Prejuízo dos Correios quase dobra no 1º trimestre de 2026 e atinge marca de R$ 3 bilhões
Estatal amarga o seu 14º resultado financeiro negativo consecutivo. Fim da ‘Taxa das Blusinhas’, recém-anunciado pelo governo, é visto como uma manobra urgente para tentar estancar a sangria nas contas da empresa.
RESUMO DA MATÉRIA
Os Correios fecharam o primeiro trimestre de 2026 com um rombo astronômico de R$ 3 bilhões, praticamente o dobro do registrado no mesmo período do ano passado. Este é o 14º balanço negativo consecutivo da estatal. O buraco reflete a queda no volume de encomendas internacionais, motivando a recente decisão do presidente Lula de revogar a “Taxa das Blusinhas” na esperança de recuperar a receita logística da empresa.

A situação financeira da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos atingiu um nível crítico. O balanço divulgado referente ao primeiro trimestre de 2026 expôs um cenário alarmante para a maior empresa de logística do país: um prejuízo acumulado de R$ 3 bilhões apenas nos primeiros três meses do ano.
O valor não só impressiona pela magnitude, mas pelo salto negativo que representa. O rombo é praticamente o dobro do registrado no mesmo período do ano anterior. Pior ainda: o dado oficial assinala o 14º resultado financeiro trimestral negativo seguido da estatal, acendendo o alerta vermelho no Ministério das Comunicações e na equipe econômica do Governo Federal.
A conta da “Taxa das Blusinhas” chegou
Embora a estatal enfrente desafios históricos, analistas de mercado são unânimes em apontar a “Taxa das Blusinhas” como a grande vilã deste resultado catastrófico. A imposição do imposto de importação federal de 20% para compras internacionais abaixo de 50 dólares pulverizou o fluxo de encomendas vindas de plataformas asiáticas como a Shein, Shopee e AliExpress.
O transporte, desembaraço aduaneiro e entrega final (a chamada last mile) destas pequenas encomendas constituíam, até então, uma das fontes de receita mais robustas e garantidas para manter as operações dos Correios lucrativas.
O colapso na arrecadação logística explica o recuo drástico do Governo Federal no mês passado. Temendo a insolvência da estatal em pleno ano eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva atropelou a equipe do ministro Fernando Haddad e assinou a revogação da referida taxa. O objetivo foi claro: tentar reanimar o comércio eletrónico internacional para devolver aos Correios o seu volume de trabalho habitual.
O mercado agora aguarda os próximos balanços para avaliar se o fim da taxação terá força suficiente para estancar a sangria nos trimestres seguintes de 2026. Além da recuperação do volume de entregas internacionais, a administração dos Correios terá de apresentar um plano de corte de despesas internas para evitar que a estatal volte a depender de aportes diretos do Tesouro Nacional para honrar as suas folhas de pagamento.