PT aposta na estratégia do ‘medo’, já usada contra rivais no passado, para tentar virar votos e pressionar Flávio
Campanha de Lula intensifica alertas sobre programas sociais no segundo turno; Justiça Eleitoral determina retirada de vídeos e Belle Daltro repercute a disputa nas redes sociais.

Entenda a notícia em poucos pontos
- Campanha de Lula passou a destacar possíveis riscos a políticas sociais em eventual governo de Flávio Bolsonaro.
- A estratégia é comparada pela imprensa a abordagens utilizadas em eleições anteriores.
- O TSE determinou a remoção de publicações específicas de Lula e Janja por falta de fundamentação para certas alegações.
- A influenciadora baiana Belle Daltro declarou apoio a Lula e criticou eleitores do candidato do PL.
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou nesta sexta-feira (9) o discurso sobre possíveis consequências sociais de uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL), seu adversário no segundo turno presidencial de 25 de outubro. A comunicação petista passou a associar propostas econômicas do candidato do PL a riscos para programas sociais, aposentadorias e políticas públicas, numa tentativa de conquistar eleitores indecisos e reduzir a diferença registrada no primeiro turno.
A abordagem foi descrita por reportagens de O Globo, Folha de S.Paulo e outros veículos como uma retomada da chamada estratégia do medo, expressão utilizada para caracterizar propagandas que enfatizam consequências negativas de uma eventual vitória do adversário.
A associação é uma interpretação da estratégia eleitoral. Para os aliados do presidente, a comunicação busca alertar a população sobre diferenças entre projetos de governo. Já representantes da candidatura de Flávio Bolsonaro consideram parte dessas mensagens enganosa e afirmam que o senador não pretende extinguir os benefícios mencionados.
Campanha petista reforça alertas sobre programas sociais
Entre as peças divulgadas no início do segundo turno, a campanha de Lula abordou o futuro de iniciativas como Farmácia Popular, Minha Casa Minha Vida, Pé-de-Meia e Auxílio Gás.
As publicações associaram a intenção de reduzir gastos públicos, defendida por integrantes do campo político de Flávio Bolsonaro, à possibilidade de diminuição de recursos destinados a programas sociais.
A campanha também retomou decisões do governo Jair Bolsonaro e episódios da pandemia de Covid-19 para criticar o projeto político representado pelo senador do PL.
Do ponto de vista eleitoral, o objetivo relatado por integrantes do PT à imprensa é ampliar a rejeição ao adversário, mobilizar eleitores que não compareceram ao primeiro turno e alcançar pessoas que ainda não definiram o voto.
TSE determina retirada de vídeos de Lula e Janja
A disputa sobre o conteúdo das propagandas chegou à Justiça Eleitoral nesta sexta-feira (9).
Ministros do Tribunal Superior Eleitoral determinaram a remoção de vídeos publicados por Lula e pela primeira-dama Janja Lula da Silva que apresentavam como consequências certas de uma vitória de Flávio Bolsonaro a redução ou extinção de benefícios sociais.
Em uma das decisões, o ministro André Mendonça considerou que faltava sustentação factual mínima para determinadas afirmações.
Segundo a decisão, o programa de governo registrado pelo candidato do PL prevê a manutenção de programas sociais, o que contradiz a apresentação de seu encerramento como fato definido.
Em outro processo, o ministro Kassio Nunes Marques também determinou a remoção de uma publicação de Janja contendo alegações consideradas descontextualizadas ou sem base factual suficiente.
O que significa a decisão da Justiça Eleitoral?
Críticas políticas: continuam permitidas durante a campanha eleitoral.
Alegações factuais: precisam ter fundamento verificável, especialmente quando atribuídas diretamente a um candidato.
Remoção de propaganda: a decisão alcança os conteúdos específicos analisados e não representa uma proibição geral de discutir políticas públicas.
Estratégia retoma discussões de eleições anteriores
O uso de mensagens sobre riscos relacionados ao adversário não é exclusivo das eleições de 2026. Ao longo de campanhas presidenciais anteriores, diferentes partidos recorreram a comparações que enfatizavam possíveis perdas econômicas, sociais e institucionais.
No caso do PT, a comunicação frequentemente contrasta políticas de seus governos com propostas e resultados de administrações de adversários.
Em 2026, a campanha tenta explorar a associação política entre Flávio Bolsonaro e seu pai, Jair Bolsonaro, especialmente em temas relacionados à pandemia, ao acesso a armas e à manutenção de políticas sociais.
Flávio, por sua vez, procura apresentar sua candidatura como uma alternativa ao governo atual, destacando temas como custo de vida, endividamento e segurança pública. Aliados do PL também publicam críticas ao histórico do PT e à gestão Lula.
Belle Daltro declara apoio a Lula e repercute disputa na Bahia
A mobilização do segundo turno também ganhou espaço nos perfis de influenciadores digitais baianos. Entre os nomes que entraram publicamente no debate está Belle Daltro, que declarou apoio à reeleição de Lula.
Em vídeos gravados durante uma viagem a Miami, nos Estados Unidos, a influenciadora criticou seguidores que manifestaram intenção de votar em Flávio Bolsonaro.
Nas publicações, Belle abordou questões econômicas, recordou a pandemia e explicou os motivos de seu posicionamento político.
A influenciadora também rebateu críticas recebidas após as gravações e afirmou não temer perder seguidores por declarar publicamente seu voto.
As manifestações repercutiram entre apoiadores dos dois candidatos, incluindo outras páginas de conteúdo político.
Embora suas críticas ao candidato do PL estejam documentadas, não há confirmação de que Belle participe formalmente da organização da propaganda eleitoral do PT. Também não há elementos suficientes para classificar sua atuação como prática comprovada de intimidação ou terror psicológico.
Belle Daltro e o debate nas redes
Posicionamento: a influenciadora declarou apoio a Lula no segundo turno.
Conteúdo: vídeos com críticas ao voto em Flávio Bolsonaro e comentários sobre política e economia.
Repercussão: recebeu apoios e críticas nas plataformas digitais.
Limite da apuração: não foi comprovada participação em campanha coordenada de desinformação ou intimidação.
Influenciadores ganham espaço na comunicação eleitoral
A participação de influenciadores no segundo turno vai além dos perfis oficiais das candidaturas. Pessoas com audiências próprias publicam avaliações políticas, defendem seus candidatos e questionam declarações dos adversários.
Na Bahia, onde Lula recebeu ampla votação no primeiro turno, a mobilização nas redes complementa a atuação de lideranças políticas como o governador reeleito Jerônimo Rodrigues (PT).
Jerônimo tem defendido uma comunicação que associe temas como democracia e soberania às necessidades cotidianas da população, incluindo alimentação, educação e moradia.
Não foi possível confirmar, até esta publicação, outros influenciadores baianos específicos que estejam utilizando a mesma abordagem atribuída à campanha petista. Por isso, nomes não verificados foram omitidos.
Qual é a diferença entre alertar e espalhar informações falsas?
A legislação eleitoral permite que candidatos comparem propostas, questionem a trajetória dos adversários e apresentem argumentos sobre possíveis consequências de diferentes programas de governo.
O problema surge quando uma hipótese é apresentada como fato comprovado sem sustentação suficiente ou quando informações são manipuladas para induzir o eleitor ao erro.
Dizer que determinada medida econômica poderia afetar um programa social é diferente de afirmar categoricamente que um candidato encerrará esse benefício, especialmente quando seu plano oficial indica posição contrária.
Campanhas intensificam disputa até 25 de outubro
O segundo turno presidencial está marcado para 25 de outubro. Até lá, Lula e Flávio Bolsonaro continuarão disputando o apoio de eleitores que votaram em outros candidatos, se abstiveram ou ainda não definiram sua escolha.
O debate sobre políticas sociais deve permanecer entre os temas de campanha. Para avaliar as diferentes afirmações, os eleitores podem consultar os programas oficiais registrados no TSE e as decisões da Justiça Eleitoral.