MP junto ao TCU pede afastamento de presidente do IBGE por manipulação de dados e pesquisas
A representação aponta possíveis interferências políticas e metodológicas nos levantamentos oficiais do país, o que poderia comprometer severamente a credibilidade da instituição no cenário nacional e internacional.

O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU) protocolou uma representação contundente exigindo o afastamento cautelar e imediato do atual presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A ação baseia-se em graves denúncias de que a cúpula da instituição estaria a promover a manipulação deliberada de dados e a alterar metodologias históricas de pesquisas socioeconômicas para, alegadamente, favorecer narrativas do atual governo federal.
O procurador responsável alertou que a interferência política nas estatísticas oficiais pode causar danos irreparáveis à credibilidade do Brasil, afetando desde a formulação de políticas públicas até a atração de investimentos estrangeiros que dependem de dados transparentes e fidedignos.

Nas últimas semanas, o IBGE tem sido palco de intensos atritos internos. Servidores de carreira e técnicos do instituto já haviam manifestado descontentamento com as recentes mudanças nos calendários de divulgação e na forma de apuração de indicadores cruciais, como os do mercado de trabalho e da inflação, apontando para um possível aparelhamento ideológico da autarquia.
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A representação do MPTCU é vista como um movimento jurídico robusto para proteger a autonomia técnica do instituto. O pedido argumenta que a permanência do atual presidente durante as investigações pode comprometer a recolha de provas e intimidar os servidores dispostos a testemunhar sobre as alterações metodológicas em curso.
O pedido de afastamento cautelar será agora analisado por um ministro relator no TCU, que decidirá se concede a medida liminar enquanto o tribunal realiza auditorias profundas sobre as denúncias de adulteração nos dados da pesquisa.
