Flávio Bolsonaro decide não acionar TSE contra reajuste do Bolsa Família
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais deste ano, definiu sua estratégia em relação ao polêmico aumento do Bolsa Família anunciado pelo governo federal nesta semana. Diferente de outros atores da oposição, a campanha do PL decidiu que não irá acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tentar suspender os pagamentos.
A decisão foi tomada após intensas reuniões da coordenação de campanha em Brasília. O cálculo político por trás do recuo é direto: evitar a criação de uma narrativa na qual a chapa conservadora seja vista pelo eleitorado, especialmente no Nordeste, como a responsável por “tirar dinheiro dos mais pobres” a pouco mais de duas semanas do pleito.
Críticas mantidas, ação descartada
Embora a campanha tenha descartado a via judicial, a retórica política continuará incisiva. Flávio Bolsonaro e seus aliados seguirão utilizando o espaço no horário eleitoral e nas redes sociais para criticar o que classificam como “desespero eleitoreiro” e “uso da máquina pública” por parte do Palácio do Planalto.
“Nós não somos contra o povo ter dinheiro no bolso, até porque quem mais sofre com a inflação de alimentos desse governo é o mais pobre. Mas o brasileiro não é bobo e percebe claramente quando uma medida de última hora é feita apenas para tentar comprar a eleição”, pontuou um interlocutor ligado ao núcleo duro da campanha do PL.
O processo nas mãos de Mendonça
Mesmo com a desistência do PL em atuar como autor, o reajuste do Bolsa Família já é alvo de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) na Corte. Conforme noticiado anteriormente, o coordenador do Movimento Brasil Livre (MBL), Renan Santos, protocolou uma denúncia alegando abuso de poder político e econômico por parte do governo.
O caso está sob a relatoria do ministro André Mendonça, do STF e TSE. A postura da chapa de Flávio Bolsonaro será de aguardar o desfecho desse processo nos bastidores, colhendo eventuais frutos políticos caso o reajuste seja suspenso pelo ministro, mas sem assumir o ônus de assinar a petição contra o programa de transferência de renda.