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Sem PP e Republicanos, Flávio Bolsonaro caminha para disputar eleição presidencial sem coligação formal
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Flávio Bolsonaro
Foto: Cristiano Mariz / Reprodução
Política

Sem PP e Republicanos, Flávio Bolsonaro caminha para disputar eleição presidencial sem coligação formal

Pela primeira vez desde a redemocratização de 1989, um pré-candidato com mais de 30% nas pesquisas pode concorrer ao Planalto sem apoio de outros partidos. Ausência de legendas aliadas impacta o tempo de TV e a escolha de candidatos à vice-presidência.

O cenário político para as eleições presidenciais tem apontado para uma configuração inédita desde a redemocratização. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que registra índices superiores a 30% nas pesquisas de intenção de voto, corre o risco de chegar à disputa do primeiro turno sem nenhuma aliança partidária formalizada.

A situação se consolidou neste fim de semana, após o partido Republicanos realizar uma convenção nacional em Brasília. Durante o encontro, a sigla decidiu que adotará uma postura de neutralidade, optando por não apoiar oficialmente nenhum candidato ao Palácio do Planalto no primeiro turno. A decisão da cúpula do Republicanos ocorreu dias após o Partido Progressistas (PP) também recusar uma aliança nacional com o PL.

Tempo de TV e contraste com adversários

A ausência de coligações gera impactos diretos na logística e na estratégia da campanha. O principal revés é a restrição no horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão. Sem o acréscimo de tempo proveniente de partidos aliados, Flávio Bolsonaro contará apenas com os minutos a que o PL tem direito, proporcional ao tamanho de sua bancada.

Em contraste, o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) articula uma ampla frente partidária de sustentação ao seu governo. Com a possível união de ao menos sete legendas, a chapa petista deverá concentrar quase metade de todo o tempo de propaganda eleitoral disponível no ar.

Dificuldades para a escolha da vice-presidência

O isolamento partidário também criou barreiras para a montagem da chapa. A recusa do Republicanos em compor a coligação inviabilizou a indicação da economista e ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques, que era o nome prioritário para a vaga de vice. Sem a formalização do acordo, o partido não liberou sua filiada para a disputa majoritária ao lado do PL.

O mesmo obstáculo impediu a participação da senadora Tereza Cristina (PP-MS). Ela chegou a aceitar o convite para compor a chapa, mas seu nome acabou sendo vetado pela direção nacional de seu partido, que preferiu manter a independência em relação à candidatura.

Próximos passos e encerramento dos prazos

O calendário impõe urgência às negociações. O prazo legal estipulado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o fechamento das coligações e o registro oficial das chapas se encerra nesta segunda-feira. Historicamente, desde a eleição de 1989, todos os candidatos que terminaram o primeiro turno entre os dois primeiros colocados contaram com o suporte de ao menos um partido aliado.

A campanha de Flávio Bolsonaro ainda tenta, nos bastidores, destravar apoios de siglas de médio porte para evitar um isolamento completo. Diante do limite imposto pelo calendário eleitoral, o pré-candidato anunciou que deverá divulgar o nome definitivo para a vaga de vice em sua chapa até o final do dia.

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