Resumo da Notícia
- Luyara Franco denunciou comentários racistas contra Marielle Franco em grupo de WhatsApp de integrantes da PUC-Rio.
- A universidade confirmou a abertura de investigação interna por meio da Ouvidoria para adotar medidas legais e administrativas.
- O episódio ocorre semanas após apoiadores de Flávio Bolsonaro ironizarem o assassinato da vereadora em um ato próximo à instituição.
A família da vereadora carioca Marielle Franco, assassinada em março de 2018, voltou a ser alvo de ataques virtuais. Luyara Franco, filha de Marielle, denunciou nas redes sociais postagens com teor racista e ofensivo contra a memória da mãe em um grupo de WhatsApp integrado por membros da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), instituição onde Marielle cursou sociologia.
“Mais uma vez, atacam a memória da minha mãe com o ódio e o racismo. Dói, revolta, mas não vai nos silenciar. Racismo é crime! Exigimos respeito, apuração e posicionamento da PUC-Rio.”
— Luyara FrancoAtaques e repercussão
Segundo o relato compartilhado junto ao Instituto Marielle Franco, uma das mensagens utilizou termos pejorativos e questionou a trajetória acadêmica da ex-aluna. Para Luyara, a ofensa vai além de um ataque pessoal e atinge a representatividade de uma mulher negra que construiu sua carreira com dedicação e compromisso social.
“A gente está falando de uma mulher negra, que ocupou a universidade, que construiu sua trajetória com muito trabalho, inteligência e compromisso com a transformação da sociedade”, afirmou Luyara, reforçando que condutas dessa natureza configuram crime inafiançável e imprescritível perante a Constituição Federal.
Posicionamento da instituição
Em nota oficial, a PUC-Rio informou que recebeu denúncias por meio de sua Ouvidoria e do Canal Externo de Denúncias. A instituição abriu uma investigação interna para apurar os fatos e aplicar as medidas administrativas e cabíveis.
Nota institucional: A universidade destacou que rechaça veementemente qualquer ato discriminatório, incluindo racismo e injúria racial, e reafirmou seu compromisso com a promoção de uma educação antirracista e com a preservação da memória da ex-aluna.
Histórico recente de ofensas
O episódio ocorre pouco tempo depois de outra manifestação hostil contra a memória da vereadora. No último dia 13, durante um ato político nas proximidades da PUC-Rio protagonizado por apoiadores do então presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), manifestantes utilizaram um carro de som para ironizar o assassinato de Marielle e do motorista Anderson Gomes.
Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes são assassinados a tiros no centro do Rio de Janeiro.
Executores confessos e mandantes apontados pelas investigações, incluindo ex-policiais e autoridades públicas, são condenados pela Justiça.
Família denuncia novos ataques racistas e piadas sobre o assassinato em ambiente universitário e atos públicos.
As investigações sobre o assassinato de Marielle e Anderson resultaram na condenação, em 2024, dos executores confessos Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, além de mandantes apontados pelo Ministério Público, como os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, e o ex-chefe da Polícia Civil Rivaldo Barbosa.