O novo mascote do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), carinhosamente (e polemicamente) batizado de “Pilili”, foi pensado para ser uma ferramenta simpática de aproximação com os eleitores mais jovens e um aliado no combate às fake news. No entanto, em poucas horas, a personagem que representa a urna eletrónica tornou-se o centro de um aceso debate sobre os gastos públicos em Brasília.

Enquanto a internet brasileira cumpria o seu papel de criar dezenas de memes e piadas sobre o aspeto “infantilizado” da mascote durante a cerimónia de lançamento, que contou com a presença da presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, dados sobre a contratação da campanha vieram à tona, transformando a brincadeira numa enxurrada de críticas.

O Contrato Milionário:
A agência de publicidade e comunicação responsável pela criação da “Pilili” e de toda a identidade visual da campanha institucional possui um contrato assinado com o TSE cujo teto de gastos atinge os impressionantes R$ 6 milhões por ano.

A defesa do Tribunal

A revelação dos valores gerou indignação imediata por parte de parlamentares da oposição e contribuintes nas redes sociais, que questionaram se o custo estaria de acordo com a qualidade estética do material entregue e se era de facto uma prioridade para o tribunal naquele momento.

Diante da repercussão negativa, o TSE procurou esclarecer a situação. O tribunal informou que os R$ 6 milhões não foram gastos exclusivamente no desenho da mascote “Pilili”. O valor refere-se ao contrato anual global da agência, que engloba a produção de dezenas de campanhas nacionais, gestão de redes sociais, vídeos institucionais, inserções em rádio e TV, e toda a estratégia de comunicação voltada para o esclarecimento do eleitor e o combate à desinformação ao longo do ano eleitoral.

Ainda assim, a crise de imagem instalou-se. Especialistas em comunicação pública avaliam que, num momento em que os gastos da máquina estatal estão sob forte escrutínio da sociedade civil, lançamentos lúdicos precisam de ser muito bem calibrados para não se tornarem munição política contra as próprias instituições que visam promover.

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