Quando a notícia é silenciada, quem perde é você: o impacto da violência contra jornalistas

Novo levantamento internacional revela recorde de mortes de profissionais de imprensa e escancara o desafio de garantir o direito do cidadão à informação livre e segura.
Resumo da Notícia
  • Unesco registrou 189 jornalistas mortos no mundo entre 2024 e 2025, maior número em uma década.
  • A maioria das mortes ocorreu em zonas de conflito, com destaque para a Palestina.
  • No Brasil, o Ministério da Justiça adotou um protocolo específico para investigar crimes contra comunicadores.

A rotina de quem busca se manter bem informado sobre política, segurança e os rumos da sociedade sofre um abalo direto quando a integridade de quem apura os fatos é colocada em risco. O cerceamento e a violência letal contra profissionais de imprensa afetam diretamente o direito da população de ter acesso a informações checadas e transparentes sobre conflitos, política e corrupção.

Divulgado em 2 de março de 2025, o mais recente levantamento da Unesco trouxe números alarmantes que escancaram essa realidade. O relatório aponta que 189 jornalistas foram assassinados no mundo entre 2024 e 2025, o maior número registrado em uma década. Desse total, 127 mortes ocorreram em zonas de conflito, o que representa 67% das ocorrências e um aumento de 24% em relação ao biênio 2022/2023.

As estatísticas detalham que 104 mortes aconteceram durante a cobertura de conflitos armados, incluindo 50 causadas por drones, 36 em ataques a escritórios ou instalações de imprensa e 15 casos com indícios claros de alvejamento mesmo com a identificação de imprensa visível. Fora das zonas de conflito, foram contabilizados 62 casos, impulsionados por coberturas sensíveis: 38 jornalistas reportavam sobre política, 22 sobre atividades criminais, além de perdas que atingiram 5 profissionais na faixa etária de 15 a 24 anos, 20 na faixa de 25 a 29 anos e 14 mulheres (7% do total).

O impacto dessa escalada fez com que Sylvie Couldray, Diretora de Liberdade de Expressão e Desenvolvimento da Mídia da Unesco, fizesse um alerta contundente sobre a diversidade de riscos enfrentados pelos profissionais: “Isso mostra que fazer reportagens sobre alguns assuntos pode ser tão perigoso quanto reportar em uma zona de guerra”.

O cenário de vulnerabilidade também passa pelo Brasil, que registrou 1 morte no período monitorado. No Pará, a Polícia Civil concluiu e remeteu à Justiça o inquérito sobre a morte do jornalista Luís Augusto Carneiro da Costa (Luisinho Costa), com quatro indiciados. Para combater a impunidade, o país adotou o Protocolo Nacional para a Investigação de Crimes contra Jornalistas e Comunicadores Sociais, lançado em abril de 2025 pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

O panorama histórico da Unesco revela que, desde 2006, 1.641 jornalistas foram assassinados globalmente. Desse total, apenas 223 mortes foram solucionadas pelo sistema judiciário (14%), enquanto 1.013 assassinatos continuam impunes (66%) e 321 casos seguem sem resposta das autoridades (20%), consolidando um nível de impunidade global de 86%.

Para tentar reverter esse quadro, a Unesco contatou 78 países, mas apenas 38 forneceram informações sobre segurança, deixando 40 nações sem respostas pendentes. Encerrando o debate, Mariya Gabriel, Diretora de Comunicação e Informação da Unesco, reforçou o papel institucional da pesquisa: “O relatório é uma ferramenta importante para monitorar as tendências globais, além de nos lembrar que proteger jornalistas e acabar com a impunidade são essenciais para salvaguardar a liberdade de expressão e o direito do público à informação”.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja Mais