Governo espera arrecadar R$ 14 bilhões neste ano com alta na tarifa de importação de mais de mil produtos; celulares foram taxados
Medida visa proteger a indústria nacional da concorrência externa e dar fôlego ao caixa do Tesouro para o cumprimento das metas do arcabouço fiscal; eletrônicos estão na mira.
RESUMO DA MATÉRIA
O governo federal confirmou que a recente elevação das tarifas de importação atingirá mais de mil produtos estrangeiros, com destaque para o setor de eletroeletrônicos e celulares. A expectativa do Ministério da Fazenda é injetar R$ 14 bilhões adicionais aos cofres públicos em 2026, combinando proteção à indústria nacional e ajuste fiscal.

A
s recentes mudanças nas alíquotas do Imposto de Importação terão um impacto duplo e substancial na economia brasileira neste ano. Segundo estimativas do Ministério da Fazenda, a decisão de elevar as tarifas de mais de mil itens fabricados no exterior deverá gerar uma arrecadação extra de R$ 14 bilhões para os cofres públicos ao longo de 2026.

A medida atende diretamente a dois interesses centrais do Palácio do Planalto: a necessidade urgente de aumentar receitas para tentar cumprir a meta de déficit zero prevista no arcabouço fiscal, e a forte pressão do setor produtivo local, que alegava concorrência desleal com produtos asiáticos. Entre os itens mais afetados pelo reajuste estão os smartphones e diversos produtos eletroeletrônicos.
A lista de mais de mil produtos também abrange itens do setor químico, peças automotivas, maquinário industrial e artigos têxteis. Enquanto a equipe econômica do ministro Fernando Haddad comemora a previsão de R$ 14 bilhões como um alívio fiscal, associações de importadores e varejistas criticam a medida, argumentando que a alta tributária pode gerar inflação em cadeia, uma vez que muitos dos itens taxados são insumos para outras indústrias no Brasil.

O governo sustenta que as alterações respeitam os acordos do Mercosul e as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), tratando-se de recomposições tarifárias estratégicas para proteger a geração de empregos formais no país.