Após zerar PIS e Cofins para conter alta, Petrobras anuncia reajuste de R 0,38 no litro do diesel
Primeiro aumento do combustível em mais de 400 dias passa a valer a partir deste sábado (14). Governo federal zerrou tributos e criou subvenção de R$ 0,32 por litro para amenizar o impacto nos postos, pressionados pela disparada do petróleo no mercado internacional.


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A Petrobras anunciou nesta sexta-feira (13) um reajuste de R$ 0,38 por litro no preço do diesel A vendido às distribuidoras, com vigência a partir de sábado (14). O ajuste de 11,6% é o primeiro aumento em mais de 400 dias e ocorre após a disparada do petróleo no mercado internacional, provocada pelo agravamento da guerra no Oriente Médio — o barril Brent saltou de cerca de US$ 60 para mais de US$ 100 no início de março. Para amenizar o impacto nos postos, o governo federal zerou as alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel (redução equivalente a R$ 0,32 por litro) e criou um programa de subvenção econômica de R$ 0,32 por litro via MP 1.340/2026. A Petrobras também aprovou adesão ao programa. A gasolina não foi reajustada.
A conta do petróleo caro chegou ao bolso do brasileiro. A Petrobras anunciou nesta sexta-feira (13) o primeiro aumento no preço do diesel em mais de 400 dias: o reajuste de R$ 0,38 por litro — equivalente a 11,6% — passa a valer a partir deste sábado (14) para as distribuidoras em todo o Brasil. A decisão foi tomada após reunião da presidente da companhia, Magda Chambriard, com os diretores Financeiro e de Comercialização e Logística, seguindo os ritos de governança da estatal.
O gatilho para o reajuste foi a escalada brutal do petróleo no mercado internacional. O barril do tipo Brent, referência global para precificação de combustíveis, disparou de cerca de US$ 60 para mais de US$ 100 no início de março, impulsionado pelo agravamento do conflito no Oriente Médio e pela redução do tráfego de navios no Estreito de Ormuz — canal por onde passa aproximadamente 20% de todo o petróleo consumido no mundo. Com a defasagem acumulada frente às cotações internacionais, a Petrobras não tinha mais como segurar o reajuste sem prejudicar o equilíbrio financeiro da empresa.
Com o ajuste, o preço médio do diesel A — combustível puro, antes da mistura obrigatória — vendido às distribuidoras passa de R$ 3,27 para R$ 3,65 por litro. Considerando a mistura obrigatória de 85% de diesel A com 15% de biodiesel que forma o diesel B — o produto que chega nos postos —, o impacto estimado ao consumidor final é de R$ 0,32 por litro. A participação da Petrobras no preço final do diesel B nos postos passará a ser, em média, de R$ 3,10 por litro.
Para tentar amortecer o impacto nos postos, o governo federal agiu na véspera. Na quinta-feira (12), o presidente Lula assinou um pacote de medidas emergenciais: zerou as alíquotas de PIS e Cofins incidentes sobre a comercialização do diesel por meio do Decreto 12.875 — alívio tributário estimado em R$ 0,32 por litro —, e publicou a Medida Provisória 1.340/2026, que cria um programa de subvenção econômica de R$ 0,32 por litro pago às empresas produtoras e importadoras de diesel. O pacote inclui ainda a taxação da exportação de petróleo para estimular o refino interno e a obrigação de os postos sinalizarem ao consumidor a redução de tributos nos preços.
Impacto do reajuste — composição de preços
| Item | Valor por litro | Efeito |
|---|---|---|
| Reajuste Petrobras (diesel A) | + R$ 0,38 | Aumento |
| Impacto no diesel B (mistura 85/15) | + R$ 0,32 | Aumento ao consumidor |
| Zeragem PIS/Cofins (Decreto 12.875) | − R$ 0,32 | Redução tributária |
| Subvenção econômica (MP 1.340/2026) | − R$ 0,32 | Subsídio a produtores |
| Novo preço médio diesel A (distribuidoras) | R$ 3,65/litro | — |

O Conselho de Administração da Petrobras aprovou a adesão ao programa de subvenção, embora a assinatura formal do termo ainda dependa da publicação das regras operacionais pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que deverá definir o preço de referência para operacionalização do benefício. Combinando o reajuste com o eventual recebimento da subvenção, o impacto financeiro para a estatal pode chegar a R$ 0,70 por litro — valor que a empresa considera mais adequado para cobrir a defasagem acumulada frente ao mercado externo.
“Não iremos fazer nenhuma intervenção numa empresa de capital aberto como a Petrobras. É natural que haja conversas sobre reajuste neste momento.”
— Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia
A Petrobras fez questão de contextualizar o reajuste dentro de um horizonte maior. Segundo a empresa, o último aumento havia ocorrido em fevereiro de 2025 — há mais de 400 dias — e a última movimentação de qualquer natureza nos preços do diesel havia sido uma redução realizada em maio de 2025. Desde dezembro de 2022, mesmo com este reajuste, o diesel A acumula queda de R$ 0,84 por litro nas distribuidoras, equivalente a uma redução de 29,6% considerando a inflação do período. Os preços da gasolina e dos demais combustíveis não foram alterados neste momento.
A cadeia de impactos tende a ser ampla. O diesel é o principal combustível do transporte de cargas no Brasil — caminhões que abastecem supermercados, feiras, indústrias e farmácias dependem diretamente do produto. Qualquer variação sensível no preço do diesel tem reflexos diretos no custo do frete e, consequentemente, nos preços dos alimentos e dos bens de consumo. Economistas e entidades do setor de transporte devem se pronunciar nas próximas horas sobre eventuais reajustes nas tabelas de frete, cujos efeitos poderão ser sentidos pelos consumidores ainda neste mês.
