Violência política cresce nas eleições de 2026, e mulheres são maioria das vítimas
Levantamento registra 134 casos durante a campanha do primeiro turno. Mulheres foram alvos em mais da metade dos episódios, apesar de representarem cerca de um terço das candidaturas.

Entenda a notícia em poucos pontos
- Pesquisa registra 134 episódios de violência política no primeiro turno de 2026.
- Mulheres foram vítimas em 70 ocorrências, ou 52,2% do total.
- Entre os casos contra candidaturas, 58,8% atingiram mulheres.
- Levantamento aponta dificuldades para responsabilizar os autores.
O Brasil registrou 134 casos de violência política durante os 50 dias de campanha do primeiro turno das eleições de 2026, encerrado em 4 de outubro. Os dados, divulgados pelas organizações Terra de Direitos e Justiça Global, mostram que mulheres foram vítimas em 70 episódios, mais da metade do total identificado.
A pesquisa revela que a violência política continua atingindo candidatos, apoiadores e pessoas que participam de atividades eleitorais. Os episódios envolveram ameaças, ofensas discriminatórias, agressões e outras formas de intimidação.
Na comparação com o primeiro turno de 2022, quando foram registrados 121 casos, o levantamento indica crescimento do número de ocorrências monitoradas pelas organizações.
Mulheres são maioria entre vítimas
Dos 134 episódios contabilizados, 70 tiveram mulheres como vítimas, o equivalente a 52,2%.
O desequilíbrio é ainda maior quando são considerados apenas os ataques dirigidos a candidaturas. Dos 102 casos dessa categoria, 60 atingiram mulheres, representando 58,8%.
O percentual chama atenção porque mulheres representaram 34,85% das candidaturas nas eleições de 2026, segundo a pesquisa.
Isso significa que a presença feminina entre as vítimas de violência dirigida a candidaturas foi proporcionalmente superior à participação das mulheres na disputa eleitoral.
Quais tipos de violência foram registrados?
O levantamento identifica diferentes modalidades de violência política, incluindo ameaças, discriminação e ataques físicos.
Foram registrados 45 episódios com manifestações de machismo ou misoginia, nove relacionados a racismo e cinco classificados como transfobia.
Entre as ocorrências de violência simbólica, que incluem ameaças e ofensas, as mulheres representaram 61,9% das vítimas.
Já os dois assassinatos e dez dos 11 atentados registrados tiveram homens como vítimas, mostrando diferenças entre as formas de violência identificadas.
Violência política não é apenas agressão física
O conceito utilizado pelo levantamento inclui episódios destinados a intimidar, constranger ou prejudicar a participação política de alguém.
Isso pode abranger ameaças e ofensas discriminatórias, além de agressões e atentados.
A classificação estatística dos episódios não substitui a análise jurídica de cada caso.
Redes sociais e ruas concentram ataques
As plataformas digitais foram apontadas por pesquisadoras como ambientes em que ofensas e ameaças podem se espalhar rapidamente.
Apesar disso, a maior parcela dos casos registrados no levantamento ocorreu presencialmente: foram 71 episódios nas ruas.
Os números mostram que o problema não se limita à internet, atingindo também campanhas, atos públicos e outras atividades políticas.
Mulheres negras também enfrentam violência
Pessoas negras corresponderam a 44,8% das vítimas de violência política registradas na pesquisa, totalizando 60 pessoas.
Entre as 70 mulheres atingidas, 19 eram mulheres pretas. As organizações destacam que discriminações de gênero e raça podem aparecer simultaneamente nos episódios de intimidação.
As entidades defendem medidas de prevenção e respostas mais rápidas das autoridades diante de ameaças e outros ataques.
Casos aumentaram em relação a 2022
O primeiro turno de 2026 apresentou 134 episódios monitorados, contra 121 registrados no mesmo período eleitoral de 2022.
Segundo as organizações, durante a campanha eleitoral houve, em média, uma ocorrência a cada nove horas.
No período anterior à campanha, a frequência média registrada foi de um caso a cada 44 horas.
A comparação considera os episódios identificados pela metodologia adotada no levantamento. Os números não representam necessariamente todas as ocorrências existentes no país.
Responsabilização segue como desafio
Até o encerramento da coleta, as organizações não haviam identificado punição aplicada aos responsáveis pelos 134 episódios mapeados.
Houve medidas urgentes em pelo menos oito casos, incluindo remoção de conteúdo, suspensão de perfis e medidas de proteção.
Para os pesquisadores, essas providências podem reduzir riscos imediatos, mas não equivalem à responsabilização definitiva dos autores.
Participação política exige segurança
As informações reforçam o debate sobre condições de segurança para quem participa de campanhas, concorrendo ou não a cargos eletivos.
Críticas a ideias, decisões e programas políticos fazem parte do debate democrático. Ameaças, discriminação e violência contra participantes, porém, exigem apuração pelas autoridades.
A pesquisa também destaca a importância de políticas de prevenção para que a participação na vida pública não seja limitada pelo receio de intimidação ou agressão.