“Disputado”: José Ronaldo revela convites de Jerônimo e ACM Neto para vice, mas reafirma permanência na Prefeitura
Em entrevista ao programa Acorda Cidade, o prefeito de Feira de Santana detalhou os bastidores políticos e explicou a sua decisão irredutível de cumprir os quatro anos de mandato no município.

Resumo da Entrevista
- Os Convites: Foi oficialmente chamado para ser candidato a vice-governador tanto na chapa de ACM Neto (União Brasil) quanto na de Jerônimo Rodrigues (PT).
- A Decisão: Rejeitou ambas as propostas para honrar o seu compromisso de quatro anos com a população de Feira de Santana.
- O Encontro com Geddel: Esclareceu que a reunião com o ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB) foi nostálgica e não focou na vaga de vice, embora tenha recebido um convite aberto para se filiar ao partido.
O xadrez político baiano para as eleições de 2026 está em pleno movimento, e o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo de Carvalho (União Brasil), confirmou ser uma das peças mais cobiçadas do tabuleiro. Na manhã desta quarta-feira (11), durante uma entrevista exclusiva ao radialista Dilton Coutinho, âncora do programa Acorda Cidade, o gestor revelou ter recebido convites formais para compor a chapa como vice-governador nos dois principais campos políticos do estado: ao lado de Jerônimo Rodrigues (PT) e de ACM Neto (União Brasil).

Ao abordar as especulações que dominavam os bastidores, José Ronaldo não escondeu a satisfação pelo reconhecimento da sua trajetória política, mas manteve a postura firme que o caracteriza. “Um dia, Dilton, você disse que eu estava me sentindo a ‘cocada puxa’, sendo disputado por todos os dois, tanto Jerônimo como ACM Neto, mas não é a questão de sentir ou não”, comentou, bem-humorado, durante o programa.
O prefeito fez questão de refletir sobre a sua longa caminhada na vida pública: “Com toda humildade, tenho 74 anos e cheguei em Feira no final de 1969. No dia seguinte, fui trabalhar na prefeitura como datilógrafo. Aquele menino jamais saberia que iria acontecer tudo isso na vida dele. Ser vereador, deputado federal, deputado estadual, prefeito e diretor do Hospital Dom Pedro. Eu acho que isso é de grande importância na minha vida, isso me fortalece”, complementou.

O mistério dos articuladores e a decisão final
Embora tenha confirmado os convites de ambos os lados, José Ronaldo preservou a identidade dos emissários que tentaram convencê-lo até ao último momento. Segundo ele, as inúmeras conversas de bastidores, descritas como legítimas e salutares na vida de um homem público, ficarão “guardadas a sete chaves”.
“Ser convidado por pessoas que são respeitadas na Bahia, por pessoas que têm história no nosso estado ou no país, é positivo. Então, você se sente feliz e agradecido a Deus por todo esse momento. Mas é uma decisão bem analisada. Não vou dizer que houve pressão, porque conversa é uma coisa legítima”, explicou o gestor municipal ao Acorda Cidade.

Apesar da honraria de ser disputado pelos polos opostos da política baiana, a resposta de José Ronaldo foi um claro e sonoro “não”. O motivo central da recusa, segundo ele, é a promessa feita aos eleitores feirenses nas últimas eleições municipais.
Eu tinha assumido um compromisso com o povo de Feira de Santana, no meu horário eleitoral, de que eu faria o cumprimento de todo o mandato. Em nenhum momento da minha campanha eu disse que haveria possibilidade de renunciar para assumir alguma outra ação. Ficarei os quatro anos do governo.
Ele lembrou ainda o impacto da sua decisão passada, quando renunciou à prefeitura para concorrer ao governo estadual: “Todo mundo sabe que eu já deixei uma vez. Então eu, comigo mesmo, com a minha própria consciência e vontade, disse que não sairia do governo”, arrematou.
O encontro com Geddel Vieira Lima
Durante a sabatina com Dilton Coutinho, José Ronaldo também foi instado a esclarecer os rumores sobre o recente encontro com o ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB), ocorrido em janeiro. Havia forte especulação de que a reunião seria mais uma tentativa de levá-lo à majoritária de Jerônimo Rodrigues.
O prefeito, contudo, foi categórico ao afirmar que a vaga de vice não foi tema da conversa, que se pautou mais pelo passado e por análises gerais do momento político. “Claro, num dado momento, ele disse-me que, se eu quisesse, poderia filiar-me ao partido dele. ‘O partido está às suas ordens’, mas isso é uma coisa extremamente normal de acontecer. Tem dirigente que chegou até a me oferecer a presidência do partido, mas eu não tenho essa vontade”, concluiu Ronaldo, colocando um ponto final nas especulações.
