Ninja FSA | Notícias
AO VIVO

Projeto de Lei 3965/2021, que também destina recursos de multas para custear habilitação de baixa renda, torna obrigatório o teste de drogas para novos condutores de carros e motos. Proposta aguarda decisão do presidente Lula.

O Plenário da Câmara dos Deputados concluiu na noite de quinta-feira (29 de maio) a aprovação do Projeto de Lei 3965/2021, que traz mudanças significativas para o processo de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Entre as principais medidas estão a criação de um programa de CNH Social, para custear a habilitação de pessoas de baixa renda, e a obrigatoriedade da realização de exame toxicológico para candidatos à primeira habilitação nas categorias A (motocicletas) e B (automóveis). A proposta agora segue para a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

CNH Social para Baixa Renda

O projeto aprovado institucionaliza em nível nacional a possibilidade da “CNH Social”, um programa que utilizará parte dos recursos arrecadados com multas de trânsito para financiar integralmente o processo de formação de condutores de baixa renda. Para ter acesso ao benefício, os interessados deverão estar inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico). A medida visa facilitar o acesso à habilitação, que pode ser um importante instrumento para a inserção no mercado de trabalho.

Exame Toxicológico Ampliado para Categorias A e B

Uma das alterações mais impactantes do projeto é a extensão da obrigatoriedade do exame toxicológico para todos os candidatos à primeira CNH nas categorias A e B. Atualmente, o teste de larga janela de detecção – que identifica o uso regular de substâncias psicoativas como maconha, cocaína, opiáceos e anfetaminas em um período mínimo de 90 dias, através de amostras de cabelo, pelo ou unha – é exigido apenas para motoristas profissionais das categorias C, D e E.

Segundo o texto aprovado, o resultado negativo no exame toxicológico será condição para a obtenção da Permissão para Dirigir (PPD). Caso o resultado seja positivo, o candidato não poderá prosseguir com o processo de habilitação, mas não sofrerá sanções criminais ou administrativas adicionais por isso, podendo refazer o teste após um período. O relator da proposta na Câmara, deputado Alencar Santana (PT-SP), mencionou que foram retirados do texto alguns “excessos” que constavam em versões anteriores, como a exigência do exame para todas as categorias com renovação a cada 2,5 anos, focando a nova obrigatoriedade na primeira habilitação para as categorias mais comuns. No entanto, algumas interpretações da imprensa especializada apontam que a exigência também poderá valer para a renovação da CNH dessas categorias, o que será confirmado com a sanção e eventual regulamentação.

A medida conta com o apoio de entidades como a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), que considera o exame toxicológico um pilar na prevenção de acidentes. Uma pesquisa do Ipec indicou que 83% da população é favorável à ampliação da exigência do teste. Conforme a proposta, clínicas médicas já credenciadas para os exames de aptidão física e mental poderão realizar a coleta do material biológico, que será encaminhado para análise em laboratórios homologados.

Outras Mudanças e Próximos Passos

O mesmo projeto de lei também incluiu a permissão para a transferência de veículos de forma totalmente digital, com o contrato de compra e venda referendado por assinaturas eletrônicas, medida que também aguarda sanção.

Após a aprovação pela Câmara dos Deputados, o PL 3965/2021 foi encaminhado para o Poder Executivo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem agora o prazo de 15 dias úteis para sancionar o texto integralmente, vetá-lo parcialmente ou vetá-lo por completo. Caso sancionado e publicado no Diário Oficial da União, as novas regras passarão a ter força de lei, com prazos específicos para entrada em vigor que poderão ser detalhados na própria lei ou em regulamentações posteriores do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).

Widget Rodapé Navegação - NinjaFSA