Resumo da Notícia
- Sistema Único de Saúde registrou 9.904 resultados positivos para subtipos de HPV associados ao câncer do colo do útero.
- Novo exame molecular de DNA-HPV substitui gradualmente o Papanicolau e antecipa o rastreio em cerca de 10 anos.
- Tecnologia já é adotada em 26 estados brasileiros, com previsão de cobertura nacional completa ainda em 2024.
Desde que o exame molecular de rastreio de HPV em mulheres começou a ser disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), 9.904 testes apresentaram resultado positivo para HPV de alto risco. O subtipo do vírus é diretamente associado ao risco de desenvolvimento de câncer do colo do útero, tornando a detecção precoce uma ferramenta central na estratégia de saúde pública.
Avanço tecnológico na prevenção
Indicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde 2013, o exame DNA-HPV começou a ser implementado pelo SUS no início deste ano, substituindo gradualmente o tradicional teste Papanicolau na rotina de atendimento. A principal vantagem do método molecular está na capacidade de identificar a presença do patógeno antes mesmo que ele evolua para uma lesão pré-cancerígena.
Dados de um estudo conduzido pelo Centro de Atenção à Saúde Integral da Mulher da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), desenvolvido com pacientes em Indaiatuba (SP), demonstram o impacto da inovação: o uso do DNA-HPV antecipou em dez anos a detecção do câncer do colo do útero.
Enquanto a média de idade para o rastreamento da doença pelo método convencional situava-se em 49,3 anos, com o teste molecular a média caiu para 39,6 anos, ampliando a janela de tratamento e as perspectivas de recuperação para as pacientes.
Expansão da rede e cenário nacional
Atualmente, 26 estados brasileiros já integram o novo protocolo em suas redes de saúde. O Espírito Santo, único ente federativo que ainda conclui a transição, deve receber os novos insumos e equipamentos ao longo deste ano, conforme projeções do Ministério da Saúde.
Projeções do Inca: Estima-se que o Brasil possa registrar cerca de 19,3 mil novos casos de câncer do colo do útero por ano até 2028. Atualmente, a neoplasia figura como o terceiro tipo de tumor mais comum entre as mulheres no país, mas apresenta índices de cura superiores a 95% quando diagnosticada nas fases iniciais.