Especialistas destacam acessibilidade da tecnologia e desafios para detecção em ano eleitoralOs ataques utilizando deepfake, técnica de inteligência artificial que forja rostos, vozes, vídeos e documentos de forma hiper-realista, registraram aumento de 126% no Brasil ao longo de 2025. Os dados constam do relatório “Identity Fraud Report 2025-2026”, divulgado pela empresa Sumsubs. A tecnologia, que antes exigia equipamentos potentes e conhecimento técnico avançado, tornou-se mais acessível, permitindo a criação de conteúdos falsos com ferramentas simples.

Nas eleições municipais de 2024, o Digital Forensic Research Lab (DFRLab) identificou 78 casos de materiais confirmados ou alegadamente gerados por IA. Para 2026, ano de eleições presidenciais e gerais em meio a um cenário de polarização política, há expectativa de maior incidência de deepfakes, com potencial para comprometer a formação de opinião dos eleitores e impactar o processo democrático.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) instituiu, em junho de 2025, um grupo de trabalho para propor medidas contra desinformação eleitoral. Uma resolução aprovada em 2024 proíbe o uso de IA para criar e disseminar conteúdos falsos em campanhas, com mecanismos para remoção rápida e responsabilização de candidatos e plataformas. As normas específicas para as eleições de 2026 devem ser aprovadas pelo TSE até março de 2026, após audiências públicas.
Especialistas consultados apontam desafios na detecção. Antônio Netto, especialista em IA, explica que deepfakes visam simular a realidade para enganar, como alterar vídeos para inserir falas falsas em políticos ou celebridades. Ele destaca que os algoritmos de detecção não acompanham o ritmo de evolução da tecnologia falsificadora. Arthur Richardisson, vice-presidente do Observatório Nacional da Abracrim, defende a necessidade de tipos penais específicos para deepfakes, um marco regulatório geral de IA integrado à legislação eleitoral e maior regulação das plataformas digitais.
O TSE não detalhou mecanismos em estudo específicos para deepfakes em 2026, mas reforça a aplicação das regras existentes para preservar a integridade eleitoral.
