# Funai e Ministério dos Povos Indígenas acionam PF após onda de ataques a comunidades no MS

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- Published: 2026-10-31T02:45:55+00:00
- Author: NINJAFSA

Destaque • Redação NinjaFSA

## Órgãos federais acompanham denúncias de violência, ameaças e incêndio a casa de rezadeira de 90 anos no interior sul-matogrossense.

 Por **NINJAFSA**
 31/10/2026 às 02:45 • _Atualizado em 31/10/2026 às 03:07_

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 Foto: Divulgação / Agência Brasil / Agência Brasil (Uso jornalístico / Divulgação
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Foto: Divulgação / Agência Brasil / Agência Brasil (Uso jornalístico / Divulgação
oficial (Agência Brasil))

As comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul registram uma escalada de ameaças
e episódios de violência após o encerramento do segundo turno das eleições presidenciais.
Diante da gravidade dos relatos, o Ministério dos Povos Indígenas e a Fundação Nacional
dos Povos Indígenas (Funai) acionaram a Polícia Federal para investigar os casos.

## Incêndio criminoso e perda de patrimônio sagrado

Entre os episódios mais graves confirmados por entidades de direitos humanos está
o incêndio da residência da rezadeira Ñandesy Roberta, de 90 anos. A ocorrência 
se deu na aldeia Jaguapiré, localizada no município de Tacuru, a cerca de 427 quilômetros
de Campo Grande.

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De acordo com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o ato teve caráter
criminoso e destruiu não apenas a moradia da idosa, mas também instrumentos sagrados
utilizados em rituais tradicionais do povo Kaiowá e Guarani. A organização apontou
o ocorrido como uma violação aos direitos fundamentais e à liberdade religiosa.

Em manifestação pública por meio de redes sociais, lideranças da Apib cobraram rigor
na apuração e a punição dos responsáveis na forma da lei, destacando que as tensões
têm colocado em risco a integridade física dos moradores da região.

  LEIA TAMBÉM: [Conflito entre entregadores e agentes da CET termina em agressões na Zona Sul de SP](https://ninjafsa.com.br/conflito-entregadores-agentes-cet-zona-sul/)

## Força-tarefa e medidas governamentais

Para centralizar o recebimento e o encaminhamento das denúncias, o governo federal
anunciou a criação de uma força-tarefa interministerial. O Ministério da Justiça
requisitou informações a todas as corregedorias estaduais e do Distrito Federal 
sobre ocorrências envolvendo povos originários no período eleitoral.

Paralelamente, o Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul (MPF-MS) instaurou
procedimentos para verificar a veracidade das acusações. No caso de Tacuru, o órgão
fixou prazo para que a prefeitura local preste esclarecimentos sobre a atuação de
servidores citados em áudios com ameaças e declarações hostis às comunidades.

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## Investigação de áudios e desinformação

Investigações preliminares também miram a circulação de mensagens de áudio em redes
sociais que associam o resultado das urnas a retaliações contra os indígenas. Em
um dos registros, um servidor municipal sugere a contaminação da água de abastecimento
local, o que motivou o afastamento temporário do funcionário e a abertura de processo
administrativo disciplinar pela prefeitura.

Por outro lado, o MPF esclareceu que nem todas as ocorrências relatadas procedem.
Em Naviraí, investigações conduzidas pelo órgão apontaram que denúncias de supostos
homicídios decorrentes de conflitos políticos tratavam-se de boatos associados a
imagens veiculadas fora de contexto.
