Caiado oficializa apoio a Flávio no segundo turno em evento em Goiânia
Derrotado no primeiro turno, ex-governador de Goiás se alia ao candidato do PL; durante encontro, Flávio falou em usar a nova composição do Congresso para mudar a Constituição
A disputa pelo Palácio do Planalto começou a redesenhar as alianças políticas menos de uma semana depois do primeiro turno. Derrotado na corrida presidencial, Ronaldo Caiado (PSD) oficializou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) para o segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O anúncio foi feito durante um evento político em Goiânia, na terça-feira (6), com a presença de Flávio e outras lideranças. Caiado justificou a decisão pelo histórico de oposição ao PT e afirmou que pretende participar das articulações em favor do candidato do PL.
A decisão individual de Caiado acontece mesmo após o PSD optar pela neutralidade na disputa presidencial. A direção nacional da legenda liberou seus integrantes para definir individualmente qual candidatura apoiar no segundo turno.
Adversários no primeiro turno, aliados no segundo
A aproximação chama atenção porque Caiado e Flávio foram adversários durante o primeiro turno e tiveram divergências públicas ao longo da campanha.
Encerrada a primeira etapa da eleição, porém, o ex-governador de Goiás decidiu se alinhar ao candidato do PL. O movimento faz parte de uma reorganização da direita em torno da candidatura de Flávio para enfrentar Lula no segundo turno.
Romeu Zema (Novo), outro candidato derrotado no primeiro turno, também declarou apoio a Flávio. Outras siglas e lideranças de centro e centro-direita passaram a discutir posicionamentos para a etapa final da eleição.
Flávio fala em mudar a Constituição
Foi durante o encontro em Goiânia que Flávio fez uma das declarações de maior repercussão desde o início do segundo turno.
Ao comentar o desempenho das forças de direita nas eleições para o Congresso, o candidato afirmou que pretende aproveitar a nova composição da Câmara e do Senado para promover mudanças na Constituição Federal.
Flávio não detalhou, durante a declaração, quais dispositivos da Constituição pretende modificar. O candidato relacionou a proposta à sua intenção de promover mudanças institucionais e afirmou que pretende trabalhar para que as instituições voltem, segundo ele, a respeitar o texto constitucional.
Mudar a Constituição exige maioria qualificada
Mesmo que um presidente tenha uma base ampla no Congresso, mudanças na Constituição não podem ser feitas apenas por decisão do Poder Executivo.
Uma Proposta de Emenda à Constituição precisa ser aprovada em dois turnos na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. São necessários os votos favoráveis de três quintos dos parlamentares de cada Casa: pelo menos 308 dos 513 deputados e 49 dos 81 senadores.
Além disso, a própria Constituição estabelece limites para alterações por meio das chamadas cláusulas pétreas.
Segundo turno começa com disputa por alianças
O apoio de Caiado acontece em meio à corrida das duas candidaturas por partidos, lideranças regionais e eleitores que escolheram outros nomes no primeiro turno.
Flávio terminou a primeira votação com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%. Com nenhum dos candidatos ultrapassando metade dos votos válidos, a eleição será definida no segundo turno.
A votação decisiva está marcada para 25 de outubro. Até lá, tanto Flávio quanto Lula devem concentrar parte da estratégia na ampliação de alianças e na conquista dos eleitores que não votaram nos dois candidatos no primeiro turno.