No embalo do Dia de Finados, especialistas explicam por que a finitude assusta tanto e alertam sobre os sinais de que a ansiedade e o pânico cruzaram a linha do saudável.
Resumo da Notícia
- O medo da morte é uma reação natural ligada ao desconhecido e ao apego à vida e aos entes queridos.
- O temor exagerado pode desencadear crises de pânico, ansiedade generalizada e quadros depressivos.
- Especialistas reforçam a importância de buscar apoio psicológico quando o pensamento sobre a finitude paralisa a rotina.
Sabe aquela sensação de aperto no peito só de pensar na finitude da vida ou na perda de quem a gente ama? No Dia de Finados, celebrado em 2 de novembro, essa reflexão ganha as ruas e mexe com o emocional de muita gente. Mas parar para pensar nisso é bem diferente de deixar o medo do fim da linha atrapalhar o seu sono, o seu trabalho e o convívio com a sua família. Afinal, quando é que esse receio deixa de ser um sentimento comum e passa a ser um peso perigoso para a sua saúde mental?
Em entrevista concedida ao portal Acorda Cidade, na Bahia, o psicólogo Jota Cardoso explicou que a raiz dessa angústia está no mistério e no apego à vida que construímos aqui. Segundo o especialista, o receio é legítimo e faz parte da nossa essência.
“É muito normal ter medo da morte. É um acontecimento, é um evento que a gente desconhece o que acontece depois da morte. Então, esse medo vem pelo desconhecido, após a morte, e vem também com o receio de você deixar pessoas queridas, a vida que você tem aqui, e também entra no campo do conhecimento.”
— Jota Cardoso, psicólogoPor outro lado, o problema surge quando a preocupação com a morte toma as rédeas da rotina e passa a limitar as escolhas diárias. Para quem vive em Feira de Santana e região — ou em qualquer outro lugar —, o alerta serve como um guia de autocuidado: se qualquer pequeno mal-estar ou pensamento sobre o tema gera pânico e afasta você da convivência social, está na hora de olhar para dentro e buscar suporte profissional.
O psicólogo destaca que o sofrimento emocional ganha força justamente quando a reação se torna exagerada diante dos fatos da vida.
“A partir do momento que eu tenho o medo da morte e esse medo me leva a ter comportamentos desproporcional no meio social, no convívio com a minha família, eu tenho o pânico por qualquer episódio que eu associo à morte, então ele vai desencadear a ansiedade e certamente uma futura depressão e outros transtornos também, quando ele é desproporcional ao episódio.”
— Jota Cardoso, psicólogoPara lidar com essas barreiras e encontrar paz diante dos tabus que cercam a finitude, recorrer ao apoio psicológico é a medida mais indicada. Além da ajuda especializada, o profissional também lembra que a forma como cada um enxerga o descanso eterno, inclusive sob a ótica da fé, pode trazer conforto. “O ser humano, ao morrer, ele não sente, ele não vê, então eu preciso entender o que a Bíblia diz. Eu estou falando no campo religioso, o que a Bíblia diz a respeito? É isso que eu creio, depois a morte, a pessoa não sente e não vê”, conclui.