Funai e Ministério dos Povos Indígenas acionam PF após onda de ataques a comunidades no MS

Destaque • Redação NinjaFSA

Órgãos federais acompanham denúncias de violência, ameaças e incêndio a casa de rezadeira de 90 anos no interior sul-matogrossense.

Funai aciona PF e pede apuração de casos de ataques contra indígenas
Foto: Divulgação / Agência Brasil / Agência Brasil (Uso jornalístico / Divulgação oficial (Agência Brasil))
Funai e Ministério dos Povos Indígenas acionam PF após onda de ataques a comunidades no MS
Foto: Divulgação / Agência Brasil / Agência Brasil (Uso jornalístico / Divulgação oficial (Agência Brasil))

As comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul registram uma escalada de ameaças e episódios de violência após o encerramento do segundo turno das eleições presidenciais. Diante da gravidade dos relatos, o Ministério dos Povos Indígenas e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) acionaram a Polícia Federal para investigar os casos.

Incêndio criminoso e perda de patrimônio sagrado

Entre os episódios mais graves confirmados por entidades de direitos humanos está o incêndio da residência da rezadeira Ñandesy Roberta, de 90 anos. A ocorrência se deu na aldeia Jaguapiré, localizada no município de Tacuru, a cerca de 427 quilômetros de Campo Grande.

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De acordo com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o ato teve caráter criminoso e destruiu não apenas a moradia da idosa, mas também instrumentos sagrados utilizados em rituais tradicionais do povo Kaiowá e Guarani. A organização apontou o ocorrido como uma violação aos direitos fundamentais e à liberdade religiosa.

Em manifestação pública por meio de redes sociais, lideranças da Apib cobraram rigor na apuração e a punição dos responsáveis na forma da lei, destacando que as tensões têm colocado em risco a integridade física dos moradores da região.

Força-tarefa e medidas governamentais

Para centralizar o recebimento e o encaminhamento das denúncias, o governo federal anunciou a criação de uma força-tarefa interministerial. O Ministério da Justiça requisitou informações a todas as corregedorias estaduais e do Distrito Federal sobre ocorrências envolvendo povos originários no período eleitoral.

Paralelamente, o Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul (MPF-MS) instaurou procedimentos para verificar a veracidade das acusações. No caso de Tacuru, o órgão fixou prazo para que a prefeitura local preste esclarecimentos sobre a atuação de servidores citados em áudios com ameaças e declarações hostis às comunidades.

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Investigação de áudios e desinformação

Investigações preliminares também miram a circulação de mensagens de áudio em redes sociais que associam o resultado das urnas a retaliações contra os indígenas. Em um dos registros, um servidor municipal sugere a contaminação da água de abastecimento local, o que motivou o afastamento temporário do funcionário e a abertura de processo administrativo disciplinar pela prefeitura.

Por outro lado, o MPF esclareceu que nem todas as ocorrências relatadas procedem. Em Naviraí, investigações conduzidas pelo órgão apontaram que denúncias de supostos homicídios decorrentes de conflitos políticos tratavam-se de boatos associados a imagens veiculadas fora de contexto.

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