Pesquisa da USP encontra toxinas de fungos em mais da metade de leites em pó e fórmulas infantis

Estudo analisou 190 produtos comprados em mercados e farmácias e detectou substâncias ligadas a riscos à saúde em bebês e crianças pequenas.
Resumo da Notícia
  • Mais de 50% das amostras de leite em pó e fórmulas infantis analisadas tinham micotoxinas.
  • Pesquisa da USP avaliou 190 produtos adquiridos em supermercados e farmácias.
  • Zearalenona foi o contaminante mais frequente, aparecendo em quase um terço dos itens.
Pesquisa da USP encontra toxinas de fungos em mais da metade de leites em pó e fórmulas infantis
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Abrir uma lata de leite em pó ou de fórmula infantil para preparar a mamadeira dos filhos é um gesto rotineiro na vida de milhões de famílias. O que pouca gente imagina é que, escondidas sem deixar cheiro, gosto ou cor, substâncias tóxicas produzidas por fungos podem estar presentes nesses alimentos que vão direto para o prato de bebês e crianças pequenas.

Um levantamento recente conduzido por pesquisadores da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da Universidade de São Paulo (USP), em Pirassununga, jogou luz sobre esse problema silencioso. O estudo revelou que mais da metade das amostras de produtos infantis analisadas continha micotoxinas, compostos químicos gerados por fungos que se desenvolvem na umidade e na sombra, do campo até as prateleiras.

Como isso afeta você

A presença dessas toxinas em itens de consumo diário acende um sinal de alerta para pais e responsáveis. Embora a contaminação faça parte de desafios industriais e agrícolas globais, a exposição continuada de crianças pequenas a substâncias com potencial tóxico, estrogênico ou cancerígeno exige atenção rigorosa dos órgãos de fiscalização e maior controle de qualidade na cadeia de produção dos alimentos.

O que revelam os números da pesquisa

O trabalho científico analisou 190 amostras de sete categorias diferentes de produtos infantis à base de leite, coletadas em supermercados e farmácias entre maio de 2023 e maio de 2025. O material passou por exames laboratoriais detalhados utilizando técnicas avançadas de cromatografia líquida e espectrometria de massas.

Do total de itens testados, 98 amostras — o equivalente a 51,6% — apresentavam pelo pior um tipo de micotoxina. O dado que mais preocupa os especialistas é que, em 32 desses produtos, os pesquisadores encontraram uma mistura de duas a quatro toxinas agindo em conjunto.

Entenda o que significa

Micotoxinas: São compostos químicos venenosos produzidos naturalmente por certos tipos de fungos, como os gêneros Aspergillus, Fusarium e Penicillium. Elas contaminam grãos e alimentos durante o plantio, a colheita ou o armazenamento inadequado. Como são extremamente resistentes, não desaparecem facilmente com o processamento industrial ou o cozimento.

Amostras totais analisadas (190)
Amostras com micotoxinas (51,6%)
Presença de Zearalenona (32%)
Amostras com múltiplas toxinas (16,8%)

Substância mais frequente

Entre os compostos monitorados, a zearalenona apareceu com maior frequência, sendo identificada em 60 das 190 amostras, o que representa 32% do total. O estudo mapeou seis grupos prioritários de micotoxinas, incluindo aflatoxinas, fumonisinas, ocratoxina A, deoxinivalenol e toxina T-2.

Os resultados detalhados do trabalho foram publicados recentemente na revista científica internacional Dairy, assinados pelo pesquisador Sana Ullah e orientados pelo professor Carlos Oliveira. A pesquisa serviu para calcular os riscos exatos associados ao consumo infantil, embora as marcas específicas dos produtos avaliados não tenham sido divulgadas no artigo acadêmico.

Com o mapeamento concluído pela universidade, o próximo passo envolve pressionar por políticas públicas mais rígidas de monitoramento e controle preventivo nas matérias-primas agrícolas usadas pelas indústrias de laticínios.

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