Dino intima presidentes de 21 partidos para explicar destinação de emendas
O ministro do STF deu um prazo de 48 horas para que as legendas apresentem documentos detalhando o controle e os critérios utilizados para a distribuição de verbas parlamentares.

Detalhes da Intimação
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), impôs um novo ritmo de transparência às legendas partidárias brasileiras. Numa decisão monocrática, o magistrado deu um prazo curto e rigoroso de 48 horas para que os presidentes de 21 partidos políticos enviem informações detalhadas sobre os critérios que utilizam para definir a destinação de emendas parlamentares.
A determinação faz parte de uma série de ações que o Supremo tem movido nos últimos meses com o objetivo de “rastrear” o caminho do dinheiro público. O foco do STF é garantir que a distribuição dessas verbas não dependa apenas da vontade das lideranças partidárias, mas sim de critérios técnicos, públicos e auditáveis, evitando possíveis práticas de clientelismo.
Transparência no alvo
Segundo a decisão de Dino, as siglas devem informar se existe um regulamento formal que estabelece as prioridades para a alocação dos recursos. O ministro busca saber, especificamente, quais fatores pesam mais na balança dos dirigentes na hora de privilegiar um deputado em detrimento de outro, evitando que o “poder da caneta” de certos caciques seja usado como moeda de troca política sem transparência.
A medida causou um rebuliço nos bastidores do Congresso Nacional, com diversos presidentes de partidos a mobilizarem os seus departamentos jurídicos para reunir os documentos solicitados. Para muitos parlamentares, a movimentação do STF é vista como uma invasão na esfera da autonomia administrativa dos partidos, enquanto para o Tribunal, trata-se de um dever constitucional de zelar pela probidade na aplicação de recursos públicos.
O STF tem dado passos largos para controlar a execução das emendas, que se tornaram o centro de um longo conflito entre os poderes Judiciário e Legislativo no atual governo. Caso os partidos não cumpram o prazo estipulado por Dino, podem sofrer sanções financeiras e administrativas pesadas.
