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X (ex-Twitter) encerra remuneração por engajamento para frear conteúdos gerados por inteligência artificial
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Ilustração de perfis de mídias sociais e inteligência artificial
Foto: Reprodução
Tecnologia

X (ex-Twitter) encerra remuneração por engajamento para frear conteúdos gerados por inteligência artificial

Plataforma substituirá atual modelo de monetização pelo ‘Programa de Recompensas por Conteúdo Original’. Mudança visa combater o excesso de postagens caça-cliques criadas por robôs. Brasil está temporariamente fora das novas regras.

A plataforma X (antigo Twitter) anunciou mudanças drásticas em suas políticas de monetização para usuários. A empresa confirmou a desativação do atual programa de repasse de receitas e a introdução do chamado “Programa de Recompensas por Conteúdo Original”. Com a medida, a rede social deixará de pagar produtores de conteúdo com base no volume de engajamento e passará a remunerar exclusivamente postagens inéditas e de autoria comprovada.

Até então, o modelo vigente distribuía pagamentos com base nas visualizações de anúncios exibidos nas seções de respostas das publicações. De acordo com analistas do setor de tecnologia, essa estrutura de incentivos acabou gerando um efeito colateral prejudicial à plataforma: a proliferação desenfreada do chamado “ragebait” (conteúdos polêmicos feitos apenas para gerar raiva e interações) e a republicação de material viral por contas automatizadas.

Combate à automação de baixa qualidade

O foco central da reformulação promovida pela gestão da plataforma é combater o “AI slop” — termo que designa o volume massivo de conteúdos repetitivos e de baixa qualidade gerados por ferramentas de inteligência artificial. A partir da nova política, o X recompensará financeiramente apenas perfis que trouxerem textos originais, reportagens, além de imagens ou materiais gráficos autorais.

Estimativas de mercado apontam que cerca de uma em cada cinco contas ativas hoje no X é operada por algum nível de automação ou apresenta conteúdos gerados por inteligência artificial. O novo programa de remuneração tenta forçar o retorno a um ambiente de publicações concebidas por criadores humanos.

O movimento da rede controlada por Elon Musk não é isolado no Vale do Silício. Outras gigantes da tecnologia, como a Snap Inc. (responsável pelo Snapchat), também têm implementado filtros e atualizado suas regras financeiras para restringir a distribuição de receita para materiais artificialmente produzidos em massa.

Impacto no Brasil e histórico financeiro

Em um primeiro momento, os criadores de conteúdo baseados no Brasil não estarão qualificados para aderir ao “Programa de Recompensas por Conteúdo Original”. A empresa não divulgou um prazo oficial para a expansão territorial do novo modelo de repasses.

Desde que o programa de compartilhamento de receita de anúncios foi lançado, há quase três anos, calcula-se que a plataforma tenha distribuído pouco mais de US$ 45 milhões (cerca de R$ 250 milhões na cotação atual) globalmente para criadores de conteúdo elegíveis. As próximas semanas servirão de teste para avaliar se o fim dos incentivos a cliques fáceis será suficiente para melhorar a qualidade do debate público na rede social.

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