Alta da dívida pública põe em xeque futuro do arcabouço fiscal de Haddad
Crescimento acelerado do endividamento e dificuldades na arrecadação pressionam meta de déficit zero e acendem alerta no mercado financeiro.

O cenário fiscal brasileiro volta a ser motivo de apreensão em Brasília e na Faria Lima. Dados recentes divulgados pelo Banco Central mostram que a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) atingiu um novo patamar preocupante, superando as projeções da equipe econômica para o início de 2026.

A escalada do endividamento coloca sob forte pressão o arcabouço fiscal, regra desenhada pelo ministro Fernando Haddad para substituir o antigo teto de gastos. A âncora, que depende fundamentalmente do aumento de receitas para zerar o déficit primário, enfrenta obstáculos com a frustração na arrecadação federal e a resistência do Congresso em aprovar novas medidas tributárias.
Economistas alertam que a relação Dívida/PIB, principal termômetro de solvência do país, caminha para níveis que podem afugentar investimentos. O mercado financeiro já precifica um cenário de descumprimento da meta fiscal, o que exigiria do governo o acionamento de gatilhos de contenção de despesas — medidas impopulares em ano eleitoral.

Diante do impasse, o Ministério da Fazenda prepara um novo pacote de revisão de gastos e combate a subsídios ineficientes, na tentativa de reverter a trajetória da dívida e acalmar os ânimos do mercado antes da próxima reunião do Copom.