PF detectou pagamento anual de R$ 33 milhões do Master a advogada citada como ‘canal direto com STF’
O aprofundamento das investigações da Polícia Federal (PF) sobre as operações envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) trouxe à tona novos elementos que elevam a temperatura nos bastidores de Brasília. Documentos extraídos de materiais apreendidos com dirigentes do BRB revelaram um repasse anual de R$ 33 milhões do Banco Master a uma advogada que, segundo as apurações, era citada como um “canal direto” de acesso a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
As informações indicam que a profissional atuava ostensivamente como lobista jurídica, facilitando trânsitos em gabinetes de cortes superiores. Entre as menções identificadas pela PF, há referências à advogada Dalide Costa, figura que já atuou como diretora do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) — fundado pelo ministro Gilmar Mendes. Nas eleições de 2022, ela figurou como suplente de João Campos (Republicanos) na disputa ao Senado por Goiás.
Repasses a escritórios de familiares de ministros
Os arquivos analisados pela corporação policial não se limitam ao contrato de R$ 33 milhões anuais. Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a identificação de pagamentos que totalizam R$ 40 milhões destinados ao escritório Barci de Moraes, banca de advocacia gerida por familiares do ministro Alexandre de Moraes.
De acordo com o relatório preliminar, a administração do Banco Master não possuía uma definição clara ou parâmetros técnicos sobre o que seria considerado “usual” para esse tipo de gasto com honorários advocatícios, o que reforçou as suspeitas sobre a real finalidade dos repasses.
Repercussão e defesas
A revelação dos pagamentos gerou forte repercussão em Brasília, dado o envolvimento do nome da instituição financeira em diversos outros inquéritos recentes que tramitam no próprio STF, como o caso do financiamento do filme “Dark Horse”.
Em relação às menções a seu gabinete, interlocutores informaram que o ministro Gilmar Mendes assegurou ter se afastado de Dalide Costa após a saída dela da diretoria do IDP, negando manter qualquer relação de proximidade atual com a advogada. Até o momento, o Banco Master não emitiu um posicionamento oficial justificando a natureza ou a prestação de contas dos serviços milionários contratados junto aos escritórios citados. O material apreendido segue sob rigorosa análise da Polícia Federal.