Proposta de delação aponta que ACM Neto e Antônio Rueda teriam cobrado comissões sobre aportes no Banco Master
Uma proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro aponta que o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, e o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, teriam cobrado comissões para viabilizar investimentos de fundos de previdência pública no Banco Master. A informação foi revelada pela imprensa nesta quinta-feira (10).
Segundo os relatos de Vorcaro em sua tentativa de firmar um acordo de colaboração, os dois políticos teriam direito a uma comissão de 10% sobre o valor de cada aplicação, ou de 1% ao ano enquanto os recursos permanecessem investidos na instituição financeira. O ex-banqueiro sustenta que as supostas vantagens indevidas, somadas, poderiam chegar à cifra de R$ 200 milhões.
Aportes de institutos de previdência
A proposta de delação menciona que a suposta intermediação atribuída aos dirigentes partidários teria garantido aportes bilionários ao Banco Master vindos de entidades estaduais. O documento cita o Rioprevidência (R$ 2,97 bilhões), a Amprev do Amapá (R$ 400 milhões), a Cedae (R$ 200 milhões) e a Amazonprev (R$ 50 milhões). Além disso, Vorcaro relata uma suposta cobrança de 10% sobre operações de compra de ativos do Master pelo Banco de Brasília (BRB).
Para registrar os valores que supostamente seriam devidos aos políticos, o ex-banqueiro afirma que mantinha uma “conta-corrente gerencial”. As investigações também contam com relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que identificaram transações financeiras formais. Os dados apontam que escritórios ligados a Antônio Rueda receberam R$ 6,4 milhões do Banco Master entre 2022 e 2025. Já uma empresa de consultoria ligada a ACM Neto registrou o recebimento de R$ 5,4 milhões entre 2023 e 2025.
Delação rejeitada e posição das defesas
A proposta de delação de Daniel Vorcaro não foi aceita pela Polícia Federal (PF) nem pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Os órgãos avaliaram que os relatos não traziam informações suficientemente inéditas e não ofereciam garantias adequadas para o ressarcimento dos valores relacionados às fraudes. Além disso, o documento apresentado não detalha quanto teria sido efetivamente pago a cada um dos políticos de forma individualizada, tratando-se, no momento, da versão de um investigado em busca de benefícios penais.
Ambos os citados negam veementemente as acusações. Em nota oficial, ACM Neto classificou as insinuações como “absurdas, completamente fantasiosas e mentirosas”, destacando que não teve acesso aos documentos da investigação para uma análise mais profunda.
Antônio Rueda também negou qualquer tipo de irregularidade. O presidente do União Brasil e seu escritório de advocacia sustentam a total regularidade de suas atividades profissionais, afirmando que os valores recebidos pelo escritório são fruto de serviços jurídicos técnicos e lícitos prestados ao conglomerado financeiro.
O caso segue sob investigação. As autoridades competentes continuam analisando documentos, mensagens apreendidas, contratos e movimentações financeiras para verificar se existem provas independentes capazes de corroborar ou afastar definitivamente as acusações feitas pelo ex-banqueiro.