Com ‘superpoderes’, Moraes manda PF intimar presidente da Unafisco após críticas sobre blindagem no caso Master
Kleber Cabral denunciou a paralisação de investigações da Receita Federal sobre movimentações multimilionárias da família de Moraes e do ministro Dias Toffoli; ação é vista como grave intimidação.
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m novo e alarmante embate entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e órgãos de fiscalização do Estado ganha os holofotes em Brasília. Utilizando do que críticos classificam como “superpoderes” dentro da Corte, o ministro Alexandre de Moraes determinou que a Polícia Federal (PF) intime para depoimento o presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco Nacional), Kleber Cabral.
O motivo da intimação gerou choque nos bastidores políticos: Cabral deu declarações recentes criticando duramente decisões judiciais que estariam limitando e paralisando investigações da Receita Federal. Segundo as denúncias que ecoam em Brasília, a paralisação afeta diretamente as apurações sobre movimentações financeiras multimilionárias da família de Moraes e do também ministro Dias Toffoli, ambas ligadas ao crescente escândalo do Banco Master.

De acordo com o despacho assinado por Moraes, o STF quer saber se as falas do presidente da Unafisco configuram “tentativa de embaraço a investigações em curso, difamação das instituições democráticas ou incitação contra decisões da Suprema Corte”. A PF marcou a oitiva para a próxima semana na sede da corporação no Distrito Federal.
A medida gerou forte reação. Integrantes do Fórum Nacional das Carreiras Típicas de Estado (Fonacate) apontam que a intimação fere a liberdade de expressão e a prerrogativa de atuação sindical. “O que o presidente da Unafisco fez foi denunciar que o sistema financeiro de autoridades está sendo blindado, enquanto o auditor que tenta investigar é perseguido. Tratar isso como matéria policial é calar quem tenta proteger o dinheiro público”, declarou um diretor da entidade, sob reserva de identidade por medo de represálias.
O episódio adiciona gasolina à fervente crise de imagem do STF. O questionamento que toma conta das redes sociais e dos corredores do Congresso é se a democracia brasileira está alimentando uma estrutura intocável que, sob a justificativa de defender a soberania, reprime qualquer fiscalização sobre seus próprios membros.