acusam o governo brasileiro de abrigar uma condenada por corrupção, enquanto autoridades peruanas questionam a legalidade do asilo. Heredia, esposa do ex-presidente Ollanta Humala (2011-2016), chegou ao Brasil na quarta-feira (16) após se refugiar na embaixada brasileira em Lima e receber um salvo-conduto do governo peruano A decisão do governo brasileiro de conceder asilo a Heredia foi amplamente criticada por veículos peruanos, que destacaram a condenação da ex-primeira-dama por recebimento de recursos ilícitos da empreiteira Odebrecht e do governo venezuelano durante as campanhas de seu marido. O jornal Diario Trome estampou em sua capa a manchete “Entre corruptos, se protegem”, sugerindo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estaria favorecendo uma aliada política condenada 16. Já o El Comercio citou o ex-chanceler Francisco Tudela, que classificou o asilo como “irregular” e “injustificável” 15. O caso ganhou ainda mais repercussão após a revelação de que Heredia viajou ao Brasil em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB), escoltada por agentes diplomáticos. O jornal La Razón afirmou que ela se estabelecerá em uma mansão em São Paulo, enquanto seu marido cumpre pena em uma prisão de alta segurança no Peru 26. O governo brasileiro justificou a decisão com base na Convenção sobre Asilo Diplomático de 1954, alegando motivos humanitários devido a problemas de saúde de Heredia, incluindo uma cirurgia recente na coluna vertebral. O chanceler Mauro Vieira afirmou que a ex-primeira-dama necessitava de tratamento médico e que seu filho menor estaria desprotegido caso permanecesse no Peru 15. No entanto, críticos argumentam que o asilo não deveria ser aplicável a condenados por crimes comuns, como corrupção e lavagem de dinheiro 313. O “Correo”, por sua vez, considerou o asilo de Heredia um ato de zombaria em relação à decisão judicial: “Uma ri da justiça e outro vai para a prisão”, diz a chamada, referindo-se ao casal. A controvérsia levou ao cancelamento de uma visita oficial do presidente do Congresso peruano, Eduardo Salhuana, ao Brasil, marcada para a próxima semana. A decisão foi tomada após avaliação do Ministério das Relações Exteriores do Peru, que considerou o momento inadequado devido à tensão gerada pelo caso 9. Enquanto isso, no Brasil, a oposição questionou os critérios do governo Lula, com parlamentares solicitando explicações formais ao Itamaraty sobre os fundamentos legais do asilo. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) criticou a medida, afirmando que o governo “distorce o instituto do asilo” ao proteger condenados por corrupção 15. O caso reforça debates sobre a política externa brasileira e sua relação com governos latino-americanos, especialmente em situações envolvendo figuras públicas acusadas de crimes. Analistas alertam que a decisão pode impactar negativamente a cooperação judicial entre os países
Governo projeta impacto crescente de emendas parlamentares no orçamento federal
O governo federal estima que o aumento contínuo das emendas parlamentares poderá comprometer significativamente os investimentos públicos nos próximos anos. De acordo com o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2026, apresentado recentemente, as emendas podem consumir quase metade do orçamento das despesas não obrigatórias em 2027, alcançar quase 100% desse espaço em 2028 e resultar em saldo negativo em 2029. As emendas parlamentares são recursos do orçamento federal destinados a atender demandas específicas de deputados e senadores em suas bases eleitorais. Com a garantia de crescimento prevista no novo arcabouço fiscal, essas emendas têm prioridade sobre outras despesas discricionárias, como investimentos em infraestrutura e manutenção da máquina pública. Especialistas apontam que, sem medidas de ajuste fiscal, o crescimento das emendas pode limitar a capacidade do governo de realizar investimentos essenciais e manter serviços públicos. O cenário projetado pelo PLDO indica a necessidade de revisão das regras fiscais ou de contenção do crescimento das emendas para evitar desequilíbrios nas contas públicas.
China bate recorde na compra de soja brasileira em meio à guerra comercial com EUA
A China adquiriu um volume recorde de 2,4 milhões de toneladas de soja brasileira nos primeiros dias de abril de 2025, equivalente a cerca de 40 cargas, segundo fontes do mercado reportadas pela Bloomberg. A compra, descrita como excepcionalmente grande, representa quase um terço do que o país asiático normalmente processa por mês. Os grãos, destinados majoritariamente para entrega entre maio e julho, foram adquiridos por esmagadoras chinesas em meio à escalada da guerra comercial com os Estados Unidos. O conflito tarifário ganhou força após o presidente americano Donald Trump impor taxas de importação de até 145% sobre produtos chineses em 5 de abril, enquanto Pequim retaliou elevando tarifas sobre bens americanos de 84% para 125% no dia 11 de abril. Nesse cenário, a soja brasileira ganhou competitividade, beneficiada por uma recente queda nos preços domésticos, que haviam subido nos meses anteriores. O Brasil, maior fornecedor de soja para a China, exportou 14,68 milhões de toneladas em março de 2025, um aumento de 16,5% em relação ao mesmo período de 2024, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A demanda chinesa foi impulsionada também por margens mais altas no processamento interno, após o aumento nos preços do farelo de soja. Analistas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) já haviam notado, na semana anterior, um crescimento nas negociações no mercado spot brasileiro, com compradores asiáticos aproveitando a janela antes do pico da safra americana no segundo semestre. A safra brasileira 2024/25 deve atingir 167,9 milhões de toneladas, segundo a Conab, reforçando a capacidade do país de atender à procura internacional.
Hugo Motta negocia acordo para reduzir penas de condenados do 8 de janeiro
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem articulado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-presidente Jair Bolsonaro e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) uma proposta para aliviar as penas de alguns condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. A iniciativa, que recebeu sinalização positiva do Palácio do Planalto, busca evitar a votação de um projeto de lei de anistia total, defendido por bolsonaristas, e propõe uma solução que reduza punições para crimes considerados menos graves, sem perdoar articuladores ou financiadores do ataque às sedes dos Três Poderes. Motta conversou com Lula durante uma viagem ao Japão no final de março e tratou do tema com a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e o advogado-geral da União, Jorge Messias, segundo o O Globo. Hoffmann afirmou em 10 de abril que discutir a redução de penas é “defensável” para alguns casos, mas reforçou no dia seguinte que qualquer decisão cabe exclusivamente ao STF. No Supremo, Motta dialogou com ministros como Alexandre de Moraes, que resiste a revisar o modelo das condenações, mas já liberou 15 presos provisórios desde 28 de março, reduzindo o total de detidos para 131, conforme a Folha de S.Paulo. Bolsonaro, reunido com Motta em 9 de abril, insiste na anistia irrestrita, mas o presidente da Câmara avalia que pautar o projeto de lei, que conta com 246 assinaturas para urgência, poderia agravar a crise institucional, de acordo com o Diário Carioca. A proposta em negociação prevê alternativas como ajustes na legislação de crimes contra o Estado Democrático de Direito ou progressão de regime para condenados com penas altas, como os 14 anos aplicados a alguns réus. O STF retomará o julgamento de casos relacionados, incluindo o de Débora Rodrigues dos Santos, em 25 de abril.
Datafolha: Lula venceria Bolsonaro e demais nomes da direita se eleição fosse hoje
Uma pesquisa do Datafolha, realizada entre os dias 1º e 3 de abril, aponta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceria o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros nomes da direita se as eleições presidenciais de 2026 fossem realizadas hoje. O levantamento, divulgado neste sábado, 5 de abril, mostra o petista na liderança em todos os cinco cenários de primeiro turno testados. No cenário com Bolsonaro, que está inelegível até 2030 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula registra 36% das intenções de voto, contra 30% do ex-presidente. Ciro Gomes (PDT) aparece com 12%, seguido por Pablo Marçal (PRTB) com 7% e Eduardo Leite (PSDB) com 5%. Outros 9% indicaram voto branco, nulo ou nenhum, e 2% não souberam responder. Em um cenário sem Bolsonaro, com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), Lula mantém a liderança com 35%, enquanto Tarcísio alcança 15%. Ciro Gomes e Pablo Marçal empatam com 11% cada, seguidos por Ratinho Junior (PSD) com 5%, Eduardo Leite e Romeu Zema (Novo) com 3% cada, e Ronaldo Caiado (União Brasil) com 2%. Votos brancos, nulos ou nenhum somam 11%, e 3% não opinaram. Com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) na disputa, Lula também lidera com 35%, contra 15% dela. Ciro Gomes tem 12%, Pablo Marçal, 10%, Ratinho Junior, 5%, Romeu Zema, 4%, Eduardo Leite e Ronaldo Caiado, 3% cada. Brancos, nulos ou nenhum totalizam 11%, e 2% não souberam responder. Em um cenário reduzido com Lula, Tarcísio e Marçal, o petista sobe para 43%, enquanto Tarcísio registra 24% e Marçal, 15%. Brancos, nulos ou nenhum são 15%, e 3% não decidiram. O Datafolha entrevistou 3.054 pessoas com 16 anos ou mais, em 172 municípios, entre terça-feira, 1º, e quinta-feira, 3 de abril. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O levantamento foi encomendado pelo jornal Folha de S.Paulo.
Brasil teme dupla taxação do aço em novo pacote de tarifas de Trump
O Brasil acompanha com apreensão o anúncio de novas tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um movimento apelidado por ele como “Dia da Libertação”. A preocupação central recai sobre o setor siderúrgico, que teme uma dupla taxação sobre o aço exportado para o mercado americano. Desde 12 de março, os EUA já aplicam uma tarifa de 25% sobre o aço brasileiro, uma medida que eliminou isenções anteriores e impactou o país, terceiro maior fornecedor do produto aos americanos, atrás apenas de Canadá e México. Agora, há receio de que as tarifas anunciadas hoje, que podem atingir diversos setores, incluam um novo imposto sobre o mesmo aço, agravando os custos. O governo brasileiro, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, expressou pessimismo nas últimas semanas. Em entrevista recente, Lula afirmou que, se confirmada a taxação, o Brasil reagirá, seja por meio de uma queixa na Organização Mundial do Comércio (OMC) ou com medidas retaliatórias, como impostos sobre produtos americanos. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) monitora a situação e mantém diálogo com a Casa Branca, mas a falta de clareza sobre os detalhes das novas tarifas mantém o setor em alerta. O vice-presidente Geraldo Alckmin, que também é titular do MDIC, reforçou que a prioridade é negociar para evitar prejuízos maiores. A indústria siderúrgica brasileira, representada por empresas como Gerdau e CSN, exportou 3,4 milhões de toneladas de aço semiacabado aos EUA em 2024, cerca de 45% do total vendido ao exterior. A possibilidade de uma dupla tributação preocupa não só pela perda de competitividade, mas também pelo impacto em empregos e na balança comercial, já que os EUA são um destino crucial para o setor.
Pesquisa Genial/Quaest mostra desaprovação a Lula em 56%, maior patamar do mandato
A desaprovação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alcançou 56% em março de 2025, o pior índice registrado desde o início de seu terceiro mandato, em janeiro de 2023. É o que mostra a pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira, 2 de abril de 2025. O levantamento, realizado entre os dias 27 e 31 de março, entrevistou 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais, em 120 municípios, e tem margem de erro de dois pontos percentuais. A aprovação ao governo, por sua vez, caiu para 41%, enquanto 3% dos entrevistados não souberam ou não responderam. O aumento de sete pontos na desaprovação, que em janeiro era de 49%, reflete uma tendência de queda na popularidade de Lula, observada desde meados de 2024. Pela primeira vez, o índice de rejeição superou os 50%, marcando um desafio significativo para o governo. Entre os fatores apontados, estão a percepção de piora na economia – 56% dos entrevistados disseram que a situação econômica do país regrediu nos últimos 12 meses – e o aumento dos preços dos alimentos, notado por 88% dos participantes. A pesquisa também indica que 43% consideram a gestão atual pior que a de Jair Bolsonaro (PL), contra 39% que a veem como melhor. O Nordeste, tradicional reduto petista, registrou uma queda na aprovação de Lula, que passou de 59% em janeiro para 52%, enquanto a desaprovação subiu de 37% para 46%. Entre as mulheres, a desaprovação chegou a 53%, superando a aprovação (43%) pela primeira vez. A pesquisa foi encomendada pela Genial Investimentos e reflete um momento de ajustes na comunicação do governo, que trocou o comando da Secom em janeiro, mas ainda não reverteu a percepção negativa.
Para aumentar a popularidade, governo Lula aposta no endividamento das famílias mais pobres, em um país com mais de 74,6 milhões de endividados
O governo Lula lançou pacotes de crédito, incluindo linhas de microcrédito e renegociação de dívidas para cidadãos de baixa renda, visando estimular a economia e incluir os pobres no sistema financeiro. No entanto, com dados de Agência Brasil mostrando que 78,5% das famílias estão endividadas, há preocupações sobre a sustentabilidade. Embora o crédito possa ajudar famílias a iniciar negócios, a evidência aponta para riscos, como o uso não produtivo do crédito e a falta de habilidades para gerenciá-lo, o que pode levar a mais dívidas. Isso pode ser visto como uma medida populista, buscando popularidade imediata, mas potencialmente retrógrada, se não houver planos para resolver problemas econômicos subjacentes, como baixos salários e falta de empregos. Um detalhe inesperado: programas como o Bolsa Família, que são transferências de renda, têm sido mais eficazes em reduzir a pobreza, mas não envolvem endividamento, diferentemente das linhas de crédito. A estratégia do governo Lula de expandir o acesso ao crédito para famílias pobres, em um contexto onde mais de 78,5% das famílias brasileiras já estão endividadas, levanta questões significativas sobre sua sustentabilidade e impacto a longo prazo. Esta análise explora os dados, as políticas do governo, e os argumentos a favor e contra, considerando se essa abordagem pode ser considerada populista e retrógrada. De acordo com Agência Brasil, em julho de 2023, 78,5% das famílias brasileiras estavam endividadas, o que equivale a aproximadamente 48 milhões de famílias, considerando que há cerca de 61 milhões de lares no país, com base em estimativas populacionais de 214 milhões de habitantes e uma média de 3,5 pessoas por família. O usuário mencionou “74,60 milhões de endividados”, que pode referir-se a indivíduos em famílias endividadas, mas os dados mais recentes focam em famílias, o que sugere uma interpretação mais precisa com base em lares. O governo Lula, desde sua posse, tem enfatizado políticas de inclusão social e econômica. Em abril de 2024, conforme relatado pelo Brazilian Report, lançou um novo pacote para aumentar o poder de compra, incluindo linhas de microcrédito e programas de renegociação de dívidas para cidadãos de baixa renda, além de crédito para famílias de classe média interessadas em comprar casas. O objetivo declarado é estimular o consumo, fomentar o crescimento econômico e incluir os pobres no sistema financeiro formal. Historicamente, durante os mandatos anteriores de Lula (2003-2010), programas como o Programa Nacional de Microcrédito Produtivo (NOPMP), lançado em 2003, expandiram o acesso ao crédito para microempreendedores e famílias de baixa renda, com o número de beneficiários crescendo de 200.000 para mais de um milhão, segundo Global Issues. O Banco do Nordeste, por exemplo, opera o programa Crediamigo, que em 2021 desembolsou mais de €1,97 bilhão para microempreendedores, muitas vezes mulheres, conforme EIB. Esses programas visam promover a auto-suficiência, mas também envolvem endividamento. Recentemente, o governo também retomou programas como “Minha Casa, Minha Vida”, que oferece subsídios para moradia, e lançou novos pacotes de crédito em resposta a crises, como as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024, com linhas de crédito de R$ 15 bilhões para empresas afetadas, segundo Brazilian Report. Embora esses esforços sejam amplos, o foco em crédito para famílias pobres é central na estratégia atual. Argumentos a Favor Argumentos Contra Análise e Sustentabilidade A sustentabilidade de programas de crédito para famílias pobres depende de vários fatores. Estudos, como os do European Journal of Development Research, mostram impactos positivos em algumas regiões, como os municípios mais pobres do Nordeste, mas sem efeitos significativos em outras áreas. A concentração de crédito em regiões específicas, como o Sul, e entre produtores maiores, conforme CPI, sugere desigualdades no acesso, o que pode limitar os benefícios. Além disso, a alta taxa de juros no Brasil, com taxas de cartão de crédito chegando a 437% ao ano em 2023, conforme Brazilian Report, aumenta o custo do crédito, tornando-o menos acessível e mais arriscado. Sem regulamentação adequada e suporte, a expansão do crédito pode levar a mais inadimplência, afetando tanto as famílias quanto o sistema financeiro. Comparação com outras Políticas É interessante notar que programas como o Bolsa Família, que são transferências de renda condicional, têm sido mais eficazes em reduzir a pobreza, conforme Centre for Public Impact, ajudando 44 milhões de pessoas e custando apenas 0,5% do PIB. Esses programas não envolvem endividamento, oferecendo uma alternativa mais sustentável, mas o governo parece priorizar o crédito como uma ferramenta de estímulo econômico. A estratégia do governo Lula de expandir crédito para famílias pobres pode ser vista como uma tentativa de aumentar popularidade, mas há riscos significativos de sobreendividamento, especialmente em um contexto de alta dívida pré-existente. Embora possa promover inclusão financeira e empreendedorismo, a falta de suporte e a possibilidade de uso não produtivo do crédito sugerem que pode ser uma medida populista, buscando benefícios de curto prazo, e potencialmente retrógrada, se não houver planos para resolver problemas estruturais. É crucial que o governo implemente salvaguardas robustas, como treinamento e monitoramento, para garantir que o crédito leve a resultados sustentáveis.
Empréstimo consignado a trabalhadores CLT começa nesta sexta-feira sem regulamentação do FGTS como garantia
A partir desta sexta-feira, trabalhadores com carteira assinada no Brasil passam a ter acesso a uma nova modalidade de empréstimo consignado, chamada “Crédito do Trabalhador”. O programa, lançado pelo governo federal, foi oficialmente iniciado hoje, em um evento no Palácio do Planalto, e promete facilitar o crédito para cerca de 47 milhões de celetistas, incluindo empregados rurais, domésticos e assalariados de microempreendedores individuais (MEI). A iniciativa, que utiliza a Carteira de Trabalho Digital como plataforma principal, começou a operar sem a regulamentação completa do uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como garantia, o que tem gerado debates entre especialistas e instituições financeiras. O processo de contratação é simples e digital. Os trabalhadores acessam o aplicativo da Carteira de Trabalho Digital, solicitam propostas de crédito e recebem ofertas de mais de 80 instituições financeiras credenciadas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As parcelas serão descontadas diretamente na folha de pagamento via eSocial, com limite de até 35% da renda mensal. Embora a Medida Provisória 1.292/2025, assinada no dia 12 de março, preveja o uso de até 10% do saldo do FGTS e 100% da multa rescisória em caso de demissão sem justa causa como garantia, essa parte ainda depende de normas detalhadas, esperadas apenas para junho. Por enquanto, os bancos operam com base na segurança do desconto em folha, mas a ausência dessa regulamentação pode limitar a redução de juros inicialmente projetada. O governo estima que as taxas caiam cerca de 40% em relação ao consignado tradicional do setor privado, que em dezembro de 2024 chegou a 2,89% ao mês. Em cidades como Feira de Santana e São Paulo, trabalhadores já começaram a consultar o sistema, mas a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) alertou que os primeiros dias terão operação mais tímida, devido à falta de clareza sobre o FGTS. A partir de 25 de abril, será possível migrar contratos existentes para essa nova linha, e a portabilidade entre bancos estará liberada em 6 de junh