O escândalo financeiro que assola Brasília acaba de ultrapassar as barreiras da oposição e atingir em cheio o núcleo duro do Palácio do Planalto. O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Senado, foi alvo de uma megaoperação da Polícia Federal (PF) na manhã desta quinta-feira.

Agentes federais cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços residenciais e escritórios políticos ligados ao ex-governador da Bahia, tanto em Salvador quanto na capital federal. A ação é mais um desdobramento bombástico do chamado “Caso Master”, que investiga um complexo esquema de evasão de divisas, fraudes e lavagem de dinheiro orquestrado pelo empresário Pedro Vorcaro, atualmente preso.

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Um escândalo suprapartidário

A inclusão do líder do governo petista na lista de investigados demonstra a magnitude e a capilaridade da teia financeira construída ao redor do conglomerado Master.

O caso já não escolhe lados ideológicos no Congresso Nacional. Nas últimas semanas, a mesma operação já havia arrastado nomes graúdos de diferentes espectros políticos. O senador Flávio Bolsonaro (PL) teve um áudio vazado onde negociava R$ 134 milhões com Vorcaro sob juras de lealdade, enquanto o senador Ciro Nogueira (PP), expoente do Centrão, foi alvo de buscas por supostamente receber uma “mesada” de R$ 300 mil para defender os interesses do empresário.

O Rastro das Investigações:
A Polícia Federal procura recolher documentos, dispositivos eletrônicos e registros de comunicação que possam comprovar o recebimento de vantagens indevidas ou doações não declaradas por parte da estrutura financeira do Master para campanhas políticas e enriquecimento ilícito.

A defesa do senador Jaques Wagner ainda não se manifestou de forma detalhada sobre o conteúdo do mandado, mas aliados próximos afirmaram que o parlamentar está “tranquilo e à inteira disposição da Justiça para prestar todos os esclarecimentos necessários”. No Palácio do Planalto, o clima é de forte apreensão face ao desgaste político que a operação impõe à base governista na reta final do ano.

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