Geleiras que derretem nos Alpes revelam arsenal de guerra intacto após um século

Aquecimento global na Europa faz o gelo recuar e traz à tona centenas de munições da Primeira Guerra Mundial, transformando trilhas turísticas em áreas de risco.
Resumo da Notícia
  • Exército italiano recolheu e desativou 250 explosivos que emergiram das geleiras nos Alpes.
  • Material bélico pertence à chamada Guerra Branca, travada entre 1915 e 1918 na região de fronteira.
  • Derretimento do gelo devido ao aquecimento global expõe riscos reais para turistas e excursionistas.
Geleiras que derretem nos Alpes revelam arsenal de guerra intacto após um século
Foto: Divulgação / www.acordacidade.com.br / www.acordacidade.com.br (Uso jornalístico / Divulgação oficial (www.acordacidade.com.br))

Caminhar pelas montanhas cobertas de neve na Europa costuma ser um passeio de contemplação, mas quem se aventura pelos Alpes italianos tem encontrado vestígios perigosos do passado. Com o avanço do derretimento das geleiras, impulsionado pelo aquecimento global, toneladas de gelo têm cedido e deixado à mostra um arsenal militar esquecido há mais de cem anos.

Somente nas últimas semanas, equipes especializadas do exército italiano retiraram e desativaram 250 artefatos explosivos que começaram a brotar da superfície congelada. O perigo é real para quem visita a região, já que os projéteis e munições mantêm a capacidade de detonação mesmo depois de tanto tempo enterrados na neve.

Como isso afeta você

O derretimento de geleiras em regiões turísticas globais mostra como as mudanças climáticas alteram a geografia e trazem riscos inesperados. Para quem viaja para áreas montanhosas na Europa, trilhas antes consideradas seguras agora exigem atenção redobrada das autoridades de segurança e equipes de resgate contra explosivos antigos.

A herança congelada da Guerra Branca

O material bélico encontrado pelos soldados pertence ao período entre 1915 e 1918, quando os Alpes foram palco de confrontos brutais entre as forças da Itália e do Império Austro-Húngaro. Conhecido historicamente como a “Guerra Branca”, o conflito aconteceu em altitudes extremas, onde o frio rigoroso e as avalanches mataram mais soldados do que os combates diretos.

Naquela época, armas, munições, suprimentos e até mesmo corpos de combatentes foram abandonados ou soterrados por tempestades de neve repentinas. Durante décadas, o gelo eterno funcionou como um cofre natural, preservando tudo em perfeito estado de conservação.

Entenda o que significa

A chamada Guerra Branca foi a vertente alpina da Primeira Guerra Mundial. Tropas italianas e austro-húngaras lutaram em trincheiras cavadas diretamente no gelo a mais de 3 mil metros de altitude, enfrentando temperaturas que chegavam a dezenas de graus abaixo de zero.

Pesquisadores da Universidade de Bergamo que acompanham o fenômeno apontam que a perda de massa glacial se acelerou drasticamente desde a década de 1990. Conforme o gelo recua anualmente durante o verão europeu, itens pessoais de soldados e armamentos pesados voltam à luz do dia em pontos como o Monte Scorluzzo, a mais de 3 mil metros de altura.

1915 – 1918
Forças italianas e austro-húngaras travam combates extremos nos Alpes durante a Primeira Guerra Mundial.
Década de 1990
O recuo acelerado das geleiras começa a revelar objetos, roupas e armamentos antigos na região.
Verão atual
Excursionistas encontram projéteis emergindo do gelo, mobilizando a Brigada Alpina Julia para varreduras e desativações.

Entre os itens recolhidos pela Brigada Alpina Julia estão dezenas de projéteis de artilharia de 75 milímetros e cartuchos de morteiro do tipo Thevetot. Especialistas em desarmamento de explosivos continuam realizando varreduras em pontos estratégicos dos campos glaciais para evitar acidentes com turistas.

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