“Tem que perguntar para o Flávio”, diz Michelle sobre áudio dele para Vorcaro
A ex-primeira-dama evitou comentar o vazamento das mensagens que revelam uma negociação de R$ 134 milhões entre o senador e o empresário investigado pela PF.
RESUMO DA MATÉRIA
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro distanciou-se do mais recente escândalo envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Ao ser questionada sobre o áudio vazado em que o filho do ex-presidente negocia R$ 134 milhões com o empresário Daniel Vorcaro — preso no “Caso Master” —, Michelle foi taxativa: “Tem que perguntar para o Flávio”.

O vazamento de áudios e mensagens comprometedoras entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o empresário Daniel Vorcaro, preso pela Polícia Federal, começou a causar fissuras na blindagem do núcleo duro do bolsonarismo. A ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, decidiu afastar-se da mais recente crise que atinge o enteado.
Questionada por jornalistas durante um evento público sobre as conversas reveladas pelo The Intercept Brasil, nas quais Flávio negocia a captação de R$ 134 milhões com Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro, Michelle foi rápida e direta em desvincular o seu nome do caso.
Tem que perguntar para o Flávio. Eu não cuido, não sei e não respondo pelos negócios dele. A minha pauta é outra.
Blindagem política no clã
A postura da ex-primeira-dama reflete uma tentativa clara de isolar os danos do “Caso Master”. Michelle, que hoje preside o PL Mulher e é considerada um dos principais cabos eleitorais do campo conservador para as próximas eleições, procura manter a sua imagem ilesa num momento em que a Polícia Federal avança sobre o financiamento obscuro de campanhas e projetos ligados à família.
O áudio em que Flávio jura lealdade a Vorcaro (“Estou e estarei contigo sempre”) tornou-se um grande problema político. O empresário está atualmente preso de forma preventiva, acusado de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e fraudes financeiras na estrutura do Grupo Master.
Além da captação para o filme, o nome de Vorcaro já havia sido ligado ao uso de jatos particulares em campanhas eleitorais de 2022 e a um esquema de pagamento de “mesada” que envolvia outras figuras proeminentes do Congresso, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI).
Flávio Bolsonaro, que despontava em empate técnico com o presidente Lula (PT) nas recentes pesquisas para a eleição de 2026, ainda não realizou nenhum pronunciamento oficial para justificar a relação estreita e a negociação milionária com o empresário detido.