STF forma maioria para manter Vorcaro preso em julgamento da Segunda Turma
Mendonça, Fux e Nunes Marques votaram pela manutenção da prisão preventiva do banqueiro do Banco Master. Gilmar Mendes ainda não votou; Toffoli declarou suspeição e está fora do julgamento.


Votação segue aberta até 23h59 de 20/03.
Resumo da matéria — clique para expandir
A Segunda Turma do STF formou maioria nesta sexta-feira (13) para manter a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, preso pela segunda vez em 4 de março durante a 5ª fase da Operação Compliance Zero. Os ministros André Mendonça (relator), Luiz Fux e Kássio Nunes Marques votaram pela manutenção da medida. Ainda falta o voto do presidente do colegiado, Gilmar Mendes. Dias Toffoli declarou suspeição e não participa do julgamento. Também foram mantidas as prisões preventivas de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, e de Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado. A decisão sobre Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, perdeu eficácia em razão de seu falecimento na prisão.
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal consolidou nesta sexta-feira (13) a maioria necessária para manter Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, atrás das grades. Com votos favoráveis dos ministros André Mendonça, Luiz Fux e Kássio Nunes Marques, o placar chegou a três a zero pela manutenção da prisão preventiva do banqueiro, preso pela segunda vez no início deste mês. O julgamento ocorre em plenário virtual e a sessão ficará aberta para registro de votos até as 23h59 da próxima sexta-feira (20).
Mendonça é o relator do caso na Corte. Ao votar pelo referendo da sua própria decisão monocrática, o ministro sustentou que a prisão preventiva se justifica pela necessidade de garantir a ordem pública, a ordem econômica e o regular andamento das investigações. Segundo o relator, mensagens encontradas em aparelhos de Vorcaro e de seus aliados revelam a existência de um grupo organizado para monitorar e intimidar adversários do banqueiro — batizado internamente de “A Turma”. Entre os registros mais graves citados no processo, constam diálogos em que o empresário teria sugerido a simulação de um assalto contra o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, com o objetivo de violentá-lo e silenciar críticas ao seu conglomerado financeiro.
Fux e Nunes Marques seguiram na íntegra o voto do relator, sem apresentar ressalvas. No julgamento em plenário virtual, os ministros depositam seus votos no sistema eletrônico e, muitas vezes, não acompanham justificativas. Ambos têm até o dia 20 para eventualmente alterar suas posições, caso queiram. Falta ainda o pronunciamento de Gilmar Mendes, decano da Corte e presidente da Segunda Turma, que não havia votado até o fechamento desta edição.
A composição reduzida da turma gerou tensão nos dias anteriores ao julgamento. Com Toffoli fora da votação — que declarou suspeição por foro íntimo após a Polícia Federal apontar troca de mensagens entre ele e Vorcaro —, a turma passou a contar com apenas quatro ministros aptos a votar. Esse cenário abria espaço para um eventual empate em dois a dois, situação que, pela Lei 14.386/2024, beneficiaria automaticamente o investigado — o que poderia resultar em prisão domiciliar ou uso de tornozeleira eletrônica no lugar da detenção na Penitenciária Federal de Brasília.

A defesa de Vorcaro havia alimentado esperança justamente nesse cenário. Com a maioria agora formada, a estratégia perde força. A Procuradoria-Geral da República, sob comando de Paulo Gonet, havia sido contrária à prisão, argumentando que as mensagens que embasaram a decisão de Mendonça eram antigas e que o falecimento do “Sicário” — o operador do grupo — já havia reduzido o risco apontado pelo ministro. Mendonça, por sua vez, criticou a PGR abertamente no texto de seu voto, afirmando lamentar que o órgão não tivesse reconhecido risco imediato no caso.
“Existem fortes indícios da existência de grupo destinado a intimidar adversários e a monitorar autoridades, o que revela risco concreto de interferência nas investigações.”
— Ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF
Além de Vorcaro, a decisão de Mendonça alcançou outros investigados. Fabiano Zettel — empresário, pastor e cunhado do banqueiro, apontado como operador financeiro do grupo —, e Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado que teria atuado no esquema, permanecem presos. Apenas a medida relativa a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário” — responsável por operacionalizar supostas ameaças e coações contra desafetos de Vorcaro —, perdeu eficácia automaticamente em razão de seu falecimento na prisão, na semana passada.
Linha do tempo — Caso Master
- Fev. 2025Primeiras fases da Operação Compliance Zero apuram fraudes bilionárias no Banco Master.
- Fev. 2026PF aponta troca de mensagens entre Toffoli e Vorcaro. Ministro se afasta do caso; relação vai para Mendonça.
- 4 mar. 20265ª fase da Compliance Zero: Vorcaro é preso pela segunda vez junto de Zettel, “Sicário” e ex-policial federal.
- 11 mar. 2026Toffoli declara suspeição formal. STF rejeita pedido de CPI do Banco Master.
- 13 mar. 2026Segunda Turma inicia julgamento virtual. Maioria de 3×0 formada pela manutenção da prisão. Gilmar ainda vota.
Vorcaro está recolhido na Penitenciária Federal de Brasília — a mesma que abriga chefes de facções criminosas como Marcos Williams Herbas Camacho, o Marcola, líder do PCC. Mendonça concedeu ao banqueiro o benefício de que as comunicações com seus advogados não sejam monitoradas pela administração do presídio, o que gerou contestação de advogados de outros detentos que tentaram obter o mesmo tratamento. A defesa de Vorcaro informou que só se pronunciará sobre o resultado do julgamento após o voto de Gilmar Mendes.
