Diretrizes da Polícia Civil sobre divulgação de operações geram reação de jornalistas em Feira de Santana
Ofício da corporação tenta centralizar informações e restringe o acesso da imprensa aos complexos policiais. Sindicato classifica as medidas como “cerceamento” ao trabalho jornalístico.

Um ofício emitido pela Assessoria de Comunicação da Polícia Civil da Bahia (PCBA), que trata da padronização das rotinas de divulgação das atividades da instituição, gerou um clima de tensão e preocupação entre os profissionais da imprensa que atuam em Feira de Santana.
O documento, datado de 3 de março de 2026 (ofício nº 090/2026), baseia-se na Lei Orgânica da corporação e numa portaria de setembro de 2025 para estabelecer novas e rigorosas normas que centralizam a divulgação de informações relacionadas com as operações policiais.

Acesso restrito e proibição de entrevistas
De acordo com as novas diretrizes, todas as informações de interesse público sobre as atividades da Polícia Civil devem passar a ser divulgadas exclusivamente pela Assessoria de Comunicação Social (Ascom-PCBA) sediada na capital, ou por autoridades previamente autorizadas pelo Gabinete do Delegado-Geral.
O ofício recomenda explicitamente evitar o acompanhamento de equipas de reportagem em ações e operações externas, a circulação de jornalistas nas dependências das unidades e a concessão de entrevistas por delegados sem o alinhamento prévio com a assessoria de comunicação.
A justificativa da Polícia Civil para estas medidas é a necessidade de preservar procedimentos investigativos, evitar prejuízos ao sigilo das operações e proteger a imagem dos policiais e das pessoas envolvidas nas ocorrências. Está prevista ainda a criação de “Núcleos de Comunicação” nos departamentos operativos e diretorias regionais.
Leia Também
A situação em Feira e a reação do Sindicato
A região de Feira de Santana não foi poupada. Pelo contrário: foi mencionada no ofício como um dos “pontos mais críticos” do estado no que diz respeito ao fluxo de informações, acompanhada de sugestões para um “novo formato de atendimento” que impõe restrições severas à circulação de repórteres dentro dos complexos policiais.
Diante do documento, o Sindicato dos Profissionais de Rádio e TV de Feira de Santana manifestou uma forte indignação. Em nota, a entidade revelou ter recebido o ofício com estranheza e classificou as diretrizes como um possível cerceamento ao exercício da atividade jornalística e uma ameaça à transparência pública.
O sindicato enfatizou que o objetivo da imprensa não é exigir privilégios, mas sim garantir o respeito ao livre exercício do jornalismo e a manutenção do fluxo de informações essenciais à sociedade.
Devido ao impasse, representantes da imprensa e da Polícia Civil reuniram-se na tarde desta quinta-feira (12) no Complexo do Sobradinho para debater a situação. Segundo o sindicato, o coordenador regional da 1ª Coorpin, delegado Rafael de Almeida Oliveira, chegou a admitir preliminarmente, por telefone, que a interpretação das normas poderia ter sido resultado de um “equívoco”. Contudo, até ao fechamento desta edição, a PCBA não divulgou nenhum posicionamento oficial que alterasse as ordens do ofício.
