Lula rebate Trump sobre facções e avisa: “Não aceitamos ser tratados como republiqueta”
O presidente criticou a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas globais, defendeu a soberania nacional e alfinetou a relação da família Bolsonaro com o governo norte-americano.
RESUMO DA MATÉRIA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu de forma contundente à decisão do governo de Donald Trump de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais. Em nota oficial, o governo brasileiro defendeu a sua autonomia em matéria de segurança pública, rejeitou interferências unilaterais e disparou críticas à postura subserviente da oposição brasileira em relação aos EUA.

O embate diplomático entre o Brasil e os Estados Unidos ganhou contornos mais hostis nas últimas horas. A decisão da administração de Donald Trump de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas globais provocou uma forte reação do Palácio do Planalto.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) subiu o tom contra a medida norte-americana e rejeitou qualquer tipo de intervenção unilateral no país. “Nós não aceitamos ser tratados como se fosse uma republiqueta”, declarou o mandatário, evidenciando o desconforto de Brasília com o anúncio feito por Washington sem a devida concertação prévia com as autoridades brasileiras.
Soberania e a crítica à oposição
Na sequência das declarações do presidente, o Governo Federal emitiu uma nota oficial para clarificar o seu posicionamento. O texto sublinha que o Brasil é o único responsável pela própria segurança interna e pelo combate ao crime organizado no seu território.
O Itamaraty reforçou que o país está, como sempre esteve, aberto a acordos de cooperação internacional e partilha de inteligência. Contudo, frisou que essas tratativas devem ocorrer de forma mútua, respeitosa e em pé de igualdade, rejeitando frontalmente ações que possam soar como ataques à soberania nacional.
A nota do governo não poupou a oposição. O texto fez críticas diretas à atuação da família Bolsonaro, acusando-a de subserviência aos interesses norte-americanos. Como exemplos de políticas externas prejudiciais e da complacência da oposição, o documento citou tanto esta nova rotulagem das facções quanto o recente “tarifaço” global de Trump, que encarece as importações e ameaça a economia brasileira.
A classificação do PCC e do CV como organizações terroristas pelos EUA implica, na prática, o congelamento de bens e o bloqueio de ativos financeiros que as facções ou os seus membros possam ter em território americano, além de proibir cidadãos e empresas dos EUA de realizarem qualquer transação com estes grupos.
O episódio aprofunda o atrito diplomático entre a atual gestão petista e o governo Trump, somando-se à recente crise envolvendo a revogação do visto de um assessor especial norte-americano que pretendia visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na cadeia.