
O silêncio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) diante das graves acusações que pesam sobre o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), tem chamado a atenção no Congresso Nacional. Enquanto a oposição se mobiliza para cobrar esclarecimentos sobre as menções ao magistrado encontradas pela Polícia Federal nos celulares do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o filho “01” do ex-presidente Jair Bolsonaro evita comentar o caso publicamente.
Nos bastidores de Brasília, a explicação para a cautela é pragmática e remonta a julho de 2019. Na ocasião, Dias Toffoli, então presidente do STF, concedeu uma liminar decisiva que suspendeu todas as investigações criminais do país baseadas em dados do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) sem prévia autorização judicial. A decisão, tomada durante o recesso do Judiciário, paralisou o inquérito das “rachadinhas” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), onde Flávio era o principal alvo.
Agora, com Toffoli no centro de uma tempestade que envolve suspeitas de venda de sentenças e tráfico de influência em esquemas bilionários, a “dívida” política parece cobrar seu preço na forma de omissão. Flávio, que costuma ser vocal contra ministros considerados “adversários”, como Alexandre de Moraes, não endossou os pedidos de impeachment ou de CPI contra Toffoli que circulam entre parlamentares da direita.
A postura de Flávio destoa da base mais radical do PL, mas reflete o jogo de sobrevivência política que marca a relação entre o clã Bolsonaro e o ministro que, em um momento crucial, lhes estendeu a mão.