Resumo da Notícia
- Pesquisadores descobriram dois esqueletos quase completos de uma nova espécie na província de Guizhou, na China.
- O animal foi batizado de Gerrothorax maritimus e viveu há cerca de 237 milhões de anos.
- A espécie nadava em alto-mar, a pelo menos 30 quilômetros da costa, desafiando a limitação biológica da pele permeável dos anfíbios.
Imagine um anfíbio com a capacidade de viver totalmente em alto-mar, a dezenas de quilômetros da terra firme, em uma época em que os dinossauros ainda começavam a caminhar sobre o planeta. Essa é a realidade revelada por um grupo internacional de cientistas que encontrou os vestígios de uma espécie até então desconhecida pela ciência.
Os fósseis, formados por dois esqueletos quase intactos, vieram à tona na província de Guizhou, no sul da China. O achado deu origem à descrição do Gerrothorax maritimus, um animal que habitou os oceanos da Terra há aproximadamente 237 milhões de anos.
Entenda o que significa
A grande maioria dos anfíbios que conhecemos hoje, como sapos, rãs e salamandras, possui uma pele altamente permeável. Isso faz com que eles percam líquidos rapidamente em ambientes com sal, o que torna a vida no mar praticamente impossível para esses animais modernos.
O que chamou a atenção dos pesquisadores envolvidos no estudo, publicado na revista científica Nature Ecology & Evolution, foi justamente a adaptação radical desse grupo antigo. As análises anatômicas e químicas do esqueleto mostraram que o animal não apenas visitava o mar ocasionalmente, mas vivia de forma permanente nas águas salgadas, a pelo menos 30 quilômetros de distância das ilhas mais próximas daquela época.
A pesquisa foi conduzida por cientistas de peso, reunindo equipes da Guizhou University, lideradas por Chen Geng, além de nomes como Ryosuke Motani, da Universidade da Califórnia em Davis, e Da-yong Jiang, da Universidade de Pequim.
Apesar da descoberta impressionar pelo nível de preservação e pela reviravolta na compreensão sobre a evolução desses animais, alguns mistérios continuam sem resposta. Os especialistas ainda buscam entender detalhes sobre o comportamento reprodutivo da espécie e como funcionava o ciclo de vida completo do Gerrothorax maritimus nas condições marinhas daquela era remota.