As audiências públicas promovidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) entram hoje no seu segundo e último dia, em Washington. No centro do debate está a controversa proposta do governo americano de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos importados do Brasil.

A ofensiva tarifária baseia-se na investigação da “Seção 301”, que concluiu que o Brasil adota práticas que prejudicam o comércio estadunidense. Entre as alegações norte-americanas, destacam-se críticas ao sistema PIX (que os EUA consideram beneficiado pelo Banco Central brasileiro em detrimento de provedores estrangeiros), falhas no combate à corrupção, políticas de regulação das redes sociais e a ineficácia no enfrentamento ao desmatamento ilegal na Amazônia.

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O Papel de Flávio Bolsonaro:

A sessão de hoje será marcada pelo discurso do senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O parlamentar enviou previamente um documento de 86 páginas ao USTR, onde defendeu o sistema PIX, argumentando que sanções a este meio de pagamento prejudicam investimentos dos próprios EUA. A estratégia de Flávio é pedir a suspensão do “tarifaço”, especialmente até a conclusão das eleições brasileiras, para evitar que a medida fortaleça politicamente o presidente Lula e alimente narrativas anti-EUA.

A presença do senador gerou reações. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou a família Bolsonaro de “entreguismo”, criticando a tentativa do senador de dialogar diretamente com o governo americano sobre temas de soberania comercial e nacional.

A Estratégia do Governo Federal

Por sua vez, o Palácio do Planalto acompanha os desdobramentos de perto. Representantes da Embaixada do Brasil em Washington participam das audiências na condição de observadores. A postura do governo Lula, contudo, é cautelosa. O entendimento oficial é que o ambiente de audiências públicas — de caráter consultivo — não é o local adequado para negociações reais, preferindo conduzir as tratativas em conversas técnicas bilaterais com membros do governo norte-americano.

A avaliação da equipe econômica brasileira é que a proposta do USTR possui uma forte motivação política, instigada pelas tensões envolvendo pautas como o controle da internet e questões ambientais. Diante deste cenário, Brasília não acredita numa reversão total das tarifas, mas trabalha ativamente para garantir exceções a produtos estratégicos do agro e da indústria, minimizando assim o impacto sobre a balança comercial.

Após as audiências, o governo dos Estados Unidos tem até o dia 15 de julho para anunciar a sua decisão final sobre a aplicação ou não do tarifaço e a lista definitiva de produtos afetados.