PF encontra foto de Gonet com Vorcaro fumando charuto em Londres; PGR confirma autenticidade
A Polícia Federal (PF) encontrou no celular apreendido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, uma fotografia em que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, aparece sentado ao seu lado, segurando um charuto durante um evento de degustação de uísque. O encontro ocorreu em Londres, no Reino Unido.
A descoberta do registro fotográfico contrasta com o tom adotado pelo chefe do Ministério Público Federal na última terça-feira (15). Durante sessão no Supremo Tribunal Federal (STF), Gonet havia afirmado publicamente que teve um “único encontro” com Vorcaro, classificado por ele como “banal” e acompanhado de outras autoridades.
A origem da mensagem
De acordo com o relatório de inteligência da Polícia Federal, a imagem não foi tirada por Vorcaro, mas encaminhada a ele no dia 19 de junho de 2025 pelo advogado Ciro Soares, que atuava na defesa do Banco Master. Junto com a foto, o advogado enviou a mensagem: “PG me mandou” — em referência direta às iniciais de Paulo Gonet.
Procurada pela imprensa para explicar o contexto da imagem, a assessoria da Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou a autenticidade da fotografia, mas declarou que o procurador-geral não faria comentários oficiais sobre o episódio. Nos bastidores, aliados de Gonet afirmam que a foto foi tirada em abril de 2024 e reiteram a avaliação de que o registro não demonstra relação de intimidade entre as partes.
A defesa do advogado Ciro Soares também se manifestou, alegando que, na data em que a imagem foi feita, não havia qualquer investigação formal em curso contra o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ressaltando que “não há qualquer irregularidade na foto”.
Contexto de crise no STF
O vazamento desta imagem joga mais combustível na atual crise instalada no Supremo Tribunal Federal. O material consta no mesmo relatório da Polícia Federal — solicitado pelo ministro André Mendonça e alvo de contestações — que revelou outras trocas de mensagens entre os executivos do Banco Master e figuras-chave de Brasília.
O próprio procurador-geral da República, Paulo Gonet, já havia se manifestado formalmente pela nulidade desse relatório da PF. A tese da PGR é de que o documento foi produzido a partir de uma solicitação individual do ministro Mendonça, sem que houvesse um pedido prévio de investigação por parte do Ministério Público Federal, o que violaria o rito processual exigido para apurações que possam envolver ministros da Corte.