Economia | Combustíveis

Governo zera impostos federais da gasolina e amplia subsídios a 16 dias da eleição; pacote custa R$ 5,2 bilhões

Medidas anunciadas pelo governo Lula terão duração inicial de 30 dias e contemplam gasolina, etanol e diesel. Entenda o impacto nos preços e nas contas públicas.

Por Amanda Almeida | NinjaFSA | 9 de outubro de 2026

Governo zera impostos federais da gasolina e amplia subsídios a 16 dias da eleição; pacote custa R$ 5,2 bilhões
Governo federal anunciou mudanças na tributação e nos subsídios dos combustíveis para os próximos 30 dias.
Entenda a notícia em poucos pontos
  • Governo zera tributos federais sobre a gasolina, elevando a desoneração total para R$ 0,89 por litro.
  • Etanol mantém isenção de R$ 0,19 por litro e terá maior subvenção destinada aos produtores.
  • Diesel importado receberá subsídio adicional de R$ 1,40 por litro.
  • O pacote custará R$ 5,2 bilhões em 30 dias, segundo o governo.
Custo estimado R$ 5,2 bi Impacto fiscal em 30 dias
Gasolina R$ 0,89 Desoneração federal total por litro

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta sexta-feira (9), em Brasília, um novo pacote de medidas para conter a alta dos combustíveis, com custo estimado de R$ 5,2 bilhões em 30 dias. O anúncio ocorre a 16 dias do segundo turno presidencial e inclui o zeramento dos tributos federais da gasolina, a renovação de incentivos ao etanol e uma subvenção adicional ao diesel importado.

A justificativa apresentada pela equipe econômica é reduzir os efeitos da alta internacional do petróleo sobre os consumidores brasileiros. As medidas foram detalhadas pelo ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti.

O pacote amplia benefícios que já estavam em vigor. Com a decisão, o governo eleva os valores de desoneração de alguns combustíveis e estabelece novas condições para os próximos 30 dias.

Gasolina terá impostos federais zerados

A principal mudança envolve a gasolina. A desoneração tributária federal, que anteriormente representava R$ 0,63 por litro, será ampliada para R$ 0,89 por litro.

Na prática, o novo decreto zera a cobrança dos tributos federais PIS/Pasep, Cofins e Cide sobre a gasolina nas operações abrangidas pela medida.

Isso não significa, porém, que o preço da gasolina cairá automaticamente R$ 0,89 nas bombas. Parte dessa desoneração já existia, de modo que o alívio tributário adicional anunciado agora equivale a R$ 0,26 por litro.

O preço final ao motorista depende também das distribuidoras, dos postos, dos custos de transporte e de outros tributos que continuam incidindo sobre o combustível.

Entenda a diferença

Antes: redução federal de R$ 0,63 por litro de gasolina.

Agora: redução total de R$ 0,89 por litro, zerando os tributos federais abrangidos.

Benefício adicional: R$ 0,26 por litro em relação ao modelo anterior.

Na bomba: não há garantia de redução integral e imediata.

Etanol terá incentivo renovado e ampliado

O governo também decidiu manter a desoneração de R$ 0,19 por litro do etanol hidratado, utilizado diretamente como combustível em veículos.

Além disso, a subvenção destinada a produtores e cooperativas será ampliada de R$ 0,25 para R$ 0,43 por litro.

O objetivo anunciado é preservar a competitividade do etanol em relação à gasolina, evitando que a oscilação dos preços internacionais prejudique o consumo do biocombustível.

Segundo os cálculos apresentados pelo governo, a ampliação desse apoio aos produtores terá custo aproximado de R$ 800 milhões durante o período de 30 dias.

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Diesel importado receberá novo subsídio

Outra medida do pacote é a criação de uma subvenção adicional de R$ 1,40 por litro para o diesel rodoviário importado.

O incentivo será destinado a importadores que cumprirem as condições definidas pelo governo, buscando reduzir o impacto da alta internacional e contribuir para a manutenção do abastecimento.

Segundo a equipe econômica, o benefício adicional terá custo aproximado de R$ 1,6 bilhão nos próximos 30 dias.

A medida busca atender um setor sensível às oscilações do preço do petróleo. O diesel é essencial ao transporte de cargas e, por consequência, influencia custos logísticos de alimentos, mercadorias e serviços.

Veja os valores do novo pacote

MedidaValorO que representa
GasolinaR$ 0,89/litro Desoneração federal total.
Etanol hidratadoR$ 0,19/litro Desoneração mantida.
Produção de etanolR$ 0,43/litro Nova subvenção aos produtores.
Diesel importadoR$ 1,40/litro Subsídio adicional.
Pacote completoR$ 5,2 bilhões Custo estimado para 30 dias.

De onde sairão os R$ 5,2 bilhões?

Segundo Bruno Moretti, a equipe econômica pretende utilizar receitas extraordinárias obtidas com a valorização do petróleo para compensar a renúncia fiscal e os gastos adicionais.

O ministro argumentou que, como o Brasil também exporta petróleo, a elevação dos preços internacionais pode aumentar determinadas receitas públicas.

O governo estima que R$ 3,6 bilhões do novo pacote sejam destinados às medidas para gasolina e etanol, enquanto R$ 1,6 bilhão corresponda ao incentivo adicional ao diesel importado.

Apesar da previsão de compensação, a medida representa utilização de recursos públicos e renúncia de arrecadação. Seu impacto deverá ser acompanhado nas avaliações fiscais.

“Nós estamos consumindo recursos da população, recursos de tributos pagos pela população, para proteger o povo brasileiro.”

Bruno Moretti, ministro do Planejamento e Orçamento, durante anúncio do pacote.

Anúncio ocorre a 16 dias do segundo turno

As mudanças foram anunciadas em meio à campanha presidencial de 2026, faltando 16 dias para o segundo turno entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), marcado para 25 de outubro.

O calendário chama atenção porque o preço dos combustíveis afeta diretamente o orçamento dos brasileiros e costuma ter relevância no debate eleitoral.

O governo afirma que a decisão está relacionada à alta internacional do petróleo e à necessidade de preservar o abastecimento, negando motivação eleitoral.

A proximidade da votação, por si só, não comprova que as medidas tenham sido adotadas com finalidade eleitoral irregular.

Preço nos postos vai cair?

A redução da carga tributária diminui um componente do custo dos combustíveis, mas não determina sozinha o preço que o consumidor paga.

O valor nas bombas depende de fatores como preço praticado por refinarias e importadores, distribuição, transporte, mistura de biocombustíveis, tributação estadual e margens comerciais.

Por isso, o motorista não deve considerar os valores da desoneração como descontos automáticos por litro no posto de combustível.

O governo informou que pretende ampliar o acompanhamento dos preços para verificar se os benefícios fiscais e subsídios estão sendo repassados aos consumidores.

E em Feira de Santana?

Motoristas de Feira de Santana também poderão ser afetados pelas mudanças nacionais, mas o valor efetivo de eventual redução dependerá dos preços cobrados por distribuidoras e postos.

Não há, neste anúncio, uma tabela específica de preços para a cidade. Portanto, não é possível afirmar quanto a gasolina ou o etanol custarão nos postos do município.

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Medidas têm duração inicial de 30 dias

O pacote anunciado pelo governo federal terá vigência inicial de 30 dias. A continuidade dos benefícios dependerá de uma nova avaliação das condições internacionais do petróleo e da disponibilidade de recursos públicos.

Enquanto isso, a expectativa do Executivo é amortecer parte da pressão sobre os preços dos combustíveis e evitar que os custos internacionais sejam integralmente transferidos ao mercado brasileiro.

A evolução dos preços nas bombas será um dos principais indicadores para avaliar o efeito prático das medidas.

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