Flávio Dino divulga relatório com milhares de ameaças contra ministros do STF
Ministro publicou registros de mensagens com ameaças de agressão e assassinato e afirmou que intimidações não modificarão sua atuação na Corte.

Entenda a notícia em poucos pontos
- Flávio Dino publicou registros de ameaças contra ministros do STF em seu perfil no Instagram.
- Segundo o ministro, relatório de segurança registra milhares de mensagens violentas.
- Dino afirmou que não mudará suas decisões em razão das intimidações.
- O histórico de ameaças contra membros do tribunal já motivou investigações anteriores.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou nesta sexta-feira (9) trechos de um relatório de segurança da Corte que reúne milhares de mensagens publicadas na internet com ameaças de agressão e assassinato contra integrantes do tribunal. Os registros foram compartilhados em seu perfil no Instagram, acompanhados de uma manifestação em defesa da independência judicial.
As mensagens divulgadas incluem ameaças dirigidas ao próprio Dino e a outros ministros, entre eles Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin.
O ministro afirmou que as intimidações são graves, mas declarou que não alterará suas decisões profissionais por causa de ameaças pessoais.
Milhares de mensagens violentas
O material foi apresentado por Flávio Dino e inclui publicações com ameaças de agressão e morte. O número exato de autores identificados não foi informado na reportagem consultada.
O que aparece no relatório?
Segundo a Agência Brasil, o conteúdo divulgado pelo ministro apresenta mensagens publicadas nas redes sociais com ameaças a magistrados e referências a ataques contra a sede do tribunal.
Parte das publicações menciona nominalmente integrantes da Corte e propõe violência física como reação a decisões judiciais.
Em pelo menos um dos registros, a identificação do responsável foi ocultada por uma tarja preta na imagem publicada.
O conteúdo do relatório chama atenção pela quantidade de ameaças apontadas. Contudo, a divulgação dos trechos não esclarece quantas pessoas diferentes seriam responsáveis pelas publicações.
Dino afirma que não mudará sua atuação
Ao compartilhar os registros, Flávio Dino afirmou que discordâncias sobre decisões judiciais devem ser apresentadas pelos meios institucionais, como recursos aos órgãos competentes do Judiciário.
O ministro também relacionou a circulação de informações falsas ao ambiente de hostilidade dirigido a integrantes da Corte.
“Não precisa matar o juiz que tomou a decisão, nem fazer discursos raivosos incitando perseguições e agressões.”
Flávio Dino, em publicação no Instagram em 9 de outubro.Dino ressaltou que sua trajetória de décadas no serviço público não será alterada pela pressão de mensagens violentas.
Na manifestação, ele argumentou que o funcionamento do Judiciário ficaria comprometido caso magistrados deixassem de decidir processos por medo de represálias.
Debate sobre liberdade de expressão
A divulgação do relatório também envolve a distinção entre manifestações críticas e ameaças contra autoridades.
A liberdade de expressão protege a possibilidade de questionar decisões do STF, discordar de ministros e participar do debate sobre o funcionamento das instituições.
Ameaças concretas de morte ou agressão, por outro lado, podem configurar crimes, a depender das circunstâncias e das provas reunidas.
Crítica ou ameaça: qual é a diferença?
Crítica: discordar de uma decisão, questionar sua fundamentação ou defender mudanças na legislação ou no tribunal.
Ameaça: anunciar a intenção de praticar violência contra alguém, em condições que possam configurar o crime previsto na legislação.
Apuração: a responsabilidade criminal precisa ser individualizada, com exame da autoria, do conteúdo e do contexto.
Ameaças ao STF são investigadas desde 2019
O problema de ameaças a integrantes do Supremo não começou nesta semana. Desde 2019, o tribunal registra episódios de intimidação envolvendo ministros e seus familiares.
Naquele ano, o então presidente do STF, Dias Toffoli, determinou a abertura de uma investigação sobre ataques e ameaças dirigidos à Corte.
O procedimento tornou-se conhecido como Inquérito das Fake News e permanece em andamento, segundo a Agência Brasil.
A nova divulgação ocorre em um contexto de forte polarização política, mas o relatório apresentado não estabelece, por si só, a vinculação de todas as ameaças a um partido, candidatura ou grupo específico.
O relatório já gerou prisões?
A reportagem consultada não informa que a divulgação dos trechos tenha resultado imediatamente em prisões ou em decisões judiciais específicas contra autores das mensagens.
Para eventual responsabilização, será necessário identificar os responsáveis, reunir provas e observar os procedimentos legais.
O relatório de segurança pode subsidiar medidas de proteção institucional e apurações, mas não substitui uma investigação criminal individualizada.
Segurança de magistrados e instituições
A proteção de autoridades responsáveis por decisões judiciais faz parte da segurança institucional, especialmente diante de ameaças concretas.
Ao mesmo tempo, questionamentos públicos, recursos judiciais e debates sobre as decisões do STF continuam sendo instrumentos legítimos de participação democrática.
A divulgação feita por Dino recoloca em discussão como identificar e conter ameaças de violência sem confundir esse tipo de conduta com divergências políticas ou críticas institucionais.