Depois do pacote contra efeitos da guerra, governo Lula quer socorrer endividados unificando dívidas
A nova aposta da equipe econômica é criar um mecanismo para que o cidadão possa consolidar pendências de cartões, contas de luz e comércio numa única prestação com juros reduzidos, visando reaquecer o consumo.

O governo federal prepara uma nova e ambiciosa ofensiva na área econômica. Logo após articular um pacote de medidas de emergência para conter a alta dos combustíveis — provocada pela tensão e conflitos envolvendo o Irã no Oriente Médio —, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva volta agora as suas atenções para o mercado interno, com o objetivo de resgatar milhões de brasileiros do sufoco da inadimplência.
A nova proposta em estudo pela equipe econômica do Ministério da Fazenda visa oferecer um alívio estrutural às famílias endividadas através da “unificação de dívidas”. A medida funcionaria como uma evolução de programas anteriores de renegociação, mas com uma dinâmica mais abrangente e simplificada para o consumidor.
O fim da “bola de neve”
A ideia central do projeto é permitir que o cidadão reúna todos os seus débitos em aberto num único contrato. Isso significa que dívidas fragmentadas e com taxas abusivas — como faturas de cartão de crédito atrasadas, contas de água, luz, gás e crediários no comércio — poderiam ser consolidadas e transformadas numa única parcela mensal, balizada por juros muito inferiores aos praticados atualmente pelo mercado financeiro.
Para viabilizar este modelo, o governo estuda utilizar os bancos públicos (como a Caixa Econômica e o Banco do Brasil) como agentes consolidadores, ou acionar fundos garantidores que deem segurança aos bancos privados para que reduzam drasticamente as taxas cobradas na repactuação destas dívidas.
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Não adianta contermos a inflação externa se a família brasileira continua estrangulada, pagando juros sobre juros no cartão de crédito. Precisamos organizar o orçamento do trabalhador para que ele possa voltar a consumir e viver com dignidade.
Impacto no Varejo
A unificação das dívidas atende a um pedido duplo: socorre as famílias e, ao mesmo tempo, atende ao setor produtivo. Com parcelas mais baixas e previsíveis, o governo espera libertar parte do orçamento mensal das famílias, que voltariam a ter condições de consumir produtos no varejo, ajudando a reaquecer a economia e a impulsionar a geração de empregos no comércio.
A medida está em fase de modelagem final e as minutas do projeto deverão ser apresentadas ao presidente Lula nas próximas semanas. A expectativa é que o novo programa de repactuação seja anunciado oficialmente ainda no primeiro semestre, servindo como um dos principais pilares do governo no ano eleitoral.