Após derrota no Senado, Marina Silva critica novo Congresso e alerta para retrocessos ambientais
Ministra afirma que composição eleita pode dificultar políticas ambientais e critica aproximação de parte da direita brasileira com Donald Trump.

Entenda a notícia em poucos pontos
- Marina Silva não conseguiu uma cadeira no Senado por São Paulo.
- Ministra classificou o novo Congresso como pouco favorável às políticas ambientais.
- Ela criticou a influência de Donald Trump sobre setores políticos brasileiros.
- Discussões sobre licenciamento e fiscalização ambiental estão entre suas preocupações.
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), criticou a composição do Congresso Nacional eleito em 2026 e manifestou preocupação com possíveis retrocessos na política ambiental brasileira. Em entrevista à Folha de S.Paulo publicada nesta sexta-feira (9), após não conquistar uma vaga no Senado por São Paulo, ela afirmou considerar a nova composição legislativa marcada pela força de grupos contrários a medidas de proteção ambiental.
Marina também questionou a proximidade de setores da política brasileira com o presidente norte-americano Donald Trump. Na avaliação da ministra, essa relação pode interferir em discussões sobre soberania e preservação dos recursos naturais.
Derrota nas urnas e futuro político
Marina disputou uma das cadeiras do Senado por São Paulo e obteve cerca de 7,8 milhões de votos, votação insuficiente para garantir sua eleição. O resultado foi interpretado pela própria ministra como parte de um cenário de fortalecimento das forças conservadoras na disputa legislativa.
Embora não tenha conquistado uma cadeira no Senado, ela segue participando do debate público e defende a continuidade da agenda de combate ao desmatamento e de proteção à biodiversidade.
A ministra também comentou as dificuldades enfrentadas por sua legenda, a Rede Sustentabilidade, e divergências internas relacionadas à organização partidária e ao financiamento da campanha.
Por que Marina critica o novo Congresso?
Na entrevista, Marina apontou a presença expressiva de políticos ligados ao agronegócio e de parlamentares que contestam regras ambientais consideradas importantes pelo governo.
Entre os assuntos mencionados estão a flexibilização do licenciamento ambiental, a fiscalização realizada pelo Ibama e a proteção de áreas de preservação.
A ministra entende que a aprovação de propostas para reduzir exigências ambientais pode ampliar riscos para florestas, recursos hídricos e populações que dependem diretamente desses territórios.
O que significa a crítica ao Congresso?
Avaliação de Marina: a nova composição parlamentar poderá dificultar a aprovação de políticas ambientais.
Outra perspectiva: defensores da simplificação regulatória argumentam que alterações no licenciamento podem reduzir burocracia e estimular investimentos.
O que está em disputa: a definição de regras que conciliem atividade econômica, fiscalização e proteção ambiental.
Trump entra no debate sobre soberania
Marina também criticou o alinhamento de parte da direita brasileira com Donald Trump. Segundo a ministra, decisões estratégicas do país não deveriam ficar subordinadas a interesses de governos estrangeiros.
A afirmação ocorre num período de discussões sobre relações comerciais, clima e acordos internacionais. Entretanto, a crítica política de Marina não demonstra que todos os congressistas eleitos defendam as mesmas posições sobre os Estados Unidos.
Licenciamento ambiental deve continuar no centro do debate
Uma das principais divergências entre o governo federal e setores do Congresso está relacionada às exigências para autorizar atividades e obras com impacto ambiental.
Parlamentares favoráveis à flexibilização defendem mais previsibilidade, redução de custos e agilidade na análise de projetos. Organizações ambientalistas, por outro lado, alertam para possíveis prejuízos quando estudos e fiscalização são reduzidos.
O resultado das eleições pode alterar a correlação de forças no Congresso, mas os efeitos concretos dependerão dos projetos apresentados, das negociações parlamentares e das votações realizadas.
Questões ambientais têm impacto na Bahia
As discussões sobre licenciamento e fiscalização também interessam à Bahia, onde agricultura, indústria, energia, mineração e preservação ambiental compartilham desafios de gestão territorial.
Em municípios baianos, os efeitos de novas regras poderão variar conforme a atividade econômica e o tipo de empreendimento. Não há, neste momento, alteração automática na legislação causada pelo resultado das eleições.
Ministra declara apoio à reeleição de Lula
Marina também declarou apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro.
Para ela, a manutenção de compromissos ambientais deve integrar o debate eleitoral. O candidato adversário, Flávio Bolsonaro (PL), representa outro programa de governo, e as diferenças podem ser avaliadas nos documentos registrados na Justiça Eleitoral.
Próxima legislatura definirá rumos das propostas
A composição do Congresso eleito influenciará a tramitação de políticas ambientais a partir de 2027, quando os novos parlamentares assumirem os mandatos.
As declarações de Marina explicitam as divergências políticas sobre o tema, mas as futuras decisões dependerão do trabalho legislativo e das negociações entre governo e oposição.