Trabalho no feriado: Entenda por que deputados podem derrubar nova regra do governo que afeta o comércioPular para o conteúdo principal

Por Redação NINJAFSA

Portaria do Ministério do Trabalho que exige negociação com sindicato para funcionamento em feriados gerou forte reação de empresários. Congresso já articula votação de projetos para anular a medida, que pode ocorrer nesta semana.

Trabalho no feriado: Entenda por que deputados podem derrubar nova regra do governo que afeta o comércio

Uma portaria do Ministério do Trabalho e Emprego, editada no final de 2024 mas com seus efeitos mais sentidos em 2025, gerou uma forte crise entre o governo federal, o setor de comércio e serviços e o Congresso Nacional. A medida, que altera as regras para o trabalho em feriados, enfrenta grande resistência e pode ser derrubada pela Câmara dos Deputados nos próximos dias.

O que a nova regra estabelece?

A principal mudança implementada pela portaria é a exigência de que o trabalho em feriados seja autorizado por meio de uma Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). Isso significa que, para setores como supermercados, farmácias e o comércio em geral funcionarem nessas datas, é necessário que haja um acordo prévio negociado e assinado entre o sindicato dos empregadores e o sindicato dos trabalhadores daquela categoria.

A nova regra revogou uma norma anterior, do governo Bolsonaro, que permitia o funcionamento em feriados com base em acordos individuais entre patrão e empregado ou por meio de legislação municipal, sem a necessidade da anuência do sindicato dos trabalhadores.

As Críticas do Setor Empresarial

A reação do setor produtivo foi imediata e negativa. Entidades como a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) argumentam que a nova exigência cria uma enorme burocracia e insegurança jurídica.

Segundo os empresários, em muitas cidades brasileiras não existem sindicatos de trabalhadores ativos e organizados, o que na prática inviabilizaria a negociação e forçaria o fechamento do comércio nos feriados, resultando em perda de faturamento e de postos de trabalho. Eles classificam a medida como um “retrocesso” que prejudica a economia e o consumidor.

A Mobilização do Congresso para Derrubar a Medida

Insatisfeitos com a portaria, deputados federais, especialmente os ligados à Frente Parlamentar do Empreendedorismo, apresentaram uma série de Projetos de Decreto Legislativo (PDLs). Este é o instrumento que o Congresso utiliza para sustar os efeitos de atos do Poder Executivo que, na visão dos parlamentares, extrapolam seu poder regulamentar.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já declarou publicamente que há um sentimento majoritário na Casa pela derrubada da portaria do governo. A expectativa é que um dos PDLs seja colocado em votação em breve.

A Justificativa do Governo

O Ministro do Trabalho, Luiz Marinho, defende a medida como uma forma de proteger o trabalhador e fortalecer a negociação coletiva. Segundo o ministro, o trabalho em feriado é uma excepcionalidade e, portanto, as condições para essa jornada, incluindo folgas compensatórias e remuneração adicional, devem ser negociadas entre as categorias, através de seus sindicatos, garantindo que os direitos dos empregados sejam respeitados.

O impasse está criado, e a decisão sobre a validade da nova regra para o trabalho em feriados está, agora, nas mãos do Congresso Nacional.