Perícia questiona documento que assegurou mandato do presidente da CBF
Uma perícia técnica revelou indícios de falsificação na assinatura do ex-vice-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Antônio Carlos Nunes, em um acordo judicial que garantiu a permanência de Ednaldo Rodrigues na presidência da entidade. O laudo, assinado pela perita em documentoscopia Jacqueline Tirotti em 4 de maio de 2025, foi encomendado pelo vereador Marcos Dias (Podemos-RJ) e aponta que a assinatura de Nunes diverge de seu padrão em “características personalíssimas e imperceptíveis”. O documento, homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 24 de janeiro de 2025, encerrava disputas judiciais sobre a eleição de Rodrigues em 2022.

A suspeita ganhou força com um laudo médico de 2023, do neurologista Jorge Pagura, que atesta que Nunes, de 85 anos, sofre de ataxia e déficit cognitivo progressivo, dificultando atos administrativos. O acordo, assinado por Nunes, a Federação Mineira de Futebol, o ex-presidente Rogério Caboclo e outros vices, reconhecia a legalidade das assembleias de março de 2022. A deputada Daniela do Waguinho (União Brasil-RJ) pediu ao STF o afastamento imediato de Rodrigues, alegando vício de consentimento. O ministro Gilmar Mendes, em 7 de maio, negou a remoção, mas determinou que o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) investigue a suposta falsificação.
A CBF afirmou que não teve acesso ao laudo pericial e que o processo foi conduzido dentro da legalidade, com representantes legitimados. Uma audiência com Nunes está marcada para 12 de maio no TJ-RJ, com possibilidade de realização por videoconferência devido à sua saúde fragilizada. Em Feira de Santana, terra natal de Rodrigues, torcedores manifestaram preocupação com a crise na entidade, que pode impactar a gestão do futebol brasileiro.
